Um pedreiro de 45 anos foi preso em flagrante, ontem, enquadrado pela Lei Maria da Penha, sob acusação de quebrar o maxilar de sua companheira, uma faxineira de 47 anos. A vítima - cujo nome não será revelado para evitar constrangimentos - sofreu múltiplas fraturas na face e precisou ser submetida à cirurgia no Hospital de Base de Bauru.
Apontado como agressor, Valdeci Rosa foi detido quando chegou à unidade para visitar a mulher. Ele afirma não se lembrar da agressão.
Segundo relato de familiares, a discussão teria começado por volta das 16h de quinta-feira porque o homem não estava trabalhando e teria ficado em casa durante todo o dia assistindo à televisão. A vítima teria pedido para que o pedreiro desligasse o aparelho - já que ela seria responsável por pagar, sozinha, a conta de energia elétrica da casa - mas ele não teria dado ouvidos.
A mulher insistiu e, irritado, o homem se levantou e desferiu um único soco contra sua face. O rosto da faxineira teria sido fraturado em pelo menos três pontos e ficado desfigurado, conforme relato dos filhos dela, de 26 e 12 anos.
Eles também contaram que o casal brigava constantemente desde que iniciaram o relacionamento, há quatro anos, mas que esta teria sido a primeira vez que Rosa agrediu fisicamente a mulher. Durante a briga, ele teria, ainda, ameaçado matar a companheira e a enteada, de 12 anos, com uma faca.
Depois de quebrar os ossos da própria companheira, o pedreiro ainda a levou, de ônibus, até o Pronto-Socorro Central (PSC), onde a vítima foi atendida por volta das 18h30. No entanto, com medo de que a ameaça de morte fosse cumprida, a mulher informou à equipe médica que havia sofrido um acidente de motocicleta.
Medo
Ela foi submetida à cirurgia durante a madrugada e apenas na manhã de ontem, depois de receber a visita do filho mais velho, foi convencida a revelar que seu maxilar havia sido fraturado pela violência do companheiro. “Ela estava com medo, mas acabou abrindo o jogo. Conversei com ela e disse que, se ela deixasse isso de lado, ia acabar morrendo nas mãos dele”, revela o filho de 26 anos.
Por volta das 10h30, a Polícia Militar (PM) foi acionada e, enquanto colhia o depoimento da vítima, prendeu o agressor, que, desavisado, foi até a unidade médica para visitar a faxineira.
Em entrevista concedida ao JC, Rosa afirmou que havia ingerido o equivalente a três garrafas de cerveja antes da briga e disse não se recordar da agressão.
“A gente discutiu porque ela estava com ciúme, achando que eu tinha outra mulher. Discussão é normal, mas eu não sei o que aconteceu, não vi nada. Só levei até o hospital”, justifica-se.
Encaminhado para o Plantão Permanente da Polícia Civil, o pedreiro foi enquadrado na Lei Maria da Penha e teve a prisão em flagrante decretada. Ainda ontem, ele deveria ser encaminhado a uma das unidades prisionais da região.
Até o fechamento desta edição, a vítima permanecia internada no HB e aguardava vaga para ser transferida ao Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP), o Centrinho, onde uma nova cirurgia deveria ser realizada para a reconstrução de seu rosto.