O Tribunal Regional Federal da 1a Região (TRF1) considerou legais as provas obtidas pela operação Monte Carlos, da Polícia Federal, que investiga o envolvimento de Carlinhos Cachoeira com a exploração de jogos ilegais, contrariando um pedido da defesa de Cachoeira que queria a nulidade da investigação.
A decisão contrariou o voto do relator do processo no TRF1, desembargador Tourinho Neto, que havia considerado as provas obtidas pela operação ilegais e concedido habeas corpus para libertação de Cachoeira, que está preso desde fevereiro no presídio da Papuda, em Brasília. Ele continuou detido por conta de um segundo mandato de prisão contra ele.
No dia 12 de junho, Tourinho Neto alegou que a decisão da 11a vara de justiça de Goiás, que viabilizou à Polícia a instalação dos grampos telefônicos, não foi "suficientemente fundamentada". Contudo, nesta segunda, outros dois desembargadores divergiram do relator e rejeitaram o pedido da defesa de Cachoeira à Terceira Turma do TRF1.
Um deles, o desembargador Cândido Ribeiro, concordou com Neto dizendo que não é usual começar investigações com pedido de interceptações telefônicas, mas que o caso exigia excepcionalidade. "A dificuldade para o início dos trabalhos investigativos residia no fato de que a atividade de jogo de azar, inclusive com máquinas caça-níqueis, da qual derivam outros crimes mais graves, teria em sua logística de segurança a participação de um grande número de policiais do Estado de Goiás e, posteriormente, de policiais federais", argumentou.
Um dos advogados de Cachoeira, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomas Bastos, disse à Reuters que recorrerá da decisão. "Estamos analisando as informações ainda, mas recorreremos com certeza", afirmou. O recurso deve ser endereçado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
No Congresso, havia certo temor de que a investigação fosse considerada nula e a CPI mista, instalada para investigar a relação de Cachoeira com agentes públicos e privados, tivesse seus trabalhos paralisados ou que as provas obtidas pela PF não pudessem ser usadas para pedir o indiciamento de pessoas.