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Migrantes climáticos

Iolanda Toshie Ide
| Tempo de leitura: 2 min

A ONU estima que até 2050 haverá a migração de um bilhão de pessoas por causa dos impactos das mudanças climáticas. Os desastres naturais nem sempre podem ser assim chamados. Está em curso uma incomensurável agressão ao meio ambiente: desde grandes desmatamentos até mineradoras, carvoarias, construção de imensas obras, poluição por gases industriais até a radioatividade. Os países ricos já destruíram grande parte de sua biodiversidade. Pela colonização (de ontem e de hoje) depredaram os países por eles invadidos, usando força de trabalho escrava, massacrando suas populações.

Para garantir o controle das colônias (de ontem e de hoje), alimentam os mais sangrentos conflitos, lucrando com a venda de suas armas encalhadas, explorando a natureza, provocando desastres climáticos dos mais graves forçando a migração da população. Inventam as mais sofisticadas armas desde metralhadoras, canhões tanques de guerra, mísseis ... até as atômicas e biológicas.

Para nós, mulheres, sobram as mais trágicas consequências. Quase nunca contam com uma reserva de alimentos ou água (são as últimas a se alimentarem), são as encarregadas de alimentar os filhos, às vezes estão grávidas, outras amamentando. São alvo de violências várias, inclusive sexuais. Sabemos que tropas da ONU condicionaram a distribuição de alimentos por favores sexuais. Convém tentar se colocar no lugar de uma mulher que vê o filho definhando pela fome. No Brasil, em 2010, mais de 300 mil pessoas morreram em função de desastres ecológicos. Como sempre, a população pobre é a mais atingida. Conhecemos a história de desmatamentos por madeireiras, pela monocultura, pecuária extensiva. Estamos voltando ao século XVI, com as monoculturas voltadas à exportação: soja, gado, pinus, eucalipto, frutas... Para produzir um quilo de carne é necessário 15 mil litros de água. Estamos, pois, exportando água. Ademais, os agrotóxicos estão contaminando o ar, a água, a terra. Já foram constatadas que, nas regiões de monucultura, a água e o leite materno estão contaminados. Não temos para onde vamos fugir. Durante a crise, indústria bélica e farmacêutica/agrotóxicos seguiram ilesas produzindo muito e lucrando superlativamente.

Como se não bastasse, as grandes corporações estrangeiras estão dominando grande parte das fontes de água e energia. Os mandatários dos países já não governam, são por elas dominados. Na Bolívia, as mulheres indígenas fizeram com que a privatização fosse revertida. No Brasil, por enquanto, Nestlé, Coca-cola...continuam avançando sobre nossas fontes de água. Vamos reagir! Estamos buscando soluções na Cúpula dos Povos na Rio+20.

A autora, Iolanda Toshie Ide, é professora e colaboradora de Opinião

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