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Remédios psiquiátricos ?somem? do SUS

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan

Há dois meses, Batista não encontra o medicamento utilizado em seu tratamento

Osvaldo Luís Batista tem 49 anos, sendo que oito deles foram destinados ao tratamento de uma séria doença. “Eu sofro de síndrome do pânico”, conta o homem, sem vergonha de expor o mal que atinge milhares de pessoas. Porém, há dois meses, a terapia dele está ameaçada por conta da falta no Sistema Único de Saúde (SUS) de Bauru de um remédio usado para o controle de fobias. E este medicamento não é o único. O município confirma que está “quebrando a cabeça” para solucionar o problema.


O remédio que Osvaldo Batista precisa para o tratamento é a Sertralina, um dos antidepressivos mais usados em tratamentos psiquiátricos. Ele toma três pílulas por dia. Na semana passada, foi buscá-las na farmácia do Núcleo de Apoio Psicossocial - Divisão de Saúde Mental (Naps), porém, só encontrou o medicamento “na parede”.


“Havia cartazes informando que o remédio está em falta. E isto já está ocorrendo há dois meses. A Sertralina é um deles, mas há outros medicamentos também. Há, pelo menos, quatro remédios faltando”, reclama.

Durante este período, ele está mandando fazer um composto semelhante em uma farmácia de manipulação. “Mas e quem não tem condições? Interrompe o tratamento?”, questiona o homem, em tom crítico. Interrupção que, se ocorrer, poderá trazer graves riscos aos pacientes (leia mais abaixo).


Além da reclamação de Osvaldo Batista, o Jornal da Cidade publicou, também na semana passada, a carta de uma leitora relatou o mesmo problema em relação à Sertralina. Segundo ela, o medicamento, que está em falta na farmácia do Naps desde fevereiro, não tem data para chegar.


A Secretaria Municipal de Saúde confirmou o problema, porém, não divulgou quais os medicamentos que estão em falta, limitando-se a dizer que o estoque mais prejudicado realmente são os da linha psiquiátrica. Por meio da assessoria de comunicação, disse que o fato envolve uma “situação complexa” e que já foi até instituída uma equipe para tentar solucionar este “quebra-cabeça”.

 

Sem medicamento, paciente pode retornar à ‘estaca zero’

A luta contra qualquer doença psiquiátrica sempre é um processo difícil. E travar este “duelo” sem as “armas” adequadas é muito mais preocupante. Até os próprios médicos afirmam ficar de “mãos atadas” na ausência de medicamentos. Para eles, o problema pode trazer sérios prejuízos aos pacientes.


O psiquiatra Sérgio Yutaka Sato destaca esta preocupação. “Se o paciente fica sem um medicamento psiquiátrico, como é o caso da Sertralina, a doença pode retornar à forma inicial. Há crises e outros problemas”.


O psiquiatra relata que a interrupção do tratamento preocupa muito, principalmente quando é feito de forma brusca. “Se a pessoa para de tomar, as consequências são intensas. Até quando o tratamento está sendo finalizado, diminuímos as doses de forma gradual. A interrupção brusca é muito preocupante”.


Em relação a possíveis substitutos dos medicamentos em falta, ele é pessimista, anotando que, mesmo assim, o paciente irá ter prejuízos. “Quando se troca um medicamento psiquiátrico, trabalhamos com 15 dias de ‘atraso’. A eficácia tem este atraso que resulta em males para os pacientes”, complementa.


Em relação à falta de medicamentos e a justificativa do município, Sato afirma que deveria haver um planejamento para estas ocasiões. “Por meio deste controle, eles poderiam informar com antecedência aos médicos que os estoques estão ficando baixos”, conclui o psiquiatra.

 

Problema também compromete luta contra o álcool e as drogas

Não é apenas o tratamento psiquiátrico da depressão e das fobias que a falta de medicamentos na farmácia do Núcleo de Apoio Psicossocial - Divisão de Saúde Mental (Naps) prejudica. A árdua luta contra o álcool e as drogas também está sendo prejudicada com esta questão.


Apesar da Secretaria Municipal de Saúde não ter divulgado quais medicamentos estão em falta, o psiquiatra Sérgio Yutaka Sato, que é especialista no tratamento do vício em álcool e drogas, afirma que o Piportil também sumiu das prateleiras do Sistema Único de Saúde (SUS) em Bauru.


“Este é um importante medicamento que utilizamos com os usuários. A relevância dele na terapia é devido a ser leve e ter um efeito muito importante em quem tem um vício. Ele colabora para diminuir a chamada ‘fissura’”, completa o psiquiatra.

 

Onde está a Sertralina?

Alvo da maior parte das reclamações de pacientes e da preocupação do município, o medicamento Sertralina realmente está em falta no mercado. Mas, afinal, onde está a Sertralina?


Além das questões mercadológicas farmacêuticas já citadas, o psiquiatra Sérgio Sato explica que há uma demanda reprimida muito grande em relação ao medicamento. “Há alguns meses, a Sertralina também esteve em falta. Quando reapareceu, a demanda era tamanha que ela desapareceu de novo, rapidamente”, afirma.


Ele acredita que o mesmo pode ocorrer agora, quando o medicamento for reposto no mercado.

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