Regional

Diversidade ambiental é destaque na região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 10 min

Divulgação

Cerejeiras de Garça encantam visitantes

Preservar o planeta e a vida é a ‘bola da vez’. Para aqueles que curtem a biodiversidade, a região de Bauru é um celeiro de plantas, aves, mamíferos, insetos e microorganismos. Basta querer conhecer, e nem é preciso percorrer grandes distâncias. Parques, reservas e propriedades rurais que exploram o turismo conservam a biodiversidade para o nosso desfrute. Relaxar, aprender e preservar é a ‘nota’ dessa música que embala aqueles que sonham com um futuro onde a vida seja prioridade.


Em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), a fazenda Lageado é um ponto turístico repleto de biodiversidade. Um inventário sobre as espécies de árvores está sendo feito pela Faculdade de Ciências Agronômicas Unesp. A finalidade é cadastrar cada uma das espécies e através de um trabalho específico preservar, conservar para o bem da natureza.

Embora não esteja concluído, o trabalho de pesquisa já identificou mais de 1.500 árvores e mais de 200 espécies entre exóticas e nativas. Na visita a fazenda, o visitante ainda vai conhecer as construções que formam o patrimônio histórico cultural. Protegida por lei, a fazenda tem prédios do auge do café.


No casarão que tem mais de 100 anos está o Museu do Café, que abriga uma máquina de beneficiamento de café de 1935, restaurada. O terreiro de grãos também foi preservado, dentre outras coisas. A fazenda é também um lugar com muito verde, convidativo para caminhadas ao som de pássaros. Tem lago com marrecos.


Belezas naturais


Em Garça (70 quilômetros de Bauru), bosque, lago artificial e zoológico formam um cenário propício para aqueles que gostam de relaxar, aprender e preservar. O lago é rodeado de cerejeiras, que nessa época do ano floresce e oferece imagens deslumbrantes.


No zoológico, animais de várias espécies ocupam as jaulas identificadas para que crianças e adultos conheçam mamíferos, aves e répteis que também fazem parte do planeta.  O local é perfeito para o lazer de crianças, de qualquer idade.


No ano do centenário da Imigração Japonesa, o lago ganhou um Jardim Oriental. O local é usado para eventos abertos, o mais marcante é a festa das Cerejeiras.


Brotas dispensa comentários. Tem água em abundância, mata, pássaros e animais. Na estação ecológica de Itirapira está 1/3 das espécies de todos os pássaros conhecidos do cerrado brasileiro. Na fazenda Areia que Canta, há roteiros de observação de aves, o conhecido Birdwatching.



Serviço:

Fazenda Lageado:

Aberta de segunda a sexta-feira, das 9h às 11h e das 14h às 17h. Nos finais de semana e feriados é preciso agendar. Informações: (14) 3811-7240.

Fazenda Lageado tem mais de 1.500 árvores

A Fazenda Lageado é um brinde para aqueles que amam a natureza. Exuberância não falta. São 1.670 árvores de 237 espécies diferentes, entre exóticas e nativas. Algo que salta aos olhos. Um banco de dados está em fase de execução e, em breve, poderá fornecer informações completas sobre todas as árvores, excluindo as áreas de produção e os setores pertencentes à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia.


Onde tem árvores está garantido o canto dos pássaros e vegetação rasteira, que proporcionam um passeio inesquecível. O objetivo do banco de dados é fornecer  quantidade, quantidade, localização exata, características das espécies e sanidade das árvores. Essas informações devem otimizar as atividades de manejo, garantindo que o arvoredo tão admirado pelos visitantes esteja sempre bem cuidado.


“No Lageado, várias árvores foram plantadas ao longo do tempo, algumas dentro do contexto de projetos paisagísticos, outras aleatoriamente. Com essas informações, poderemos organizar nossas ações e cuidar melhor das árvores”, salienta a professora Renata Cristina Batista Fonseca, vice-supervisora das FEPP e orientadora do estágio.  


O trabalho é desenvolvido por alunos do curso de Engenharia Florestal da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, durante o Programa de Estágio das Fazendas de Ensino, Pesquisa e Produção (FEPP) da faculdade. “As informações coletadas pelos estagiários vão auxiliar muito o trabalho do Setor de Parques e Jardins”, explica.


O Setor de Parques e Jardins da FCA, supervisonado por José Batista da Silva, é responsável por cuidar dos gramados, das áreas remanescentes de vegetação natural, dos antigos plantios de eucaliptos e das espécies arbóreas que fazem parte do projeto paisagístico do Lageado. A equipe de seis funcionários é responsável pelos cuidados dos quase 100 hectares.


