Política

Jogo de ?empurra? no Instituto da Mama

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Os reflexos nos atendimentos ocasionados pela crise na Associação Hospitalar de Bauru (AHB) chegaram ao Instituto da Mama, unidade anexa ao prédio da Maternidade Santa Isabel, que realiza atendimentos clínicos, mamografias, ultrassom de mamas e cirurgias em pacientes com câncer. O serviço não está sendo prestado e a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) é concentrada no Hospital Estadual de Bauru (HEB). Por trás disso, um jogo de empurra que agrava ainda mais a situação. O assunto foi alvo de questionamentos de vereadores na sessão legislativa de ontem.

Gestora do instituto, a AHB alega que a responsabilidade sobre ele, assim como a da maternidade, deveria ter sido assumida pela Fundação para o Desenvolvimento Médica Hospitalar (Famesp). A informação foi dada, recentemente, pela interventora Telma de Freitas e o posicionamento fora confirmado pela assessoria de imprensa da associação.

Por outro lado, Pasqual Barretti, presidente da Famesp, negou vínculo com a unidade. “Não houve qualquer discussão a respeito disso e sequer sei quem é responsável pela gestão do instituto”, afirmou.

Questionada pela reportagem, a Secretaria do Estado de Saúde não se posicionou de forma efetiva diante da situação. A assessoria de imprensa informou apenas que o órgão desconhece qualquer tipo de problema com o funcionamento da unidade, ao qual atribui a responsabilidade à AHB.

A informação de médicos que atuavam no Instituto da Mama é de que a unidade está sem prestar atendimentos há cerca de um mês. Nem mesmo eles, porém, têm informações sobre o que motivou, de fato, a interrupção dos serviços nem quando eles deverão ser retomados.

Um dos médicos relata que a equipe interventora da AHB sequer comunicou o fim dos serviços. “Cheguei um dia para trabalhar e a secretária da unidade me disse que todos os prontuários de atendimentos haviam sido levados para o Hospital de Base. Eles não se dignaram nem a conversar com a gente”, relatou ele, que prefere não se identificar.

Vale lembrar que os médicos que atuam no Instituto da Mama não possuem vínculo trabalhista com AHB, pois recebem de acordo com as fichas de atendimento.

Recentemente, a assessoria de imprensa da AHB foi questionada a respeito da transferência dos prontuários do instituto para o Hospital de Base, mas não deu qualquer retorno. O órgão, porém, negou que a interrupção dos serviços tenha sido provocada por falta de equipamentos.

 

Vereadores X Famesp

Na Câmara Municipal, a paralisação dos atendimentos do Instituto da Mama foi repercutida pelos vereadores. Chiara Ranieri (DEM) afirmou que alguma falha deve ter ocorrido no processo de transferência da Maternidade, pois acredita que a Famesp deveria assumir os serviços da unidade.

Roque Ferreira (PT) classificou o caso como uma ‘patifaria’ e acusou a Famesp de promover uma ‘assepsia’ para executar serviços que dão menos trabalho e maior retorno financeiro.

Já Fabiano Mariano (PDT) alegou que só está acontecendo o que era previsto, quando diziam que a maternidade se tornaria um novo Hospital Estadual, de ‘portas fechadas’ para a população. “[Na última sexta-feira] Fomos informados que a maternidade negou a internação de uma gestante, que estava nos corredores do Pronto-Socorro Central”, pontuou.

 

Enquanto isso, pacientes esperam...

A interrupção dos atendimentos no Instituto da Mama apenas reforçam um problema que já existia.  Concentrados apenas no Hospital Estadual, os serviços de prevenção e combate ao câncer de mama devem gerar esperas ainda maiores na fila. Reportagem publicada há mais de um ano pelo Jornal da Cidade mostrou que 1.700 mulheres esperavam por mamografia, já com encaminhamentos médicos.

O Departamento Regional de Saúde de Bauru informa que, somente nos últimos três meses, os hospitais de Base e Estadual de Bauru realizaram 1.712 procedimentos de mamografia.

Representante do grupo Amigas do Peito, Iracilde Clara Vasconcelos afirma que a associação está procurando meios de mobilização. “Trata-se de um serviço de extrema importância que, ao invés de ser ampliado, está diminuindo na cidade”.

Segundo ela, além de mamografias, as punções em mulheres com nódulos detectados estavam demorando mais tempo para serem realizados do que os 60 dias indicados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Uma paciente que prefere não se identificar relatou que aguarda o procedimento desde março. “É muito preocupante porque tenho histórico com a minha mãe, que teve câncer no final do ano passado”, lamenta.

 

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