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Sem carro, patrulha rural não anda

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Para coibir crimes como o que tirou a vida do pecuarista Luís Gonçalves da Silva (leia mais no texto ao lado), foi criada a Patrulha Rural em Bauru. A ideia é expandir o patrulhamento ostensivo e preventivo realizado pela Polícia Militar (PM) na zona rural da cidade. Ao todo, são cerca de 330 quilômetros que seriam percorridos pela viatura. Porém, é exatamente o veículo utilizado o principal problema.

É o que afirma o presidente do Sindicato Rural do Estado de São Paulo em Bauru, Maurício Lima Verde. De acordo com ele, faltam viaturas específicas para realizar o patrulhamento nessas áreas, o que prejudica em muito a atuação do Conselho de Segurança (Conseg) Rural. A própria PM confirma esta necessidade, porém, explica que estão sendo adotadas medidas para suprir a questão.

Atualmente, a PM faz a ronda nas regiões rurais com as viaturas urbanas. De acordo com o que a reportagem apurou, elas não são adequadas para este serviço. Seria preciso um veículo mais robusto, alto, com tração nas quatro rodas, suspensão adequada, GPS, entre outros itens.

Além das viaturas urbanas de cada uma das companhias, há em Bauru um veículo específico. É um Palio Weekend obtido no ano passado. O automóvel, porém, está quebrado atualmente. Um Fiat Doblô está sendo usado como substituto.


Elemento certo

Lima Verde afirma que as viaturas atuais deixaram o Conseg Rural como uma “enxada cega”. “É a mesma coisa. Quando você dá a um agricultor uma enxada ‘cega’, ele não consegue trabalhar direito. Assim nós estamos sofrendo, pois a polícia possui boa vontade, mas não tem o elemento certo”, reclama.

O comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Nelson Garcia Filho, confirma que a viatura utilizada atualmente para o patrulhamento rural não é a adequada. Porém, ressalta: “Reduzimos os índices de criminalidade na área rural. Hoje, as ocorrências são muito circunstanciais”, completa.


Quatro aniversários

Tanto a PM quanto o Sindicato Rural vivem na expectativa de conseguir as novas viaturas. A promessa, de acordo com Maurício Lima Verde, já está completando “quatro aniversários”.

“Há cerca de quatro anos estamos pedindo esta viatura. Queríamos saber o motivo de Bauru ter sido esquecida. Ano passado, foi feita uma nova promessa. Mas não existe nada até agora”, desabafa o presidente do Sindicato Rural.

O tenente Reinaldo Alves Lima, que é oficial de logística do 4º BPM-I, confirma a expectativa, porém, afirma que a dificuldade “está sendo suprimida”. Ele explica que, além de Bauru, o mesmo processo para contornar o problema é realizado na região.

“Em Pirajuí, Pederneiras e Lençóis Paulista fazemos o mesmo procedimento que aqui (Bauru) para realizar a patrulha rural. As viaturas urbanas fazem este procedimento. Mas a falta de um veículo adequado é realmente nossa dificuldade”, aponta o tenente.

No ano passado, o 4º BPM-I solicitou quatro viaturas de patrulhamento rural para atender Bauru e região. O documento está em fase de análise, ainda sem resposta.

 

Crime chocou Bauru

O corretor de gado Luciano Mota, 28 anos, foi preso na manhã do último dia 13 - conforme divulgado pelo JC - e confessou ter matado o pecuarista Luís Gonçalves da Silva, 65, conhecido como Luís Babão. O pecuarista foi encontrado sem vida em seu sítio, que fica na estrada vicinal Barra Grande/Rio Verde, próximo ao distrito de Tibiriçá, no dia 31 de maio. Ele apresentava uma lesão na parte de trás da cabeça.

O acusado disse que esteve no sítio para cobrar uma dívida do pecuarista e os dois começaram uma briga. Silva foi morto com dois golpes. Luciano usou como arma um pedaço de madeira. Ele aguarda julgamento na Cadeia de Pirajuí.

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