A fazenda Lageado foi dividida em setores para a realização do trabalho. Para cada um deles foi elaborado um croqui da área com o posicionamento das árvores, cada uma delas devidamente georreferenciada com a utilização de um GPS. Os alunos identificam as espécies, medem diâmetro e altura, avaliam se a árvore está sadia ou não, se há conflito com fiação e se a árvore precisa de substituição ou remoção.


Quando estiver concluído, o trabalho gerará um mapa completo com todas as árvores georreferenciadas por números e mapas menores referentes a cada setor analisado. O banco de dados, terá informações de cada espécie existente, nomes científicos, origem, porte das árvores e época de floração. Os dados estarão acessíveis ao Setor de Parques e Jardins e também para qualquer tipo de trabalho que possa vir a ser feito no Lageado envolvendo as árvores.


“Num primeiro momento, as informações darão suporte para o manejo do parque. Mas, futuramente, elas também podem servir para a orientação de visitação de pessoas que queiram conhecer as espécies nativas da região”, complemente a professora Renata Fonseca.


 Até o final do trabalho, a equipe espera georreferenciar cerca de 4 mil árvores, de mais de 50 espécies, situadas entre a portaria pricipal do Lageado e a portaria 2, que dá acesso à Rodovia Alcides Soares.

 

Julho tem poda


A professora Renata Fonseca explica que, ao checar o banco de dados, observou que muitos indivíduos georreferenciados eram arbustos. “Desta forma, como o objetivo é o manejo dos indivíduos arbóreos, ficamos com uma somatória de 1.670 árvores de 237 espécies diferentes, entre exóticas e nativas.”


O estudo ainda não concluído já está promovendo a poda. “Com base neste estudo, organizamos, em julho de 2011, a poda de galhos das árvores na parte mais urbanizada da fazenda, pensando no desenvolvimento das árvores, no conflito com fiação e na segurança. Para este ano, na mesma época, iremos concluir a poda nas demais áreas da fazenda e fazer um repasse na área anterior.”


A professora aguarda a  finalização da identificação botânica das árvores para poder analisar como está a diversidade de espécies. “Quais são as espécies predominantes, e para definirmos o que iremos plantar daqui pra frente, buscando a valorização das espécies arbóreas nativas regionais.”



Cadastramento das árvores


Para cadastrar as árvores, os pesquisadores da Faculdade de Ciências Agronômicas/Unesp/Botucatu usaram uma tabela de identificação contendo o número do indivíduo no georreferenciamento, o nome científico, a altura e a circunferência à altura do peito (CAP).


Árvores que estavam causando danos aos edifícios, em locais irregulares (muito próximas de fiação), sofrendo ataques de pragas ou que apresentavam alguma fitopatologia foram identificadas e tiveram seus problemas anotados nas tabelas para que a equipe de manutenção pudesse tomar as devidas providencias.


Para a atividade utilizou-se clinômetro para medir a altura da espécie, fita métrica para medir o CAP e aparelho de GPS para marcar as coordenadas geográficas. Para a identificação das espécies, utilizou-se do conhecimento técnico de funcionários da Fazenda juntamente com a checagem em bibliografia especializada.

 

Biodiversidade é o principal ‘produto’ de Brotas


Brotas é uma cidade turística que fica a 100 quilômetros de Bauru. Destaca-se na região por possuir uma imensa gama de ‘brindes da natureza’. Belezas naturais e acidentes geográficos atraem cada vez mais visitantes.  Cachoeiras, mata, pássaros e uma tranquilidade própria para quem gosta de descansar.


O município está localizado em uma área considerada de tensão ecológica, entre os biomas do Cerrado e da Mata Atlântica. O Cerrado paulista, que ocupava 14% do território do Estado, hoje representa apenas 0,84% e a região de Brotas ainda possui áreas remanescentes desta vegetação nativa que abrigam várias espécies de flora e fauna ameaçadas de extinção.


Nos estudos e levantamentos de fauna realizados na região, destaca-se a ocorrência do lobo-guará, espécie típica do cerrado ameaçada de extinção, além de uma riqueza de avifauna. Na Estação Ecológica de Itirapina já foram encontradas um terço das espécies de todos os pássaros conhecidas do cerrado brasileiro. Algumas Fazendas turísticas em Brotas, como a Areia que Canta, realizaram levantamentos de pássaros para trabalhar com roteiros de observação de aves (Birdwatching). É mais de 150 espécies catalogadas do cerrado paulista.


