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Trem na linha!

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 3 min

A violência não parte apenas da mão que aperta o gatilho ou do verbo que chicoteia a alma com duras palavras. A violência surge de forma sutil, vinda dos gabinetes repletos de assessores que nada fazem e resolvem, ou mesmo das empresas que se omitem quando deveriam tomar providências urgentes para sanar graves problemas que elas mesmas originam. Aliás, a violência parte, também, da população que, em algumas ocasiões deixa de cobrar e fazer a parte que lhe cabe. Por isso afirmamos, sem dúvidas que, um dos grandes males do mundo moderno é a indiferença, seja de políticos, empresários e população. E domingo, 17/06, o Jornal da Cidade de Bauru deixou a indiferença de lado e noticiou o perigo que nós, bauruenses, corremos todos os dias em face dos problemas com as linhas férreas que cortam nossa cidade. Álvaro de Brito, responsável pela Defesa Civil, afirmou na matéria veiculado pelo JC que pode ocorrer um desastre de grandes proporções a qualquer momento se algo não for feito.

Lembro-me que há alguns anos, mais precisamente em 2007, passeava de carro com meus dois filhos, e após cruzar a ponte Ayrton Senna (aquela famosa ponte que ficou interditada por três anos e faz a ligação do Mary Dota e adjacências com o Distrito Industrial, em Bauru - SP), por poucos metros não fomos colhidos por um vagão que trafegava pelos trilhos que ali existem. Nada de sinalização, nada de avisos, mato alto e nenhuma segurança para motoristas e pedestres que transitam por aquele local aos milhares, todos os dias. Pois eis que alguns dias depois, na data de 5 junho de 2007, o acidente se consumou com Renata Ribeiro que vinha de moto direção Mary Dora - Distrito Industrial. A moça não ouviu o apito do trem e foi parar apenas quando se chocou na locomotiva. Com Renata nada de grave, apenas uma pancada no rosto, mas o susto foi grande. Alguns dias depois do acidente com Renata providências foram tomadas, o mato cortado e a sinalização arrumada. No entanto, o tempo passou, passou e eis que a situação pouco ou quase nada se modificou. Ou seja, tudo voltou a ser anormal, como era antes... Constata-se, pois, na reportagem do JC deste domingo, 17 de junho, que a indiferença para com o ser humano ainda é grande. Acidentes ocorreram, ocorrem e se nada for feito ainda ocorrerão. Mas até quando essa situação vai permanecer sem uma solução definitiva? Até quando a população bauruense vai ter de conviver com esse perigo? A vida humana não é encontrada em shopping Center para vender, por isso a indiferença, seja de quem for e venha de onde vier é inadmissível. Pede-se mais agilidade, seja de políticos, empresários ou mesmo da população para que vidas não sejam ceifadas pela indiferença. Portanto, cuidado, morador (a) bauruense, muito cuidado em cruzamentos férreos, pode ser que escondido atrás do mato da indiferença esteja uma locomotiva prestes a colocar fim em sua jornada terrestre.

O autor, Wellington Balbo, é colaborador de Opinião

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