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Smartphones aumentam risco de lesões na mão

Tisa Moraes colaborou Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Texting tendinitis. O termo é tão novo e desconhecido que ainda nem foi traduzido para o português, mas a tendência é de que a expressão se torne cada vez mais presente na vida de usuários de smatphones. Trata-se de um tipo de inflamação nos tendões que afeta principalmente os dedos polegares, sobrecarregados pela digitação excessiva de textos nos celulares ou pelo manuseio de telas sensíveis ao toque (touch screen).

A preocupação na área médica já é tão grande que, ontem, o Instituto de Ortopedia de Traumatologia do Hospital das Clínicas, em São Paulo, lançou um alerta para o avanço do problema. Um estudo recente elaborado pelo Departamento de Cinesiologia da Universidade de Waterloo, no Canadá, demonstrou que 84% de 140 estudantes universitários entrevistados já sentiram dores nos dedos devido à utilização de aparelhos eletrônicos.

Ainda de acordo com a pesquisa, o uso do navegador de internet aumenta em 2,21 vezes as chances de desenvolver inflamações no polegar em comparação a usuários de celular sem internet. De acordo com o ortopedista Mateus Saito, do HC, para cada clique que o polegar realiza, há um movimento de extensão que, se for feito repetidamente, pode causar microlesões no tendão extensor, que inflama.

O ortopedista bauruense Ricardo José Cabello, especialista em cirurgia da mão, explica que a sobrecarga se torna ainda pior porque o usuário, geralmente, realiza estes movimentos tendo como base de apoio apenas os outros quatros dedos da mão. Por sua característica de mobilidade, dificilmente o celular é usado sobre uma mesa, uma medida que reduziria o esforço ou permitiria alternar os dedos durante o manuseio.

“E o fato de a pessoa não estar sentada adequadamente, com os braços apoiados, também aumenta as chances de surgirem dores em outras regiões do corpo, como ombro, pescoço e coluna”, comenta. E o esforço que os dedos não estavam preparados para enfrentar pode gerar inflamações que, se não forem tratadas, são capazes de levar o usuário até mesmo à mesa de cirurgia. “Vale ressaltar que a tendinite é sempre reversível. Mas, sem tratamento, o quadro pode se agravar a ponto de o procedimento cirúrgico ser a única solução”, alerta ele.

Tendência

Segundo Cabello, é cada vez maior o número de pacientes diagnosticados com lesões por conta do uso incorreto e excessivo de computadores, notebooks, tablets e celulares. Ele explica que os movimentos manuais realizados em cada um deles são semelhantes e, por isso, fica difícil identificar quando o dano é causado apenas pelo smartphone.

“Até mesmo porque as pessoas utilizam vários equipamentos ao longo do dia. Mas a tendência é de que, quanto mais estes aparelhos forem usados inadequadamente, mais frequentes sejam os casos de tendinite”, pondera.

Usuária constante de internet via celular, a autônoma Juliana Ferreira, 33 anos, já sentiu dores nos dedos em diversas ocasiões, mas acredita que ainda não seja o momento de procurar ajuda médica. Devido à exigência profissional, ela conta que checa e responde a e-mails de cinco e seis vezes por dia, além de enviar mensagens de texto (torpedos) e fazer ligações. 

“Dependo do celular o dia inteiro, para tudo no meu trabalho. Quando começo a sentir dor, tento diminuir o ritmo ou usar outros dedos da mão até melhorar um pouco”, comenta ela, que chegou a ter um princípio de lesão por esforço repetitivo (LER) no ano passado.

Para pessoas que possuem propensão a tendinites, como Juliana, o uso inapropriado dos smartphones pode provocar estragos num curto espaço de tempo. De acordo com a fisioterapeuta Viviane Harfuch Zuchieri, os primeiros sintomas podem aparecer a partir de um a três meses, dependendo também da intensidade e frequência dos movimentos repetidos.

“O tratamento deve ser feito com alongamento e fortalecimento da região afetada, sempre com acompanhamento profissional. Aquelas bolinhas (fisioterápicas, feitas em borracha) não devem ser usadas, pois podem agravar o problema”, alerta. Gelo e analgésicos ajudam a atenuar momentaneamente a dor, mas a recomendação é procurar auxílio especializado.

Tablets e netbooks também ‘afetam’ usuários

 

Diferentemente dos computadores de mesa (desktops), celulares, tablets, notebooks e netbooks permitem que os usuários acessem a internet e digitem textos nas mais variadas situações - quando estão na rua, dentro do carro, na cama ou no sofá de casa. E esta mobilidade, que por um lado é extremamente vantajosa, também tem seus malefícios.

 

Segundo a fisioterapeuta Viviane Harfuch Zuchieri, a má-postura durante o uso dos equipamentos pode causar dores não apenas nas mãos e dedos, mas também em outras partes do corpo, como ombros, pescoço, coluna e região lombar. Outro ponto negativo é que os netbooks, tablets e smatphones – bem menores do que os desktops - possuem teclados pouco ergonômicos, podendo causar dores ao usuário que tiver de fazer esforço para adequar o movimento das mãos ao tamanho reduzido.

 

É o caso do vendedor Duilio Cesar Barbosa Filho, que trabalha o dia todo conectado à internet. Há cerca de um ano e meio, ele passou a se comunicar com clientes e fornecedores via netbook e, desde então, tem sofrido com dores constantes nos tendões. “Tenho dor nos dedos, no punho e antebraço. O teclado é muito pequeno e percebo que faço um esforço maior para escrever o que preciso”, observa ele, que também utiliza o celular o dia todo para fazer ligações.

 

Como não cumpre jornada fixa dentro de uma loja ou escritório, frequentemente o vendedor chega a trabalhar até 12 horas por dia, o que ajuda a piorar o desconforto. “Tem dias que fico no computador por até 15 horas. Sempre procuro fazer alongamento e, quando a dor aumenta, uso o creme (analgésico e anti-inflamatório) que carrego na mochila. Só assim eu consigo terminar o dia”, revela.

 

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