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Viaduto João Simonetti tem problemas que vão além das questões estruturais, como o fato de ser abrigo para usuários de drogas |
Já imaginou como seria ter de ir da Vila Falcão ao Centro caso não existissem os viadutos Mauá e Eufrásio de Toledo? E como seria ter de ir do Centro ao Jardim Bela Vista sem poder contar com a facilidade proporcionada pelos viadutos Juscelino Kubitschek e João Simonetti?
Se você, leitor, achou difícil imaginar como seria tais situações sem a presença dos tradicionais viadutos de Bauru é porque, certamente, já está acostumado com os benefícios e facilidades que estas obras trazem à cidade.
Mas nem sempre foi assim. A maior parte dos viadutos existentes em Bauru foi construída entre as décadas de 1950 e 70 (leia mais nas páginas 2 e 3), com o objetivo de interligar bairros e facilitar o acesso ao crescente número de veículos automotores.
Hoje, mais de 60 anos depois da construção do primeiro viaduto de Bauru, o Mauá, muitas destas obras já dão sinais de que estão desgastadas e ultrapassadas.
De acordo com o urbanista José Xaides de Sampaio Alves, professor do curso de arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, os viadutos da cidade estão defasados, principalmente, em termos de condições de volume de tráfego.
“Foram obras concebidas para momentos em que a cidade não tinha a demanda de trânsito e pedestres que tem atualmente. As calçadas são estreitas, a conexão com o sistema viário é precária, não há espaço para pedestres e ciclistas, entre outras falhas”, enumera o urbanista.
Além disso, segundo Xaides, mais do que modernização, os viadutos da cidade carecem de manutenção constante.
“São obras resistentes, mas é preciso estar de olho, sempre. Calçadas irregulares, grades de proteção depredadas, materiais expostos, entre outras coisas são sinais de que a manutenção não está sendo feita da forma como deveria”, alerta.
Dá para viver sem
Boa parte dos viadutos de Bauru está concentrada no Centro da cidade e funcionam como importante ligação entre os bairros. Mas, atualmente, construir novas obras do tipo não parece a melhor alternativa aos olhos do urbanista José Xaides de Sampaio Alves, professor do curso de arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.
Isso porque viadutos são obras caras e de impacto ao meio ambiente, que colaboram para o crescimento de um centro de conflito e, dependendo da forma como são projetadas, tendem a ficar ultrapassadas por conta do crescimento do município.
“Os viadutos ligam os bairros ao Centro. Então, como toda a população vai rumo ao Centro, a tendência é o surgimento de conflitos e a centralização da cidade”, aponta.
O melhor, segundo ele, seria estimular a criação de novas centralidades nos bairros, evitando a criação de novos viadutos. “Bairros fortalecidos diminuem a necessidade de transportes e, portanto, dispensa a criação de novos viadutos”, defende.
Treme, mas não cai
Embora sejam estruturas antigas, os viadutos são obras seguras, projetadas para resistir por séculos, dependendo apenas da manutenção.
As rachaduras no asfalto e nas calçadas e o famoso tremelique cada vez que um veículo mais pesado passa por cima da estrutura são comuns.
“São espaços necessários para que, com a variação de temperatura, a estrutura não se parta. É normal balançar”, tranquiliza o urbanista José Xaides de Sampaio Alves, professor do curso de arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.
Poucos, mas fundamentais para fazer Bauru andar
A cidade tem menos viadutos do que precisa, mas os que existem ajudam a tornar o trânsito menos caótico, principalmente, nos horários de pico
Viadutos Mauá e Nuno de Assis
Com a função de ligar o Centro aos bairros localizados na Zona Oeste de Bauru, entre eles a Vila Falcão, os viadutos Mauá e Nuno de Assis estão entre os mais importantes e movimentados do município.
O viaduto Mauá é o mais antigo da cidade: foi construído entre 1948 e 1951 pelo então prefeito Octávio Pinheiro Brisolla, que tinha o objetivo de facilitar o acesso de quem mora na Zona Oeste, especialmente na Vila Falcão, ao Centro. Já o viaduto Nuno de Assis foi construído entre 1969 e 1973 pelo ex-prefeito Alcides Franciscato e corresponde à segunda alça da obra, que cumpre o sentido Centro-Bairro.
