Tribuna do Leitor

Nem tudo está perdido


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Depois de mais de cinco anos de reclamações, telefonemas, envio de e-mails, depois de receber várias visitas de técnicos pouco competentes da autorizada para solucionar um problema com meu refrigerador, resolvi entrar no Procon contra os responsáveis. Obtive decisão parcialmente favorável no juizado especial. A sentença, porém, é dúbia, contraditória, conclui assim: "Não há possibilidade de determinar à empresa requerida que execute os serviços de que necessita o autor. Não se sabe qual o defeito existente, nem se a requerida (a "autorizada") tem condições técnicas para efetuar o reparo. Não se pode obrigá-la a fazer o impossível." Para fazer valer os meus direitos, eu teria de constituir advogado, subir nas instâncias. Cansei e desisti.

Pois bem, a gratificante surpresa e final feliz dessa longa epopeia foi que, depois de todos esses anos, encontrei um grande técnico anônimo. É conhecedor de eletrônica e mecânica, competências imprescindíveis para quem presta esse tipo de serviço. Nunca foi treinado pelo fabricante, nem pertencente ao quadro da "assistência técnica autorizada". É "apenas" uma pessoa de boa vontade, paciente, dedicado, interessado. Reflete, analisa, pensa, procura a causa do problema. Para mim, realizou um verdadeiro milagre, visto que meu refrigerador está funcionando como nunca funcionou.

Na verdade, o que eu gostaria é de publicar os nomes da empresa autorizada, dos técnicos incompetentes, do fabricante e do juiz que lavrou a mencionada sentença. No entanto, muitos consumidores lesados em seus direitos sabem de quem se trata, pois o pouco caso é generalizado e faz pensar que existe um verdadeiro conluio entre fornecedores e seus serviços de assistência técnica autorizada, inclusive visando à delimitação e defesa de "territórios" ou monopólio de mercado, onde o lucro com a venda de peças é mais importante do que o cuidado técnico necessário para reparar problemas.

Luiz Antonio Almeida Bessa

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