Lins – Técnicos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) da regional Bauru vistoriaram ontem a usina de etanol em Lins (102 quilômetros de Bauru) onde, anteontem à tarde, cinco trabalhadores morreram soterrados em uma vala durante instalação de tubulação (leia mais abaixo). O órgão apontou “indícios” de falha na execução da obra e criticou o fechamento da vala pela empresa antes da fiscalização.
“Infelizmente, eles fecharam a vala antes da nossa autorização. Mas a Polícia Científica esteve lá e nós vamos solicitar o relatório deles”, explica o gerente regional do MTE em Bauru, José Eduardo Rubo. “Nós fizemos a visita e vamos continuar nossa fiscalização em Bauru na quinta-feira, às 14h”.
Ele ressalta que o parecer do órgão em relação ao eventual desrespeito às normas de segurança do trabalho depende da análise de alguns documentos. “Vamos checar toda a papelada que eles vão nos apresentar para poder avaliar o que aconteceu e fechar uma opinião sobre o ocorrido, o que é que levou ao acidente”, conta.
Preliminarmente, o gerente confirma a existência de “indícios” de falha. “O problema foi o procedimento adotado para abertura da vala. Pode ter ocorrido alguma falha em relação à segurança, em relação a seguir a norma. Deixou a norma de lado, não escorou a vala e ela desmoronou. Isso com certeza aconteceu”, declara.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o Ministério Público do Trabalho (MPT) em Bauru informou que irá instaurar procedimento para apurar eventuais responsabilidades em relação ao acidente. A documentação deverá ser distribuída a um dos quatro procuradores nos próximos dias.
Acidente
O acidente na Usina Lins, localizada na fazenda Rio Dourado, na estrada que liga Lins ao jardim Tangará, a cerca de 30 quilômetros do Centro da cidade, ocorreu por volta das 15h30 de segunda-feira, dia 18.
Um trabalhador instalava tubulação para obra de tratamento de água em uma vala com aproximadamente quatro metros de profundidade, quando o solo desmoronou, soterrando-o.
Outros oito trabalhadores tentaram resgatar o colega quando foram surpreendidos por um segundo desmoronamento de terra. Entre eles estavam funcionários da usina e de outras duas empresas terceirizadas.
Durante mais de seis horas, equipes de segurança da usina, homens do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil de Lins e funcionários da concessionária Via Rondon trabalharam no resgate das vítimas.
Leandro Alexandre do Espírito Santo e Mario André da Silva, da Usina Lins, Valdeci Aparecido de Morais e Roberto Carlos Farias Ledesma Rodrigues, de uma empresa terceirizada de Guaiçara, e Elcio Palmeira Rocha, de uma empresa terceirizada de Lins, não resistiram e morreram no local.
Os outros quatro trabalhadores – André Luiz Bolonha, Cláudio Luís de Oliveira e Renato Basílio da Silva (da Usina Lins) e Claudinei Tertuliano Lima (de uma das empresas terceirizadas) – foram resgatados com vida e encaminhados para dois hospitais de Lins.
Por meio da assessoria de imprensa, no final da tarde de ontem, a Usina Lins informou que os três primeiros já haviam sido medicados e liberados. Já Claudinei continuava internado em observação.
A empresa lamentou o ocorrido e declarou que está prestando, juntamente com as duas empresas terceirizadas, toda a assistência aos colaboradores e suas famílias. “A Usina Lins está colaborando com as investigações dos órgãos públicos e já iniciou apuração interna para determinar as causas do deslizamento de terra na obra de tratamento de água”, diz.
Os corpos das cinco vítimas fatais foram velados e enterrados em suas cidades de origem. O laudo da Polícia Científica que deverá apontar as prováveis causas do acidente deve ficar pronto em trinta dias.