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Bauru se une contra trabalho infantil

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

Quando os músicos Sandra Peres e Paulo Tatit e o ex-Titãs Arnaldo Antunes repetem o refrão “Criança não trabalha, criança dá trabalho”, letra composta por Arnaldo e Tatit, vem de pronto a referência a uma realidade que passa despercebida pela sociedade, mas que é crime: o trabalho infantil. São crianças e adolescentes esmolando ou vendendo doces, mostrando sua habilidade com malabares nos semáforos ou responsáveis por afazeres domésticos que os impedem de estudar e de ser o que são. Hoje, Dia Mundial de Enfrentamento e Erradicação do Trabalho Infantil, várias entidades, os poderes públicos municipal e estadual farão uma passeata no Calçadão da Bastista, às 14h, como alerta e mobilização da sociedade para o problema.

A Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) identificou 123 crianças e adolescentes trabalhando, principalmente, nos semáforos das principais vias de Bauru. Vender doces, pratica de malabares e esmolar são as principais atividades irregulares detectadas. A secretária do Bem-Estar Social, Darlene Têndolo, revela que uma criança fatura R$ 30,00 em média durante uma hora de trabalho nos semáforos. A equipe da Sebes acompanhou crianças durante um período de jornada de trabalho. Darlene comenta que foi encontrada criança com 8 anos de idade atuando como malabarista.  A secretária lembra que o dinheiro, muitas das vezes, é destinado para a aquisição de drogas pelos pais ou responsáveis.

A Sebes interviu nas famílias fazendo um acompanhamento das 123 crianças e adolescentes. No entanto, 44 crianças ainda reincidiram voltando a trabalhar da mesma forma, indo para os semáforos no período oposto às aulas. A Sebes intensificou a assistência para a mudança do comportamento dos pais e responsáveis em relação às crianças e adolescentes.

O trabalho de educação e conscientização na cidade busca atingir as duas pontas. Quem coloca as crianças para trabalhar e quem dá dinheiro, imaginando ajudar as crianças. Darlene sugere às pessoas que não financiem o semáforo e direcionem suas doações para entidades que atuam com as crianças e adolescentes. A secretária avalia que Bauru disponibiliza um bom índice de empregos para os adultos.

 

Oculto

A Comissão Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil (Cometi) atua com as crianças e adolescentes da rede estadual de educação para identificar o trabalho infantil oculto, aquele realizado em casa. Nesta modalidade, a criança é responsável por afazeres domésticos, como limpeza, e de cuidar dos irmãos mais novos. A dirigente Regional de Ensino Gina Sanchez cita que esse tipo de problema traz um grave prejuízo à educação formal do aluno. Henriette Scarabotto Padovini de Moraes, integrante do Cometi, explica que neste ano o órgão está atuando em várias frentes.

No primeiro semestre, o pessoal do Cometi trabalha na conscientização dos estudantes do quinto ano da rede estadual de ensino, desde 2010. O trabalho é feito por estagiárias de psicologia escolar do curso da USC, sob a supervisão de Ester Tereza Senger Petroni, da USC e integrante do Cometi. No dia 22 deste mês, está programada uma orientação técnica, conscientização e possíveis ações, voltadas a professores e coordenadores de escolas estaduais de Bauru e mais 16 municípios da região, na ITE.

No segundo semestre, o Cometi levará para a rede municipal o combate ao trabalho infantil. A diretora da Divisão de Educação Infantil, da Secretaria Municipal de Educação, Marta Correa, acrescenta que o trabalho de conscientização começará na Emef Nascilda de Campos, que atende alunos do 1º ao 9º ano, na Vila Garcia e Jardim TV. Em outubro, Mês da Criança (Dia 12, Dia da Criança), o Cometi lançará o Fórum Permanente de discussões sobre o trabalho infantil. Em suas ações o Cometi mantém parceria com a Diretoria de Ensino, Secretarias Municipais de Educação e Saúde (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador Cerest), Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), Sest/Senat, USC e Comissão Coemprego.  Nos próximos dias, o Cometi fará um pit stop na avenida Getúlio Vargas, provavelmente, de frente à Rádio Cidade 96FM, para que os proprietários de veículos estampem o selo da campanha para a erradicação do trabalho infantil em Bauru.

 

Parceiros contra a exploração

Os integrantes das entidades e do poder público municipal e estadual envolvidos no trabalho para a erradicação do trabalho infantil em Bauru se reuniram ontem, no Café com Política do JC, para a divulgação das iniciativas. Os representantes foram recepcionados pelo diretor de redação do Jornal da Cidade, João Jabbour.  Da Sebes, participaram a secretária Darlene Tendolo, a psicóloga Sarah Catarina Axcar, Marilda Bincoletto, Simone Reis Escoura de Souza,  Juliana de Melo e Silmaire Cruz Taratella. Marta de Castro Alves Corrêa, da Secretaria Municipal Educação. Liliana dos Santos da Secretaria das Administrações Regionais (Sear). Gina Sanchez  diretora  Ensino de Bauru. Henriette Scarabotto Padovani de Moraes do Cometi/Diretoria de Ensino de Bauru e Ester Tereza Senger Petroni, do Cometi/USC. Ana Maria de Micheli Benjamim e Sandra Cristina Ferreira Franco presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e da Acop. Fernanda Sorrilha membro do Conselho Tutelar 2 de Bauru.

Francisco Wagner Monteiro  da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Nilson Polinário do Sinergia/CUT e Vanderlei de Oliveira, do Sindicato dos Químicos de Bauru e Região. Fernanda Saraiva de Lima e José Antônio Félix e Silva representaram a Casa do Garoto; Fabiani Conti da Silva e Marco Antonio de Jesus, do Pequenos Obreiros de Curuçá (POC); Renata Mendes Gonçalves, da Casa da Esperança; e Rosangela Aparecida Cerigatto, da Apae Bauru. Milton Yamada do CoempregoBauru; Eliana Cardoso Alves do Cerest Bauru, e Eliana Batista de Souza Juarez do Sinsaúde e Cerest.  Pela Polícia Militar (PM) participou o tenente-coronel Nélson Garcia Filho, e o oficial de relações públicas do 4º BPM-I capitão Renato Ramos.

 

 

 

  • Serviço

  • Passeata de conscientização do Dia Mundial de Enfrentamento e Erradicação do Trabalho Infantil, hoje, às 14h no Calçadão. Denúncias de trabalho infantil em Bauru pelos telefones: 100, 3227-3339, 9651-4441 e 3234-8705.

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