Polícia

Mulher é morta a facadas por aposentado

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Terminou em tragédia mais um desentendimento entre a doméstica, Aparecida Felipe Francisco Bertozzi, 51 anos, e o aposentado, José Antônio, 73 anos. Mãe de três filhos, a mulher já havia registrado queixa contra o companheiro que, insistia em agredí-la, mas acabou morta com cerca de 20 facadas no final da noite de sábado. A motivação do crime teria sido ciúmes.

Ana Paula Bertozzi, 22 anos, filha da vítima, confirma a versão. “Ele chegou a morar com ela, mas sempre foi um homem possessivo, descontrolado. Tinha ciúmes dela.”

As inúmeras brigas do casal, de acordo com a família da doméstica, tinha motivado a expulsão do aposentado dos dois cômodos onde chegaram a morar juntos, quadra dois da rua Joel José Sinhoretti, Jardim Marília.

Inconformado com a separação, Antônio não deixou de visitar a mulher e, na tarde de anteontem, esteve no local, lembra a família. “Eles brigaram e ela o expulsou daqui. Depois disso, ficamos sossegados. Só que ele estava escondido, possivelmente no quintal”, comenta a cunhada da vítima Maria José Neves Carvalho.

De acordo com ela, que mora nos cômodos da frente da casa da vítima, era por volta das 23h30 quando a doméstica começou a gritar. “Meu marido, que é irmão dela, correu lá e Antônio estava sobre ela, desferindo várias facadas. Ele defendeu a irmã, mas ela não resistiu. Andou até o portão e caiu.”

A cunhada lembra que a ambulância, o Samu e o Resgate foram chamados, porém, quando chegaram, a vítima já tinha morrido. “Ela estava muito ferida, perdendo sangue sem parar. Ela foi golpeada muitas vezes”, comentou.

A filha Ângela Maria Bertozzi, que mora a poucos metros da casa onde ocorreu o crime, frisa que foi chamada pela tia. “Minha tia começou a gritar por socorro. Eu cheguei e encontrei minha mão caída no portão, toda ensanguentada. Foi uma cena chocante. Ela já estava inconsciente.”


O feitiço contra o feiticeiro

O aposentado José Antônio pôs fim ao relacionamento conturbado entre ele e a doméstica Aparecida Berttozzi da pior maneira possível. Matou a mulher com inúmeras facadas. Mas além de pagar pelo crime junto à Justiça, sofreu um pouquinho nas mãos do ‘justiceiros’ de plantão.

Ele foi surpreendido com uma reação cada vez mais comum em comunidades mais simples: o linchamento.  Segundo a polícia, após matar a mulher, Antônio ficou escondido em um matagal nas imediações. “Num pasto.”

O agressor apanhou dos vizinhos da vítima. “Além de estar bastante machucado, ele levou uma facada na traqueia. Ele será submetido a uma cirurgia, no hospital, onde está internado e onde foi preso em flagrante. Ele não corre risco de morte”. 

Ramos enfatiza que por ele não correr risco de morte fez a prisão em flagrante no hospital. “Ele já estava com escolta. Quando ela tiver alta médica, será ouvido e encaminhado para a cadeia.”


Ameaças constantes

O homicídio no Jardim Marília engrossa os índices de violência doméstica com final infeliz. Segundo o delegado plantonista, Mário Henrique de Oliveira Ramos, o histórico do casal era de agressões e ameaças. “Ele já tinha tentado amarrá-la para colocar fogo na casa dela há um tempo, a relação deles era conturbada.”

Na tarde de sábado, de acordo com o registro feito pela polícia, o casal discutiu e a mulher o expulsou. “Ele ameaçou-a de morte e foi embora. Retornou quando todos dormiam e a matou. As facadas atingiram especialmente o tórax.”

A testemunha, irmão da vítima, segundo o delegado Ramos, tentou intervir. “Ele contou que quando ouviu os gritos da irmã, correu para ver o que estava acontecendo e surpreendeu o aposentado esfaqueando a doméstica. Ele teria se apossado de uma cadeira e com ela agredido Antônio. Momento que ele teria fugido do local levando a arma do crime,” contou.

O atendimento médico foi feito pelo Samu, confirma o delegado. “O Samu foi acionado, mas encontrou a mulher morta,” relata Ramos.  

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