Dois meses após o início do outono, é hora de finalmente tirar a blusa e o edredon do armário. Além do friozinho, contudo, a chegada, de fato, do frio pode acarretar em certa dor de cabeça, literalmente, caso algumas adaptações não sejam assimiladas. Uma leve mudança de hábito aliada à disciplina, entretanto, podem não só manter a qualidade de vida como, principalmente, garantir noites mais amenas. Maior conforto, saúde e até um capricho no visual (ao contrário do que muita gente pensa, é no frio que se emagrece) em vista à volta do calor, daqui alguns meses.
O principal, sempre, é manter antena ligada contra o surgimento de doenças oportunistas da atual e próxima estação. Desde simples resfriados, até gripes mais violentas e alergias podem acentuar o desconforto de quem não é muito chegado às roupas mais pesadas ou ao vento gelado dos fins de tarde característicos da época, independentemente à idade.
“O frio, associado ao clima seco, favorece ao surgimento principalmente de doenças respiratórias”, comenta o alergista Edison Giacomini Filho, do hospital da Unimed, em Bauru.
A baixa temperatura aliada ao acúmulo de impurezas no ar em virtude da baixa umidade, enfatiza o especialista, é a combinação perfeita para não apenas o surgimento destas doenças, mas para a evolução silenciosa, em muitos casos, para quadros mais agudos, com crises de sinusite, rinite alérgica, laringite aguda e até pneumonia.
Um dos principais – e literais – antídotos, enfatizam especialistas, é a disciplina na caderneta de vacinação. “Vacina é a principal prevenção, tanto contra gripes H1N1 e Influenza quanto pneumonia”, observa, com maior ênfase aos idosos, o geriatra Júlio Rodrigues Horta Filho. “É um mal silencioso. Por isso temos de ter muita atenção a qualquer queixa”, narra a enfermeira Regiane Deo Ricci, da Vila Vicentina.
Tanto para os mais velhos, quanto para os mais novos, um fator às vezes esquecido, mas de grande importância, para evitar desconforto nas estações mais frias é a hidratação. “Hidratar o organismo ajuda a evitar ação de agentes alérgicos”, complementa o alergista Giacomini Filho.
Especialmente entre os pequenos, a falta de hidratação adequada também motiva outros agravantes além das tradicionais “doenças de inverno”, observa o pediatra Hilton Coimbra Borgo.
“É normal sentirmos menos sede no frio. Assim, a mãe, muitas vezes, liga a menor transpiração a uma falsa ideia de que não é preciso dar tanto líquido para a criança. Já recebi casos, em pronto atendimento, de crianças com febre devido à má-hidratação. No frio mais seco, as vias respiratórias ficam mais ressecadas. A boa hidratação contrapõe isso”, recomenda.
Idosos
Além do agasalho e vacinação, pessoas acima dos 60 anos devem estar atentas às articulações, enfatiza o geriatra Júlio Rodrigues Horta Filho. “Doenças reumáticas acometem muito nesta época. Quanto menos atividade, mais sofrem as articulações”, salienta o especialista.
“A alternativa é se agasalhar bem e procurar o período do dia com sol mais quente e aproveitar para uma caminhada, se movimentar. Ficar parado só atrofia as juntas, e vai doer”, adverte o médico.