Tribuna do Leitor

Procura-se o procurador


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Bastou ser noticiado o suposto retardamento das investigações da operação Vegas (ligada ao caso Cachoeira) por um procurador do Ministério Público para, de pronto, a Associação Nacional dos Procuradores manifestar altissonante o seu apoio ao associado. Da mesma forma, no início do ano, se alguém se lembra, a Associação Nacional dos Magistrados, ou coisa que o valha, levantou a voz indignada face a uma investigação da Corregedoria Nacional no Judiciário. No Brasil, os interesses corporativos prevalecem sobre quaisquer outros. Não importa se os ilustres designados, sob régio soldo, a zelar pelo interesse público, estão a acobertar ações do crime organizado, omissões providenciais dos órgãos fiscalizadores, ou mesmo práticas ilícitas emanadas do próprio governo. Blindadas pelo manto institucional e pelo lobby corporativo, essas pessoas se colocam acima da lei e atropelam quem e o que estiver pela frente, não raro em prol da vaidade e do personalismo carreirista, e em detrimento dos reclamos do bem comum. Que raio de instituições são essas? Quando o cidadão comum deixará de ser o palhaço desse circo, armado e sustentado com dinheiro do seu próprio bolso?

Sérgio Reis da Silva

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