Internacional

Espanhóis temem pagar por resgate


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Madri - A desconfiança tomou conta da Espanha ontem, após o anúncio do plano de socorro financeiro aos bancos do país. Oposição, especialistas, agências de risco e cidadãos disseram temer que as contas do resgate recaiam sobre o Estado e seus contribuintes. O governo negou.

Para recapitalizar seu setor bancário, o país anunciou anteontem que vai recorrer a uma linha de empréstimo europeia de até 100 bilhões de euros (R$ 254 bilhões).

Ontem, o premiê espanhol, Mariano Rajoy, que havia evitado declarações no anúncio do pacote, disse que se trata não de resgate ao país, mas de crédito para os bancos. Afirmou ainda que sua severa política de ajuste “evitou um mal maior”.

“Se não tivéssemos feito nossos deveres nos últimos cinco meses, a intervenção teria sido ao reino da Espanha. Todos ganhamos”, declarou o premiê, que foi duramente criticado por viajar à Polônia para acompanhar a estreia da seleção de futebol espanhola na Eurocopa.

A oposição se mostrou pouco convencida e convocou Rajoy para depor no Congresso sobre o episódio.

“O governo quer nos fazer acreditar que ganhamos na loteria”, disse ontem o líder da oposição, o socialista Alfredo Pérez Rubalcaba, que pediu a criação de uma comissão no Parlamento para monitorar a injeção de dinheiro nos bancos.  

Ontem, as opiniões se dividiram sobre o resgate. Há quem veja sinais de que a Europa mostra unidade e o euro se fortalece com a medida.

“É um sinal muito claro aos mercados que a zona do euro está disposta a tomar ações decisivas para acalmar as turbulências”, disse hoje o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn.

Mas economistas preveem que o resgate provocará mais ajustes e atrasará ainda mais a recuperação do crescimento. O economista Carlos Granados calculou que o resgate custará quase 3 mil euros (R$ 7.600,00) para cada espanhol.

As agências de risco afirmaram que a medida pode trazer consequências negativas para a Espanha ante os mercados. Hoje, primeiro dia de funcionamento das Bolsas depois do anúncio, será um grande teste para o país.


Paneladas


Ontem, pelas ruas de Madri e Barcelona, espanhóis se dividiam entre a raiva e a apatia ante o pedido de resgate, que poucos diziam entender por completo.

“No fim das contas, tenho certeza de que quem vai pagar por isso somos nós e nossos filhos”, disse o engenheiro Mario Trajano, 58 anos.

Na Capital e em Barcelona, centenas protestaram com panelas na mão contra o resgate. Sindicatos prometem mais protestos ao longo desta semana.

Ainda que a operação vá garantir mais capital aos bancos, o resgate reascendeu o temor pelo congelamento de poupanças. “Vou fechar uma de minhas poupanças, não quero arriscar”, disse a geógrafa Beatrice Hernández, 43 anos.

 

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