É no município que está o maior complexo astronômico e geológico da América Latina, o CEU. No local há observatório, planetário, painéis de exposição, uma réplica do Stonehenge (conjunto de pedras na planície de Salisbury, sul da Inglaterra, construído há séculos) e uma gruta cenográfica. Há ainda uma réplica de esqueleto de Alossauro, dinossauro carnívoro e carnívoro e bípede.



Unidades de conservação no território de Brotas


* Estação Ecológica de Itirapina: Possui 2300 hectares, sendo metade em Brotas. Esta unidade de conservação estadual possui as várias fisionomias do cerrado (campo limpo, campo sujo, campo cerrado, cerrado strictu sensu e cerradão).    


* Estação Ecológica de São Carlos: Apesar do nome que deverá ser alterado, esta área de 75 hectares está totalmente situada em Brotas. Possui remanescente de vegetação da floresta estacional.


* Área de Proteção Ambiental (APA) Corumbataí: Possui 272.692 hectares no total, abrange quase um quarto do território de Brotas. Nesta área, situam-se os principais atrativos turísticos do município: serra, cachoeiras, corredeiras, vegetação nativa que se concentra ao longo dos rios (mata ciliar) e nas encostas.


* Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN): De propriedade da International Paper, a Floresta das Águas Perenes  possui 793 hectares, sendo criada para preservar uma bacia hidrográfica estratégica em recursos hídricos.

Garça tem zoológico, mata e lago

Uma gama de espécies de árvores com ênfase na Cerejeira, 17 espécies de animais e um lago artificial formam um cenário propício para os amantes da biodiversidade em Garça (70 quilômetros de Bauru).


O zoológico de Garça tem 17 espécies de animais, entre aves, mamíferos e répteis, todos identificados que juntos somam aproximadamente 100, o suficiente para fazer a alegria dos visitantes. Embora não abrigue animais raros e em extinção, o zoo é um local bom de se divertir com a família, explica a bióloga Érika Bicalho Buchignani.


“Tem uma área estruturada com mesas e bebedouros para que as pessoas possam fazer piquenique ou uma refeição. Não tem lanchonete. A primeira documentação do Zoo é do Ibama e data de 1989.”


O zoológico fica dentro do bosque, uma área de mata preservada, explica a bióloga.


“O bosque é uma área de mata preservada, são 97113 mil metros quadrados. A mata é Atlântica de Interior. Existe antes do zoológico.”


Para o visitante mais preparado, há uma trilha asfaltada própria para caminhada. “Pelo bosque se chega ao Zoo. Dentro do bosque tem ainda um centro de educação ambiental onde é desenvolvido um programa de educação ambiental.”


Alunos do 3º ano de todas as escolas tem uma agenda verde, explica a bióloga. ”A agenda verde estuda a fauna e flora, fazemos um passeio para que as crianças conheçam a mata. Depois, vamos ao zoológico para que elas conheçam os animais. No 4º ano, os estudantes frequentam o centro de educação ambiental para obterem informações sobre poluição e lixo. A sala é toda ambientada com painéis para que as atividades desenvolvidas ganhem mais expressão junto ao público alvo.”




Um lago para resolver a erosão


Um lago com pedalinho rodeado de um bosque que contém um zoológico, cenário propício para quem curte a natureza e não quer viajar longas distâncias. O lago J.K. William é uma obra que teve início na década de 70. Foi construído para conter uma erosão. “Foi na administração de Pedro Valentim Fernandes que foi construída a barragem que faz parte da rua Alberto Alves, antiga rua Campinas. A inauguração foi em 1980. Na oportunidade, foram plantadas 500 mudas de cerejeiras que hoje, proporcionam uma vista inigualável na época de sua florada”, frisa o diretor do museu, João Rodolfo Brizola Julião.


Em 2008, em homenagem ao centenário da Imigração Japonesa, foi inaugurado um jardim oriental, um dos principais pontos turísticos da cidade, hoje. “O lago recebeu o nome de J.K. William porque o proprietário daquelas terras era o professor Jennings Kendrick William.“


Do lado do lago, lembra o diretor do museu, há a chamada segunda mata, que é do bosque. “Fica atrás do lago. Faz parte da mata Atlântica. Era uma reserva da floresta da Fazenda União e forma o fragmento florestal. É um espaço turístico, os jovens se encontram ali e famílias inteiras passeiam pelo local.”


 

Serviços:

O zoológico funciona de terça a domingo, das 8h às 16h30.

 

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