Brasília - Diante de 23 governadores e quatro vices, a presidente Dilma Rousseff traçou um cenário preocupante para a crise econômica internacional ao afirmar que ela tende a “se agravar” e que ainda não há luz no fim do túnel.
“A luz no fim do túnel não está acesa. Isso tudo nós devemos à zona do euro e também a não recuperação dos Estados Unidos. É isso que leva o governo a aumentar as medidas para enfrentar a crise”, disse a presidente.
Dilma chamou a atenção para a eleição de domingo na Grécia, que pode levar o país a deixar o euro.
“A crise é profunda e pode se aprofundar mais ainda com a eleição”, afirmou ela durante a reunião no Palácio do Planalto em que anunciou uma linha de crédito de R$ 20 bilhões para investimentos nos Estados.
O ministro Guido Mantega (Fazenda) falou, em tom de brincadeira e de alerta, que havia, sim, luz no fim do túnel, mas que poderia ser uma locomotiva vindo no sentido contrário por conta da posição não cooperativa de bancos e países desenvolvidos.
Preocupada com o ritmo fraco da economia brasileira, o motivo de ter anunciado o crédito extra aos Estados, Dilma afirmou também que o país não pode crescer “por soluços” e que está tomando medidas anticíclicas para garantir a retomada do crescimento, como a redução dos juros pelo Banco Central.
Ela aproveitou para citar frase do ex-ministro da Fazenda Delfim Netto a fim de tentar mostrar que o Brasil está numa posição mais favorável. “Vamos recorrer a uma frase do ministro Delfim: nós somos o último peru com farofa de Ação de Graças do mundo. Como ainda temos uma elevada taxa de juros, temos aí massa de manobra, que é a nossa ferramenta para enfrentamento dessa crise.”
A frase, segundo governadores presentes à reunião, foi vista como um recado de que o BC irá manter os cortes dos juros, hoje em 8,5% ao ano.
Financiamento de R$ 20 bi
Brasília - O governo anunciou ontem a criação de linha de crédito do BNDES de R$ 20 bilhões para investimentos dos Estados, em mais uma tentativa de reaquecer a economia.
Em quatro horas de reunião com os governadores - três não compareceram, entre eles o paulista Geraldo Alckmin (PSDB), que está nos EUA - a presidente Dilma Rousseff destacou que se trata da maior linha já destinada aos Estados pela União.
Em 2011, os governadores contrataram só R$ 3,2 bilhões em empréstimos do BNDES.