Bairros

?Novela? de bosque pode ir à Justiça

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

“As máquinas retiraram a proteção natural da terra, as árvores estão caindo e o buraco cedendo. Gastaram dinheiro público em uma obra sem projeto e que teremos que pagar pelo abandono”, reivindica Almir Ribeiro, 52 anos, morador das proximidades do bosque do Parque União.

Com objetivo de cobrar a retomada das obras paradas desde dezembro de 2011, a representante de uma comissão formada por moradores em prol do bosque, Rosilene Berretine, 46 anos, afirma que o grupo pretende ingressar com uma ação no Ministério Público contra a Prefeitura Municipal, exigindo a continuação dos serviços no local.

Pressionadas, as secretarias municipais do Meio Ambiente e Obras informam que a retomada dos trabalhos no bosque está prevista para daqui a 13 dias. Além dos serviços ‘estacionados’, os moradores também cobram, por parte dos órgãos, o recolhimento de entulho e de algumas tubulações quebradas que ficaram ‘esquecidas’, transformando o local em depósito desde dezembro.

“Não dá para aceitar que o próprio poder público não dê bons exemplos. Eles pararam a obra e largaram esses entulhos para trás”, aponta Rosilene, mostrando que a atitude tem influenciado os moradores das redondezas a cooperar com o cenário de depósito de lixo no local.

 

Promessas

Em março deste ano, o Jornal da Cidade publicou reportagem abordando a continuidade dos serviços no bosque Eliseu Victor Fornatti. Na ocasião, o prefeito Rodrigo Agostinho se reuniu com os moradores e recebeu um abaixo-assinado contra a paralisação de mais de três meses da obra.

A reunião resultou em um acordo feito entre os moradores e o poder público municipal, que garantiu a continuidade do futuro parque do bairro no prazo máximo de um mês.

Entretanto, após 90 dias, os moradores alegam que nada foi feito e o parque continua sofrendo com processos de erosão e deslizamentos de terra, que culminam com a queda de árvores e assoreamento de um afluente do córrego Água do Castelo.

Ao invés de um parque, o local coleciona riscos para os moradores e crianças da região. Como parte dos alambrados não existe mais, o buraco de aproximadamente quatro metros de altura do córrego abre possibilidades para vitimar moradores, como já ocorreu há alguns anos.

 

Ação

De acordo com a representante da Comissão do Bosque União, além do abaixo-assinado, os moradores entregaram, em maio deste ano, um ofício para a Polícia Militar Ambiental do município relatando a situação da área, que seria de preservação ambiental. Conforme a moradora, uma vistoria foi realizada e, na mesma semana, um boletim de ocorrência sobre o caso foi registrado.

No B.O., feito por Rosilene contra a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), constam informações sobre o desmatamento da área, retirada e quebra de alambrados para as obras, falta de iluminação, entre outras questões.

“Estamos esperando uma manifestação da prefeitura. Se não houver, vamos reunir toda a documentação e procurar o Ministério Público”, ressalta Rosilene e Almir.

Além da retomada das obras, a Comissão do Bosque União pede a reposição da vegetação e o controle de erosão da área, além da limpeza após os serviços.

“O que mais incomoda a gente é que eles vêm e gastam o dinheiro público, mas em uma obra que não funciona e o problema aqui só aumenta”, frisa Ademir.

Questionado, o titular da Semma, Valcirlei Silva, reforça que as obras de drenagem e pavimentação serão retomadas daqui a 13 dias. “Temos um grande interesse em finalizar os serviços, mas algumas obras emergenciais impediram isso. Nossa proposta é revitalizar a área e tornar a urbanização do parque possível”, informa o secretário.

 

Futuro distante

 

A prefeitura pretende urbanizar o local, criando um espaço adequado para o lazer e a prática de esportes aos moldes do Bosque da Comunidade, localizado na zona sul da cidade. Porém, ainda não há um projeto para que a ideia se viabilize.

 

Enquanto isso, a prefeitura se desdobra para atender a demanda na cidade e realizar as obras de manutenção e revitalização do bosque com recursos próprios, o que segundo Valcirlei, tornaria ainda mais distante o projeto para urbanização do parque. 

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