Brasília - Revisor do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Ricardo Lewandowski liberou ontem os autos do caso, o que permitirá o início do julgamento em 2 de agosto, um dia após o prazo inicialmente previsto (veja quadro).
Lewandowski havia afirmado que poderia finalizar seu voto-revisor até sexta-feira, mas foi alvo de pressão capitaneada pelo presidente da corte, Carlos Ayres Britto, que fez advertência por escrito sobre o risco de adiamento do processo.
Em uma demonstração de insatisfação com a cobrança, Lewandowski disse ontem que foi a revisão “mais curta da história do Supremo”. “A média para um réu é de seis meses (são 38 réus no mensalão). Eu fiz das tripas coração para respeitar o que foi estabelecido.”
A função do Lewandowski é o de revisar o processo e compará-lo com o relatório inicial de Joaquim Barbosa, fazendo sugestões. Depois, elaborar o seu voto e anunciar que o julgamento pode ser marcado.
Na prática, ele pode modificar e até refazer o voto até o dia do julgamento - ou depois de ele começado.
Revelado em 2005 pelo deputado Roberto Jefferson, o mensalão é descrito pela Procuradoria-Geral da República como a compra de apoio parlamentar por meio de desvio de recursos públicos.
O caso levou ao banco dos réus o ex-ministro José Dirceu e vários dirigentes partidários, incluindo toda a então cúpula do PT.