Bogotá - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertaram o repórter francês Romeo Langlois ontem, um mês depois de tê-lo sequestrado durante um confronto que mostrou que o grupo ainda é uma ameaça, apesar de uma década de golpes militares.
Langlois, o refém de mais alto perfil desde a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, foi sequestrado na região de Caquetá, sul do país, em 28 de abril, durante confronto de uma unidade do Exército colombiano com rebeldes fortemente armados das Farc.
O profissional foi entregue à missão humanitária composta pela Cruz Vermelha Internacional, pelo coletivo comandado pela ex-senadora colombiana Piedad Córdoba.
“Nunca fui amarrado. Me trataram como um convidado. Me deram boa comida... sempre foram muito respeitosos”, disse o jornalista colaborador do canal France 24 a repórteres na selva. “Não posso reclamar.” Langlois foi ferido em seu braço esquerdo, mas parecia estar saudável após a libertação e pediu ao mundo que preste mais atenção à mais longa insurgência da América Latina.
Críticas
O jornalista francês Romeo Langlois, afirmou ontem que tanto o governo colombiano quanto a imprensa do país sul-americano mostram imagens distorcidas do conflito entre Bogotá e a guerrilha, que dura 40 anos. “São pobres se matando entre pobres, é sumamente trágico e isso dura há 40 anos.
Não há bons nem maus, às vezes a imprensa e o governo conseguiram vender imagens distorcidas, mas quando alguém vai às zonas de conflito vê que a realidade é mais complexa”, disse o repórter, em entrevista coletiva.
Assim como no momento em que foi entregue à missão humanitária que participou do resgate, o jornalista pediu para que os meios de comunicação repensem como cobrir o conflito colombiano e insistiu que se trata de um “conflito invisível”. “Não é possível que os meios de comunicação só procurem conhecer a realidade do conflito quando se mantém um jornalista em cativeiro”.
Mais cedo, Langlois pediu ao Exército colombiano que continue a levar jornalistas às zonas de conflito e criticou a operação das tropas, afirmando que o laboratório de refino encontrado “era modesto” e que o número de mortes era menor que o anunciado.
“Era um laboratório pequeno que as pessoas usam para sobreviver. Também, durante a operação, só vi um morto e não 15, como falaram depois”.
Reação de Uribe
Pouco após a libertação, o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe acusou o jornalista francês, que colabora com a rede de televisão France24 e o jornal “Le Figaro” de associação ao terrorismo, em mensagens em sua conta no microblog Twitter.“Uma coisa é a curiosidade do jornalista e outra a identificação com o terrorismo. O que esse senhor fazia na Colômbia, que relação tinha com as Farc? Algumas pessoas sabem que o senhor sabe enganar”.