Campinas - De segunda a quinta, o estudante de engenharia química Reginaldo da Silva, 20 anos, corre para pegar uma das bicicletas amarelas que ficam embaixo de uma marquise da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Sem o equipamento, o trajeto de Reginaldo até outro edifício do campus, onde tem aulas no período da tarde, leva 15 minutos. Com a bicicleta, são menos de cinco.
O empréstimo de bicicletas começa a se disseminar por universidades brasileiras.
A maioria das iniciativas surgiu dos estudantes. Em Campinas, são eles que assumirão a nova etapa do projeto, que funciona há um ano em fase experimental.
Nove alunos vão desenvolver um sistema de engate dos equipamentos e um controle automático de identificação dos usuários por meio do reconhecimento do chip no cartão universitário.
Em seguida, devem projetar a própria bicicleta - a ideia é passar de dez para 150 até o fim do ano que vem. “Queremos diminuir o peso e usar um material mais sustentável”, diz Tiago Henrique Sossai, 23, aluno do curso de engenharia mecânica.
A universidade liberou R$ 50 mil
para os protótipos, que contam como trabalho de iniciação científica.
“Queremos fazer também um aplicativo que permita saber, pelo celular, qual o número de bicicletas disponíveis em cada ponto e qual deles está mais perto”, diz o estudante Sylvio Cardoso, 21 anos.
Atualmente, só há um ponto parar retirar e devolver as bikes, uma das principais queixas dos alunos - a outra é a necessidade de manutenção, o que reduz o número de bicicletas disponíveis para os interessados.
Na Furg, em Rio Grande (RS), alunos têm 50 bicicletas para usar por uma hora. Segundo a pró-reitora de assuntos estudantis, Darlene Pereira, a ideia é dobrar o número de bikes e aumentar os pontos no segundo semestre.
As bicicletas também devem voltar a circular na UnB, em Brasília. Lá, o equipamento, que era doado, ficava em vários pontos da universidade -era só passar e pegar. Mas o projeto derrapou por causa do vandalismo.
Reforço na USP
O sistema de empréstimo de bicicletas da USP vai ganhar cerca de 250 bicicletas e outras 24 estações.
Estudo realizado por engenheiros da Poli mostra que esse seria o número ideal para atender alunos, professores e funcionários da Cidade Universitária - que, juntos, somam quase 63 mil pessoas.
Atualmente, são 16 bikes e dois locais de empréstimo e devolução - um na estação Butantã do metrô e outro no portão 1 do câmpus.
A instituição está finalizando o edital para a contratação da empresa responsável pela implantação das estações.
Segundo Claudio Tervydis, responsável pela implantação do PedalUSP, a estimativa é que, após a escolha da empresa, a expansão seja finalizada em três meses.
A proposta da USP é que as estações possam ser transferidas caso a grande procura em determinado local não se confirme. Em cada ponto, haverá dez bikes e 16 baias para estacionamento.
Atualmente, o PedalUSP tem cerca de 2.500 pessoas cadastradas, a maioria alunos. A procura pelas bicicletas, porém, anda em baixa -principalmente depois que os ônibus circulares dentro do campus passaram a ir até o metrô Butantã.