São Paulo - Policiais militares da 4.ª Companhia do 39.º Batalhão foram contaminados ontem por um clima de medo e de apreensão. A tensão surgiu após o ataque à base da PM na rua Joapitanga, em Itaquera, zona leste de São Paulo. Por volta da 1h20, quatro bandidos em um Polo Prata roubado pouco antes na rua Carolina Fonseca, também em Itaquera, passaram pela base e atiraram pelo menos 15 vezes com duas pistolas - uma 380 e outra .40, do mesmo tipo usado pela PM.
Os tiros atingiram a parede, o portão, viaturas, carros estacionados na rua e até mesmo uma casa vizinha. Dois policiais estavam na base no momento do ataque. Nenhum deles foi atingido pelos disparos.
Na tarde de ontem, os policiais da companhia já adotavam medidas de segurança para evitar ser surpreendidos novamente. Cavaletes foram colocados na frente da sede da companhia. Cones também foram postos na via para evitar a passagem de mais de um veículo por vez, além de forçar a redução da velocidade. Até mesmo uma pequena carreta para o transporte de motocicletas foi atravessada em uma calçada para evitar que desconhecidos se aproximassem do local.
Policiais ouvidos pela reportagem afirmaram que pretendiam mudar o caminho até o serviço e que evitariam se deslocar de moto, enquanto houvesse algum tipo de ameaça. Um deles afirmou que tem medo de ser atacado, mas que não chegou a comentar nada sobre o assunto entre os familiares para não aumentar o clima de tensão.
Sorte
Uma das balas disparadas pelos bandidos entrou pela janela da casa vizinha, bateu em uma parede, sobre o guarda-roupa, e se estilhaçou, caindo uma parte na cama da operadora de caixa Maria Elizamar de Araújo Oliveira, 23 anos, e a outra no berço do filho dela, um recém-nascido de apenas 11 dias.
Maria Elizamar e seu bebê não estavam em casa no momento do ataque. “Graças a Deus, eu estava na casa da minha mãe, porque meu marido trabalha até mais tarde e eu não estava me sentindo bem. Quando cheguei, logo depois dos tiros, é que vi o que tinha acontecido”, afirmou.
Além da janela, o muro da casa onde vive Maria Elizamar estava cravejado com as marcas dos tiros disparados pelos criminosos. Ela disse também que não se sente mais segura por morar ao lado de uma base da Polícia Militar e que o ataque da madrugada de sexta-feira pode fazer com que mude sua rotina de forma drástica.
“Nada a ver”
Tanto o secretário da Segurança Pública da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), Antonio Ferreira Pinto, quanto o comandante-geral da PM negam, desde anteontem, que as mortes dos PMs sejam uma retaliação do PCC.
“Nada a ver com a ação da Rota, não tem nenhuma ligação, nem há sentido de se pensar ou fazer especulação nesse sentido. São policiais em folga”, disse o secretário.
Desde anteontem, a reportagem pede entrevista com o comandante-geral da PM, mas ele não atende. Neste ano, as mortes de PMs em folga subiram 41%.