Em 2008, às vésperas de completar 60 anos, o viaduto Mauá foi interditado pela primeira vez para reforma. A determinação partiu do Ministério Público após identificar problemas estruturais na obra. Em abril deste ano, após a longa reforma, a pista foi reaberta.
“Acho que melhorou bastante. A pista está melhor, a calçada bem nivelada e ainda colocaram uma divisória de ferro entre o viaduto Mauá e o viaduto Nuno de Assis para impedir a passagem de pessoas”, opina Mariana Rafaela Honório de Assis, 20 anos, que passa diariamente pelo local para levar seu filho Maicon Henrique, 1 ano, à creche.
“Só acho que também deveriam colocar uma proteção entre a calçada e a pista e implantar rampas de acessibilidade”, pondera.
A história do viaduto, especialmente o período de sua reforma, certamente deve ficar marcada apenas na memória de quem dependia de passar por ele diariamente para chegar ao seu destino, já que registros formais, como placas com data de inauguração e reinauguração, não existem.
Viaduto Juscelino Kubitschek
A calçada estreita, ladrilhada em pisos de tamanho pequeno nas cores preta e branca, já encardidos pelo tempo, denunciam a idade do viaduto Juscelino Kubitschek, que liga o Centro ao Jardim Bela Vista pela rua Azarias Leite.
Construído entre 1956 e 1959 pelo então prefeito Nicola Avallone Júnior, o viaduto JK é a materialização de uma promessa feita em campanha aos moradores do Jardim Bela Vista pelo político. Seu nome é fruto de uma estratégia política: Nicolinha deu ao viaduto o nome do presidente Juscelino na esperança de conseguir verbas a fundo perdido para sua construção, coisa que não aconteceu, obrigando-o a concluir a obra com recursos exclusivamente da prefeitura.
Por conta de sua idade, o viaduto JK é o que mais sofreu com as ações do tempo e, por isso, tem muitos problemas estruturais. A calçada com pisos antigos é um dos principais destes problemas: além de desnivelada, algumas peças do piso estão se despregando ou já se despregaram do chão e em nenhum ponto do local há rampas de acesso aos cadeirantes. Outro ponto negativo do viaduto é a pista simples e com asfalto irregular pela qual os veículos transitam.
Viaduto Antônio Eufrásio de Toledo
Gigante do vale é o apelido do viaduto Antônio Eufrásio de Toledo, que liga a região da avenida Duque da Caxias à Vila Falcão. O apelido se deve ao fato de a obra ser a maior do tipo existente em Bauru, com cerca de 300 metros de comprimento.
Inaugurado em 1º de agosto de 1981, o viaduto foi construído pelo ex-prefeito Osvaldo Sbeghen, que obteve apoio dos deputados Alcides Franciscato e Abrahim Dabus para arrecadar recursos junto ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
Atualmente, o viaduto é um ponto de ligação indispensável entre a Duque de Caxias e a Zona Oeste da cidade. Por baixo dele passam a linha férrea e o córrego Água da Ressaca. Ali também está instalado Ecoponto da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).
Apesar de estar em boas condições de uso, com boa iluminação, calçadas e asfalto regulares e proteção adequada, o viaduto não é suficiente para atender a demanda. Por ele passam, diariamente, milhares de veículos. Com isso, nos horários de pico, como por volta das 19h, quem passa pelo local sofre com o congestionamento.
“Muitas vezes, em casos de emergência ocorridos em horário de pico, a ambulância tem de transitar na contramão para conseguir passar pelo local. Além disso, sem uma travessia segura entre as duas calçadas que margeiam o viaduto, os pedestres arriscam-se em meio aos carros”, aponta Álvaro de Brito, chefe da Defesa Civil.
Viaduto João Simonetti
A pista simples, de mão dupla, a calçada sem acessibilidade e o asfalto irregular são apenas detalhes quando o assunto em questão é o viaduto João Simonetti, que, pela rua 13 de Maio, liga o Centro ao Jardim Bela Vista e à avenida Nuno de Assis.
Inaugurado em janeiro de 1973 pelo ex-prefeito Alcides Franciscato, o viaduto João Simonetti é, atualmente, cenário para um problema social: as drogas.
É que sua estrutura serve de abrigo para usuários de entorpecentes, que aproveitam da escuridão e do abandono que margeia os trilhos da ferrovia para praticar atos ilícitos.
