Beirute - Observadores das Nações Unidas que estão monitorando o conflito na Síria suspenderam as operações ontem em resposta à escalada da violência, que ameaça arruinar o plano de paz acertado pelo mediador internacional Kofi Annan.
O chefe dos monitores, general Robert Mood, disse que a luta representa uma ameaça a seus observadores desarmados, que tiveram uma de suas equipes como alvo de disparos quatro dias atrás, e os impede de levar adiante seu mandato para supervisionar o cessar-fogo mediado por Annan em 12 de abril, o qual é amplamente ignorado.
“Houve intensificação da violência armada por toda a Síria nos últimos dez dias”, disse Mood em um comunicado. “A falta de vontade das partes de buscar uma transição pacífica, e o impulso na direção de posições militares estão elevando as perdas nos dois lados”, acrescentou.
Diplomatas disseram que Mood deve falar sobre a situação na Síria ao Conselho de Segurança da ONU amanhã. Esta semana o chefe das forças de paz da ONU afirmou que o país está agora no limiar de uma guerra civil aberta.
Os cinco membros do Conselho com poder de veto devem manter conversações à margem da cúpula do G20 no México, que começa amanhã e tem como objetivo romper o impasse na questão das sanções internacionais contra a Síria.
Segundo Mood, a violência impõe “riscos significativos” para os 300 membros desarmados da Missão de Supervisão da ONU na Síria (Unsmis), a qual vem operando no país desde o fim de abril.
“Nessa situação de risco elevado, a Unsmis está suspendendo suas atividades. Os observadores da ONU não vão realizar patrulhas e vão permanecer em suas bases até novas instruções”, disse Mood, acrescentando que a decisão seria reavaliada diariamente.
Na terça-feira foram disparados tiros contra um carro de observadores da ONU impedidos de entrar na cidade de Haffeh por partidários irados de Assad, que atiraram pedras e barras de metal contra seu comboio.
Três carros da ONU também foram danificados em maio quando ficaram em meio a um ataque que matou 21 civis em Khan Sheikhoun.
O Ministério de Relações Exteriores da Síria disse ter sido informado da decisão de Mood na noite de sexta-feira e afirmou compreender sua preocupação pela segurança dos monitores. O governo atribuiu os ataques a rebeldes que lutam contra forças do governo.
Desde o início do cessar-fogo os “grupos terroristas armados” - modo como o governo denomina os combatentes armados anti-Assad - aumentaram “suas atividades criminosas, que frequentemente têm como alvo observadores da ONU”, diz um comunicado do ministério divulgado pela agência oficial de notícias Sana.
Muitas centenas de pessoas, incluindo civis, rebeldes e forças do governo, foram mortas nos dois meses desde que o acordo de cessar-fogo deveria ter entrado em vigor.
Mas a violência aumentou drasticamente no último mês. Os rebeldes abandonaram o compromisso com o cessar-fogo mediado por Annan e as forças do governo vêm usando artilharia e helicópteros nos ataques aos redutos da oposição.