Geral

CGR investe R$ 20 mi em aterro

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Uma cena muito comum nas cidades brasileiras é ver alguém colocar o lixo dentro de sacos pretos e depositá-lo na calçada ou sobre o portão e voltar para casa, esperando que o caminhão da coleta passe para pegar o saco cheio, pesando em média, um quilo. É como se a partir daquele momento este saco cheio de lixo não fosse mais problema do cidadão. Ledo engano, para quem pensa assim: o lixo é problema de todos e da sociedade.

A produção de lixo aumentou em 2011, mais do que o número de habitantes no País. Enquanto a população cresceu 0,9% o ano passado em relação a 2010, no mesmo período a geração de lixo cresceu o dobro: 1,8%. Uma das justificativas para maior produção de resíduos é o aumento da capacidade de consumo do brasileiro.

Se a maior capacidade de consumo gera mais lixo e se quase metade do resíduo doméstico tem destino incorreto, como mostra o relatório da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe) de 2011, há algumas regiões do Estado de São Paulo que, preocupadas com o futuro, já estão desenvolvendo ações para dar ao lixo uma destinação correta. Para atender a legislação federal, saíram na frente e estão recebendo investimentos privados para a destinação correta dos resíduos.

É o caso da região de Bauru. No município de Piratininga, a poucos minutos do Centro de Bauru, está sendo construído um aterro pelo Centro de Gerenciamento de Resíduos (CGR) que terá capacidade para receber 1.000 toneladas de resíduos por dia e atender uma população de pelo menos um milhão de habitantes. Considerado por técnicos especializados como um dos mais modernos do País, respeita às normas rígidas dos órgãos ambientais.

O JC conversou com o presidente do Centro de Gerenciamento de Resíduos (CGR), Mauro Picinato, que vai comandar o aterro em Piratininga e explicou como  é o empreendimento.


JC – Qual a razão da escolha da região de Bauru para implantação de um aterro sanitário?

Mauro Picinato  - Esta região possui alguns aterros públicos com capacidade limite de operação, e com tecnologia já defasada. As populações da região certamente demandarão um local adequado para destinação de seus resíduos sólidos, já em conformidade com a nova legislação. Há opções, porém com distância que tornam custos inviáveis para municípios e empresas da região.


JC – Qual o valor do investimento para construção do aterro em Piratininga?

Picinato  - O investimento inicial foi de R$ 20 milhões. Há outros investimentos em andamento e para o futuro do empreendimento que ainda vão ocorrer. Quando se trata de destinação final de resíduos, para que se tenha qualidade e atendimento à legislação ambiental o investimento é contínuo.


JC – Esse investimento não poderia ser público? Ou seja, cada prefeitura fazer seu próprio aterro?

Picinato  - Sim, o investimento pode ser público. Entretanto, se um município for investir em um aterro sanitário ele precisará deixar de investir em outras áreas de saneamento, tão importante quanto. Além disso, o custo operacional para um aterro com menos de 500 toneladas de resíduos por dia torna-se inviável para o município.


JC– Por que este número de 500 toneladas?

Picinato  - Há diversos custos envolvidos na operação de um aterro sanitário, se considerar uma operação dentro de padrões e normas ambientais nacionais e internacionais. Em nossos empreendimentos adotamos as mais modernas práticas de operação e monitoramento. Não há riscos de contaminação de lençóis freáticos ou águas superficiais, o projeto contempla captação e tratamento dos gases. Todo monitoramento de águas e ar é feito regularmente e encaminhado à Cetesb. Estes custos são diluídos quando há um maior volume. Daí a vantagem de empreendimentos regionais, como o de Guatapará, Paulínia.  


JC– Qual a área deste empreendimento? Tem área de preservação? Tem reflorestamento?

Picinato  - A área total do empreendimento é de aproximadamente 750 mil metros quadrados. Deste total, 200 mil metros quadrados serão utilizados para reserva legal, com mata nativa preservada, reposição da mata e área de Preservação Permanente (APP).


 

Comentários

Comentários