Quem for ao supermercado nos próximos dias à procura de verduras, legumes e vegetais poderá sentir no bolso o aumento de aproximadamente 40% no preço da alface, couve-manteiga, batata, tomate, abobrinha, vagem, cenoura, entre outros produtos. O técnico operacional da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) de Bauru, Augusto Rêmoli Filho, explica que a chuva excessiva e a umidade acabam deteriorando os alimentos.
Para os compradores do atacado, a abobrinha, o tomate, e a vagem, por exemplo, podem ficar até 10% mais caros. Já as verduras, com demanda menor do inverno, têm repasse quase insignificante para estes comerciantes, por isso, quem sente mesmo o aumento é o consumidor final.
“Esses legumes como a abobrinha, o tomate e a vagem, ficam ‘melados’, ou seja, úmidos, e acabam estragando durante a armazenagem e o transporte e por isso a perda neste período de chuvas é grande e o preço aumenta um pouco. As verduras não têm aumento porque a demanda já é menor no período de inverno. As frutas também acabam mantendo o preço”, disse Rêmoli.
Nos supermercados, o repasse para o consumidor final pode ser de 40% a 100%, dependendo do produto. “Por exemplo, o quilo da batata está cerca de R$ 0,97 mas, se continuar chovendo, a colheita fica prejudicada e ela pode chegar a custar R$ 1,99, o quilo. É claro que isso é uma estimativa. Este aumento significativo só deve acontecer se a chuva não parar”, enfatizou Marcos Renato Lourenção, gerente de compras de uma rede de supermercados de Bauru.
Lado bom
Nas feiras, a situação não deve mudar. Moisés Bastos, presidente da Associação de Feirantes de Bauru, explica que muitos produtores já adotam o cultivo em estufas, por isso as chuvas não devem influenciar na qualidade e preço dos produtos. “O que acontecia era que o crescimento era mais demorado, mas com as estufas não há problema”.
O presidente do Sindicato Rural do Estado de São Paulo em Bauru, Maurício Lima Verde, destaca que as chuvas neste período de inverno têm seu lado bom: as pastagens secas dão lugar às verdes, o que alimenta alguns animais. “É muito bom para a pecuária de leite e corte porque diminui a entressafra, que geralmente é seca, deixando as pastagens verdes. Costumo dizer até que, neste ponto, a chuva é um presente de São Pedro”.
Chuva deve parar hoje
De acordo com informações colhidas junto ao site do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru, a probabilidade de chuva para hoje ainda é grande, mas deve melhorar ao longo do dia, conforme noticiado pelo JC na edição de ontem.
A temperatura máxima hoje pode chegar aos 26 graus e a mínima aos 16 graus. Para amanhã, os radares estimam predomínio de sol e temperatura máxima de até 25 graus e mínima de até 12 graus. No domingo a previsão é de sol e madrugada e manhã mais geladas com mínimas de até 11 graus e máxima de 26 graus no decorrer do dia.
Na manhã de ontem, a Secretaria Municipal de Obras tentou retomar alguns serviços paralisados, no entanto, a chuva acabou atrapalhando novamente. Por isso, estes trabalhos continuam temporariamente suspensos até que o clima fique estável, sem chuvas.
Estradas rurais
Basta chover um pouco para os antigos problemas com as estradas rurais de Bauru voltarem a aparecer. O presidente do Sindicato Rural do Estado de São Paulo em Bauru, Maurício Lima Verde revela que, em casos de emergência, o sindicato costuma realizar um mutirão para ajudar os moradores.
“Em casos de emergência fazemos um mutirão com maquinário de grande porte para ajudar. É um grande problema porque as vias ficam praticamente todas interditadas, as crianças não vão à escola”, criticou.
Em nota, o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, informou que Bauru possui aproximadamente 350 quilômetros de estradas rurais e que a manutenção é feita em parceria com os proprietários rurais, uma vez que a pasta tem orçamento pequeno para a manutenção das estrada.
No entanto, ainda de acordo com o informativo, os estragos só serão contabilizados, assim que as chuvas cessarem, em uma vistoria feita pelos funcionários da pasta nestas estradas com o objetivo de definir as ações emergenciais necessárias.
Bairros ainda sofrem com lama e buracos
O dia de ontem ainda foi de chuva intensa e quase incessante em Bauru, assim como anteontem. Moradores seguem contabilizando estragos como, Elisângela do Prado Pereira, moradora da Vila Independência, que teve o carro danificado após cair em um buraco localizado no cruzamento das ruas Militino Martins e Felicíssimo Antônio Pereira por volta das 18h30 de anteontem.
Através de e-mail, ela relatou que foi surpreendida pelo obstáculo grande e sem sinalização quando transitava pela via. “Meu carro caiu, ficando com a roda traseira para cima. Estourou o pneu, ficando impossibilitado de locomoção, tendo que ser locomovido por guincho até o mecânico”.
Segundo a assessoria de comunicação do Departamento de Água e Esgoto (DAE), a equipe de manutenção da autarquia esteve no local e verificou um vazamento de água não reparado que, em consequência das chuvas, pode ter ocasionado o buraco.
O registro de vazamento existe desde o dia 15 de junho e só deverá ser reparado hoje ou amanhã, dependendo de boas condições climáticas. Em nota, o DAE frisou ainda que solicitou sinalização do local à Emdurb.
Há 12 anos, a estudante Ariane Simões de Oliveira, 23 anos, mora na rua Manoel Fradique Coutinho Júnior, no Jardim Ferraz, em Bauru, e aguarda por asfalto na via. Indignada com o “rio de lama” que se formou no local nos últimos dias em decorrência das chuvas, ela procurou o JC e cobra soluções das autoridades.
“Estou há 12 anos morando no mesmo lugar, onde todos o moradores investiram em suas casas, reformaram, e hoje se deparam com um descaso ainda maior, sabemos que o asfalto não chegará tão cedo, apesar de estarmos localizados a apenas uma quadra de uma das principais avenidas da cidade”, criticou.
A Prefeitura de Bauru foi informada sobre a queixa da moradora, no entanto, segundo a Secretaria de Obras, ainda não há previsão de asfalto para a rua, mas estão sendo feitos estudos de inclusão da via na próxima licitação.