Madri - A agência de classificação de riscos Moody’s cortou o rating da Espanha em três degraus ontem, de “A3” para “Baa3”, informando que o recente plano da zona do euro aprovado para ajudar os bancos do país irá aumentar o problema da sua dívida.
A Moody’s, que informou ainda que pode rebaixar o rating da Espanha futuramente, também citou o “muito limitado” acesso do governo espanhol aos mercados financeiros internacionais e a fraqueza da economia do país.
O rating está em análise para outros possíveis rebaixamentos, que podem ocorrer nos próximos três meses.
Uma porta-voz do Ministério da Economia da Espanha em Madri se recusou a comentar a decisão da agência.
Ministros das Finanças da zona do euro concordaram no sábado em emprestar à Espanha até 100 bilhões de euros para resgatar seus bancos em dificuldades, e Madri informou que especificará precisamente o valor necessário assim que auditorias independentes apresentem seus resultados em pouco mais de uma semana.
O rating da Moody’s coloca o país dois degraus acima de status “junk”. A Standard & Poor’s classifica a Espanha dois degraus acima, a “BBB+” com previsão negativa. Já a Fitch reduziu o rating da Espanha em três degraus em 7 de junho para “BBB”, um degrau acima da Moody’s, e afirmou previsão negativa para seu crédito.
Gregos estocam comida
Atenas - Na Grécia, a desconfiança quanto ao resultado das eleições de domingo tem levado a população a sacar cerca de 800 milhões de euros por dia, segundo banqueiros ouvidos pela agência Reuters.
Esse dinheiro está sendo usado para a compra de estoques de comida, especialmente macarrão e alimentos enlatados, já que as pessoas temem que o país saia da zona do euro e retorne à moeda antiga, o dracma, caso o Syriza (Coalizão da Esquerda Radical) seja eleito.
O partido Nova Democracia, liderado por Antonis Samaras, tem usado o argumento de que a eleição é uma escolha entre o euro e o dracma. Essa estratégia também vem sendo usada pelos principais líderes europeus, que chegaram a cogitar a hipótese de um referendo sobre a permanência da Grécia na zona do euro.
O Syriza, por sua vez, promete interromper as medidas de austeridade impostas à Grécia, como cortes de salários e aposentadorias.
A União Europeia e o Fundo Monetário Internacional já avisaram que o país precisa seguir cumprindo as condições do resgate, ou não receberá mais o dinheiro.