Exemplos do problema não são difíceis de serem flagrados. Na tarde da penúltima sexta-feira, dia 1, por exemplo, quando a equipe do JC nos Bairros visitava o local, foi possível flagrar, pela fenda no asfalto do viaduto, dois jovens utilizando drogas em plena luz do dia.
Mais pra frente, na alça que dá acesso à avenida Nuno de Assis, outro exemplo: sem ter para onde ir, usuários de drogas e moradores de ruas se abrigam em túneis que serão utilizados para a canalização do rio Bauru.
“Para evitar isso, o ideal é que cada viaduto tivesse espaços planejados em seus vãos, como já existe em muitos viadutos de São Paulo. Esses espaços poderiam ser melhores aproveitados pela comunidade”, aponta José Xaides de Sampaio Alves, arquiteto, urbanista e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.
Viaduto 23 de Maio
Inaugurado em setembro de 1975, o viaduto 23 de Maio, que dá continuidade à avenida Duque de Caxias, passando por cima da avenida Nações Unidas, é um exemplo de que, em Bauru, é tradição obras do tipo sofrerem com atraso.
Isso porque o viaduto, que começou a ser construído em 25 de janeiro de 1973 e mereceu destaque na primeira página do Jornal da Cidade, só foi concluso mais de dois anos depois.
Uma matéria publicada no JC em 27 de julho de 1975 apontava as diversas alterações no projeto e a carência de verbas como os principais motivos da demora.
Hoje, o local é um dos mais bem conservados da cidade e recebeu reparos nas calçadas e no asfalto há poucos meses. Apesar disso, um grande buraco aberto em sua lateral acumula lixo e serve de abrigo para moradores de rua.
Por outro lado, o viaduto 23 de maio é o único da cidade que tem o vão debaixo de sua estrutura bem aproveitado. Ali, além de uma base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e Emergência (Samu), está localizada uma área de convivência, onde diariamente algumas pessoas, especialmente da terceira idade, se reúnem para jogar baralho e colocar o papo em dia.
Viaduto inacabado
Com as obras paralisadas de 1996 a janeiro de 2012, o viaduto que liga o Jardim Bela Vista à Vila Falcão, finalmente dá indícios de que vai sair do papel e, desta forma, apagar o rótulo de inacabado, que por muito tempo o identificou entre os bauruenses.
Iniciado pelo ex-prefeito Tidei de Lima, o viaduto foi, por muito tempo, uma triste herança para os bauruenses que passavam diariamente pela Vila Falcão em direção ao Centro, e vice-versa, e tinham diante dos olhos a imagem do abandono da obra.
Mais de 16 anos depois, passados muitos processos e brigas judiciais, as obras do “eterno” viaduto inacabado foram retomadas.
Atualmente, começa a ganhar forma a primeira alça da ligação que deve funcionar no sentido Bairro-Centro. Em maio, a concretagem do primeiro vão foi concluída. Segundo matéria publicada recentemente pelo Jornal da Cidade, atualmente são três frentes de trabalho simultâneas, sendo que no segundo vão já foi concluída a fixação das formas para receber o concreto e estão sendo instaladas as ferragens para a concretagem da laje inferior; no terceiro vão foi iniciado o processo de escoramento e fixação das formas para concreto armado.
Se tudo correr conforme o planejado, até o início de 2013, Bauru terá, de fato, seu mais novo viaduto.
Outros
Além dos citados nesta matéria, de acordo com a Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal, Bauru tem outros sete viadutos, são eles: o viaduto Airton Senna, que liga o Jardim Chapadão ao Distrito Industrial 1; o viaduto da rua Alto Purus sobre o Rio Bauru; o viaduto da rua Araújo Leite sobre o Rio Bauru; o viaduto da rua Aimorés, sobre o rio Bauru; o viaduto da avenida Nações Unidas com a Nuno de Assis, sobre o rio Bauru; o viaduto da rua Araújo Leite, sobre os trilhos da ferrovia; e o viaduto de ligação entre os bairros Santa Lucia e Beija-Flor.
Fora estes, a reportagem levantou outros quatro viadutos, não citados pela prefeitura: o viaduto da Duque da Caxias, o viaduto da Rodrigues Alves, o viaduto da Nações Unidas, o viaduto que dá acesso à rodovia Bauru-Iacanga, todos relacionados à rodovia Marechal Rondon.
Destes, os viaduto da Rondon com a Duque e da Rondon com a Rodrigues apresentam problema de acúmulo de água.
