Um estudo feito pela Fundação Seade revela que grande parte das cidades da região de Bauru tem renda per capita domiciliar maior que o salário mínimo vigente. E a presença de grandes empresas no município não é sinônimo de renda per capita domiciliar maior.
Agudos por exemplo, é uma das maiores arrecadações tributárias da região. No entanto, a renda per capita domiciliar é uma das menores, R$ 691,00 contra R$ 721,00 de Arealva, R$ 848,00 de Lençóis Paulista (foto) e R$ 1.124,00 de Botucatu.
O economista e professor Reinaldo Cafeo diz que é preciso que se esclareçam as diferenças entre a renda per capita por município da renda per capita domiciliar.
“A renda per capita do município é a geração de riqueza dividida pelo número de habitantes. A renda per capita domiciliar é a riqueza do município dividida pelo número de pessoas que vivem em cada um dos domicílios”.
Analisando os dados, Cafeo comenta que não necessariamente a cidade que arrecada mais tem maior renda per capita domiciliar.
“Em Agudos, o número de pessoas em cada domicílio é maior se compararmos com outro município, sinônimo de que as famílias são maiores”.
Ele ressalta que o per capita domiciliar não é o melhor parâmetro.
“O melhor é o PIB per capita, que é a geração de riqueza do município dividida pelo número de habitantes, mas o IBGE não disponibilizou esses dados ainda. A Fundação Seade está pegando dados disponíveis e trabalhando”.
E acrescenta: “É muito interessante o trabalho. Interpretando dá para traçar um perfil da pobreza, do desaparecimento de classe média, número de domicílios que tem uma renda até cinco salários etc.”
A concentração
Na opinião do economista, os prefeitos têm que apostar na geração de riqueza mesmo que a população cresça. “Importante destacar o que o per capita indica: se a geração de riqueza cresceu de um ano sobre o outro, se está melhorando a qualidade de vida das pessoas do ponto de vista de renda.”
Ele frisa que a concentração de renda impede que a análise seja mais precisa.
“Pode ser que um ganhe R$ 100 mil e o outro nada. Na média, vai ser R$ 50 mil para cada um. Tem que tomar cuidado com a per capita porque ela pode apresentar distorções. Se um tem quatro carros e outro nenhum, na média cada um vai ter dois, mas na verdade, um está com quatro e outro com nenhum.”
Para melhorar a renda per capita domiciliar não há fórmula pronta, na opinião do economista, mas os prefeitos podem tentar algumas alternativas, como Agudos vem fazendo.
“Eles tentam atrair investidores. Lançaram um empreendimento imobiliário residencial, um condomínio fechado para atrair moradores para a cidade. Os executivos de grandes empresas poderão construir lá.”
Outro item que ajuda no aumento da renda per capita domiciliar é atrair empresas que empreguem de 40 a 100 funcionários. “Esse tipo de funcionário passa a morar na cidade, gera riqueza e gasta na cidade.”