A instalação do restaurante popular Bom Prato, que oferece refeições a R$ 1,00, agora pode depender do aluguel de prédio na esquina da rua Araújo Leite com a Primeiro de Agosto, no Centro de Bauru. A informação foi confirmada ontem à noite pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).
O funcionamento do Bom Prato já teve como obstáculos a habilitação de empresa para gerenciar o programa e a escolha do local. A princípio, o governo do Estado queria levar o serviço de refeições baratas para a periferia, tendo sido apontada a sede do Caic da Vila Nova Esperança como o local adequado.
Mas a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social mudou de posição a respeito e foi, então, indicado a área de piso térreo da estação ferroviária, no Centro, como a opção. Como a ocupação de estação ainda não foi viabilizada, governos estadual e municipal discutiram, como última proposta, o aluguel de um imóvel na Araújo Leite.
“A última informação a respeito do Bom Prato é o de que vai ser necessário alugar o prédio na Araújo Leite, perto da Avenida Rodrigues Alves. A Sebes já está discutindo isso com o setor responsável junto ao governo do Estado. A Prefeitura de Bauru teria de pagar o aluguel. A reforma e instalação é por conta do Estado, assim como o financiamento da refeição a preço popular. O Estado repassa um valor e a Prefeitura completa”, cita Agostinho.
A secretária do Bem-Estar Social (Sebes), Darlene Tendolo, contou que o prédio passou por vistoria técnica. “Nós verificamos as instalações e dimensões junto com o pessoal do Estado, sob a coordenação da Maria Perroni aqui em Bauru, e foi aprovado. Agora esperamos a chegada a análise de toda documentação para preencher os requisitos legais. O Estado gostou do prédio. Esperamos resolver isso e definir a questão do aluguel. O maquinário, a adequação para cozinha industrial e a reforma estrutural o Estado vai viabilizar”, conta.
Segundo Tendolo, definido o aluguel, ainda será necessário pelo menos 90 dias para a implantação do programa, cujo cronograma já está bastante atrasado.
Os obstáculos
Anunciado para funcionar até o final do ano passado, o programa sofreu atraso inicial em razão de disputa pelo credenciamento, durante o processo de licitação. Uma empresa conseguiu no Tribunal de Contas do Estado (TCE) paralisar o processo. A administração revisou o procedimento e conseguiu habilitar um único interessado, de Bauru.
A mudança do Caic para o Centro foi feita pelo Estado. “O Estado considerou que o Bom Prato não iria atingir a demanda de 900 refeições/dia no bolsão de pobreza que circunda a região da Vila Nova Esperança. Eles contam com dados de demanda dos programas já instalados e, então, a Secretaria Estadual passou a considerar que o ideal, para uma cidade de porte médio como Bauru, seria o Bom Prato vir para a região central, onde há enorme fluxo de pessoas. Isto envolve aprovar o projeto na estação ferroviária. A Sebes está mexendo com isso”, conta Rodrigo.
Argumentos
A diretriz muda o ponto de vista sobre o objetivo do Bom Prato. Quando anunciado para Bauru, há mais de um ano, o argumento foi de que a estação ferroviária não era ideal em razão da procura “concorrer” com restaurantes do centro. Além disso, como a estação ferroviária será, segundo a prefeitura, ocupada por centenas de servidores municipais em razão da ida das secretarias de Saúde e Educação para o prédio histórico, a fila no Bom Prato seria “invadida” por este contingente.
Outro aspecto mencionado, na origem do programa, é o de que inevitavelmente centenas de comerciários que trabalham nas lojas do Calçadão da Batista de Carvalho também vão aderir ao Bom Prato. Como o acesso às refeições baratas e de qualidade é aberto, e não haveria de ser diferente, o governo estadual, em princípio, avaliou que essas vertentes da região central desfigurariam o programa, destinado em princípio às faixas mais pobres de moradores.
De outro lado, os técnicos discutem que o Bom Prato distante do centro não seria democrático. Ao contrário, serviria a um único eixo de pobreza. Em outro horizonte, a instalação da estação ferroviária “fomentaria” a ocupação de fato da área histórica interligada ao Calçadão, há anos abandonada. Agora, a alternativa apresentada é o aluguel de imóvel na rua Araújo Leite.
A habilitada
Enquanto discute a instalação, o procedimento inicial de habilitação do operador do programa está valendo. A vencedora do primeiro processo, finalizado em junho de 2011, foi a Associação de Apoio ao Esporte, Lazer e Recreação (Aelesab).
No entanto, o Instituto Nacional de Desenvolvimento e Integração Social, Cultural e Educacional (Indisce), que também se interessou pela disputa, pediu a suspensão da seleção a partir de liminar judicial obtida na Vara da Fazenda Pública.
O Indisce argumentou que o prazo de dois dias concedido na origem do procedimento beneficiaria a concorrente, a Associação de Apoio ao Esporte, Lazer e Recreação (Aelesab), que apresentou os documentos exigidos. Mas a secretária do Bem-estar, Darlene Tendolo, disse que o Indisce não apresentou a documentação necessária.
Na época, concedendo 10 dias de prazo para o novo processo de chamamento, a Aelesab voltou a sair vencedora. “A outra entidade não tinha a documentação necessária e precisamos seguir a legislação à risca. Infelizmente esses pontos atrasaram a execução do programa”, pontuou Darlene.
A escolha da entidade foi concretizada no final de setembro do ano passado e, segundo a secretária, todos os documentos referentes ao credenciamento da Aelesab foram enviados a São Paulo. O Estado entraria com R$ 280 mil para as instalações e o município, como contrapartida, destina o prédio.
Com o Bom Prato, cidadãos de baixa renda terão acesso a refeição completa na hora do almoço, pagando apenas R$ 1,00 por isso. O cardápio é balanceado com acompanhamento nutricional e conta com arroz, feijão, carne, farinha de mandioca, salada, legumes, suco, frutas e pão, totalizando, em média, 1.600 calorias.
Os restaurantes do Bom Prato servem, em média, entre 800 e 1.200 almoços, de segunda a sexta-feira, a partir das 10h30, sem horário determinado para encerramento, até que a cota diária chegue ao fim. Ainda não foram definidas, porém, quantas serão disponibilizadas para o restaurante popular de Bauru. Crianças de até seis anos de idade não pagam.
Para viabilizar o projeto, a prefeitura terá de destinar R$ 1,00 por refeição e o governo do Estado entra com R$ 2,00, mas o custo para o cidadão continuará sendo de R$ 1,00.