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Mulher acusa atrasos de ambulância

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Moradora de Bauru, Neide da Silva tem 50 anos e pesa 178 quilos. Há cerca de um ano, passou a ser atendida por uma equipe multidisciplinar do Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, para perder peso, requisito necessário para que possa se submeter a uma cirurgia de redução de estômago.

Mas o tratamento, segundo ela, tem sido prejudicado por sucessivas falhas no serviço de transporte oferecido pela prefeitura de Bauru. De acordo com a paciente, não são raras as vezes em que a ambulância atrasa para levá-la até Jaú ou simplesmente não aparece nos dias agendados.

“E tem dias em que eles vêm me buscar quando não tenho que ir no Amaral Carvalho. Quando comecei a fazer o tratamento, há um ano, até que eles vinham me pegar em casa certinho. Mas, agora, esses problemas de atraso e de não vir estão acontecendo direto”, reclama. A Secretaria Municipal de Saúde rejeita a versão apresentada pela paciente.

A última vez que a falha teria ocorrido, conforme afirma Neide, teria sido na semana passada, quando a ambulância teria chegado com duas horas de atraso em Jaú. A demora teria feito com que a mulher perdesse a consulta, o que já teria ocorrido outras vezes, segundo ela.

“Fico faltando no atendimento e tenho medo deles (o hospital) me excluírem do tratamento, porque tem muita gente que precisa. Se não estou indo, eles podem entender que não estou interessada. Mas não posso perder a vaga. Preciso muito dessa cirurgia”, lamenta.

Neide deveria viajar, em média, duas vezes por semana para ser atendida por uma equipe multidisciplinar, que inclui psiquiatra, psicólogo, nutricionista e endocrinologista, além de participar de reuniões de grupo com outros pacientes obesos. Sem o devido acompanhamento, ela acredita que irá demorar mais tempo do que o necessário para conseguir emagrecer os 19 quilos necessários para poder se submeter à redução de estômago.

“Eu tomo remédio para comer menos, que o próprio hospital dá. Mas sou muito nervosa e acabo descontando na comida. E essa situação toda acaba ajudando a piorar tudo”, revela.

Saúde comprometida

Neide começou a engordar há 19 anos, quando teve o último filho. Na época, ela pesava 80 quilos. Dez anos depois, em 2003, já pesava 140 quilos. Hoje, com 178 quilos, ela mal consegue andar.

A perna direita, com a circulação sanguínea extremamente comprometida por conta da sobrecarga de peso, também precisará de cirurgia para ser recuperada. “Sinto muita dor e dificuldade para apoiar o pé direito no chão. Fora isso, tenho falta de ar quando faço qualquer esforço”, revela ela, que já há alguns anos não consegue mais sair da residência onde mora, no Parque Santa Edwirges. “Só saio para fazer o tratamento. Para fazer compras, pagar contas, preciso da ajuda das minhas filhas ou dos vizinhos”, afirma.

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