Bairros

Vendaval e chuva recordes deixam rastro de destruição

Tisa Moraes com Marcele Tonelli e Redação
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Árvores derrubadas, fiação elétrica exposta, casas destelhadas e sem energia, semáforos apagados e ruas intransitáveis pelo excesso de lama e água. Toda destruição que castigou a população de Bauru entre anteontem e ontem foi resultado da combinação entre dois recordes para meses de junho: o volume de chuva nos dois dias chegou a 65,5 milímetros e velocidade de ventos, a 66 quilômetros por hora no Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Em outros bairros da cidade, estima-se que o vendaval tenha ultrapassado os 70 quilômetros por hora, a maior velocidade desde 1997, quando o órgão iniciou as medições. Da mesma forma, a precipitação acumulada entre anteontem e ontem bateu, sozinha, o recorde histórico de todos os meses de junho completos.

Desde a noite de segunda-feira até as 21h de ontem, havia chovido 65,5 milímetros em Bauru, volume maior do que os 58,2 milímetros somados nos 30 dias de junho de 2008. No mesmo mês do ano passado, havia chovido 45,7 milímetros e, em 2010, 29,2 milímetros. Em junho de 2012, já são 77,5 milímetros acumulados.

O vendaval acompanhado de fortes pancadas de chuva que se prolongaram até o final da noite de ontem provocaram transtornos, prejuízos e sujeira em vários cantos da cidade. Na noite de ontem, uma árvore caiu sobre um carro no estacionamento da CPFL. Por sorte, ninguém ficou ferido ou desabrigado.

Segundo o Corpo de Bombeiros, cerca de 40 árvores caíram com a força do vento, derrubando cabos da rede elétrica. Com isso, muitos bairros ficaram sem energia. Conforme levantamento da CPFL, quase dez mil bauruenses ficaram no escuro na noite de segunda-feira.

Entre eles, estava a Base Comunitária de Segurança Sudeste, situada na avenida Cruzeiro Sul, e o 1º Distrito Policial, localizado na avenida Daniel Pacífico, na Vila Falcão. Árvores localizadas nas proximidades caíram sobre o prédio e um poste de iluminação pública também foi ao solo.

Os danos provocados forçaram a suspensão das atividades no 1º DP e todas as ocorrências, ontem, foram encaminhadas ao Plantão da Polícia Civil. No início da tarde, novas quedas de energia também desligaram semáforos em alguns pontos da cidade, como um trecho de quase um quilômetro da Nações Unidas, entre a Rodrigues Alves e a rua Marcondes Salgado.

 

Ilhados

Ainda na segunda-feira, logo após o vendaval, a borracharia de Valdonir Antônio Nascimento, 43 anos, localizada no Jardim Nova Esperança, ficou totalmente destelhada. “Estávamos indo embora para casa, quando a chuva teve início e resolvemos voltar para procurar abrigo. O vento parece que veio em uma direção só e arrancou tudo o que estava pela frente. O relógio do meu estabelecimento parou exatamente às 19h20”, relata o borracheiro.

O estabelecimento de Niquinho, como Valdonir é conhecido, fica na rua São Sebastião, onde as coberturas de um posto de combustíveis e de dois restaurantes também foram danificadas. Segundo Niquinho, o prejuízo estimado é de R$ 12 mil.

Além das perdas financeiras, muitos moradores ficaram ilhados por conta do excesso de água. Foi o que ocorreu com a diarista Cátia Braga Trombini, 42 anos, moradora da quadra 1 da avenida Antônio Fortunato, no bairro Pousada da Esperança 1.

Com a água da chuva represada, a rua de terra em frente à sua casa transformou-se num verdadeiro lago enlameado e era impossível atravessar a rua ou mesmo tirar o carro da garagem. “Toda a água que vem da Vila São Paulo e do Nova Bauru desemboca na minha rua, que fica numa baixada. Quando chove muito, a rua se transforma em um rio com correnteza. Quando para, a terra entope os bueiros e ninguém consegue passar”, reclama.

Já no Parque Giansante, a cadeirante Gilmara Aparecida Severino, 38 anos, não conseguia nem mesmo atravessar o portão de sua residência, na quadra 7 da avenida Rizik Eid Gebara, que não é pavimentada. “O asfalto fica a 50 metros da minha casa e, em dia de chuva, nem o ônibus coletivo passa. Aqui não tem calçada, não tem guia. Mesmo que eu tivesse alguém para me ajudar, não conseguiria sair de casa”, lamenta.

 

Inundações e destelhamentos

Segundo levantamento da Defesa Civil, oito casas no Parque Jaraguá – localizadas entre as quadras 7 e 9 da rua Jeso Contijo de Moraes e a quadra 1 da Francisco Deogracias Reche - e uma no bairro Bom Jesus ficaram parcialmente destelhadas após o vendaval. Outros seis imóveis foram inundados.

Na manhã de ontem, equipes do órgão estiveram nas residências danificadas para fornecer lonas plásticas como alternativa provisória de proteger os imóveis. De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, não houve necessidade de remoção das famílias para abrigos.

 

A quem recorrer

Casos de emergências são atendidos pela Defesa Civil no (14) 9651-0304 ou pelo 193, telefone do Corpo de Bombeiros.

Para a recuperação de ruas e acessos é preciso acionar a prefeitura pelo (14) 3235-1000 ou a Secretaria das Administrações Regionais pelo (14) 3235-1326.

 

Recuperação deve demorar pelo menos 10 dias

A recuperação de todas as ruas e acessos a escolas, creches, postos de saúde e residências, bem como a limpeza de bocas de lobo, retirada de entulho, árvores e estruturas derrubadas irá demandar, pelo menos, dez dias de trabalhos intensos na cidade. Esta é a previsão do coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, que destaca que o prazo poderá ser ainda mais estendido caso a chuva persistir nos próximos dias – o que já é previsto pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Com as ruas de terra muito encharcadas, as máquinas, que são muito pesadas, não conseguem executar o trabalho. Mas alguns serviços emergenciais, como o desentupimento de bocas de lobo e retirada de árvores do meio da rua, já estão sendo providenciados”, assinala.

Ontem, o Corpo de Bombeiros trabalhou ao longo de todo o dia para recolher parte das quase 40 árvores que caíram na cidade. A Secretaria Municipal de Obras realizou a retirada de areia de ruas pavimentadas no Parque Jaraguá e reforçou que aguarda o tempo seco para realizar a manutenção das ruas de terra.

 

Feriado prolongado terá frio e chuva

Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec), o feriado de Corpus Christi, amanhã, será gelado e úmido. A previsão é de que os termômetros oscilem entre 11 e 21 graus, com céu nublado e chuvas periódicas.

Hoje, os bauruenses também deverão permanecer debaixo de água, mas, na sexta-feira, a chuva deve dar uma trégua, embora o dia tenda a ficar ainda mais gelado.

Segundo José Carlos Figueiredo, meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet), o vendaval que castigou Bauru entre anteontem e ontem chegou com atraso à região, já que este tipo de fenômeno ocorre com maior frequência em meses de maio. “A frequência de frentes frias foi menor no mês passado e voltou, agora, com maior intensidade no início de junho. Já foram duas nesses últimos sete dias e não há nada que explique esta mudança, já que as frentes ocorrem de maneira mais ou menos aleatória”, comenta. 

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