Polícia

Homem esfaqueia 6 colegas de trabalho

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Imagine estar trabalhando normalmente quando, próximo ao fim do expediente, um de seus colegas de trabalho ataca você e demais companheiros com uma faca. Foi este o drama que seis funcionários de uma empresa de pré-moldados em Bauru viveram ontem. Após atingir as vítimas, Erisvaldo José dos Santos, 28 anos, ainda tentou se enforcar com o próprio uniforme. Contido pelos trabalhadores, ele foi preso em flagrante pela Polícia Militar (PM).

O fato aconteceu ontem por volta das 17h na empresa TLMix localizada no fim da avenida Nações Unidas Norte, na rotatória de acesso ao Distrito Industrial III. Lá, o carpinteiro trabalhava aparentemente de forma tranquila.

Segundo os funcionários, ele somente se queixou de uma forte dor de cabeça durante a tarde. “Ele não mostrou nada. Nem brigou ou discutiu com ninguém. Foi do nada”, relata um dos colegas de trabalho, que pediu para ter a identidade preservada.


Surto?

De repente, Erisvaldo teria pego uma pequena faca de cozinha, utilizada para apontar os lápis usados nas obras, e começado a atacar os colegas de trabalho. “O soldador estava trabalhando desprevenido. Foi quando ele foi esfaqueado pelas costas”, conta uma das testemunhas.

De acordo com o apurado pela reportagem, a maioria das vítimas foi pega de surpresa. Com isso, vários dos ferimentos foram nas costas. Após esfaquear seis colegas de trabalho, o carpinteiro saiu correndo e pulou o muro da empresa.

Em um matagal, Erisvaldo Santos amarrou o próprio uniforme em uma árvore e, de acordo com funcionários, tentou se suicidar. O nó que ele deu no vestuário, entretanto, teria cedido e ele caiu.

Segundo testemunhas, ao perceberem a gravidade do ocorrido, um grupo de trabalhadores se revoltou e chegou a ameaçar o agressor. 

Bastante assustados, os funcionários disseram que o Erisvaldo sempre aparentou ser uma pessoa tranquila (leia mais abaixo).

A PM foi acionada e, quando policiais da Base Norte chegaram ao local, o carpinteiro já havia sido contido pelos colegas. Ele foi preso em flagrante. Quando a reportagem chegou ao local, policiais ainda tentavam conversar com o agressor. Erisvaldo, porém, não respondia às perguntas e se limitou a dizer que “tomava remédios fortes”.

Várias ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram até a empresa socorrer as vítimas. Todos foram levados ao Pronto-Socorro Central (PSC). Até o fechamento desta edição, dois ainda estavam internados.

 

Tranquilo e quieto

Na empresa onde ocorreu o ataque de fúria, e no hospital onde as vítimas estavam sendo atendidas, o clima era de incredulidade por parte de quem conhecia Erisvaldo José dos Santos. Vindo do Nordeste há poucos meses, o carpinteiro é descrito como um homem tranquilo e bastante quieto.

“Ele era muito calado. Não falava com ninguém. Nem o nome dele nós sabíamos direito”, conta um dos homens, que, inclusive, morava no mesmo alojamento que ele. Ele também pediu para ter a identidade preservada.

Em relação à alegação de que tomava “fortes remédios”, os amigos disseram desconhecer o fato. “Ele apenas gostava bastante de uma cachacinha”.

Alguns outros colegas de trabalho relataram que Erisvaldo estava com problemas financeiros. Há alguns dias, ele teria recebido várias ligações sobre uma pessoa que abriu uma firma com seu nome em sua cidade natal.

 

Os feridos

Até o fechamento desta edição, duas das vítimas ainda estavam internadas no Pronto-Socorro Central (PSC). Antônio Vieira da Silva, 34 anos, que foi atingido pelas costas, passava por uma cirurgia exploratória. O outro que não havia sido liberado pelos médicos era Emerson Luiz da Silva, 47, que estava com a suspeita de uma perfuração no pulmão.

Já os outros feridos foram medicados e liberados ainda ontem. São eles Hélio Osvaldo da Silva, 48 anos; Edson Soares Batista, 22; Antônio Auriene da Silva Alves, 32; e Benedito Rosa Ribeiro, 53 anos.

 

Truco?

O motivo do ataque de fúria ainda é um mistério. Muitos consideram um surto psicótico sem explicação. Porém, ao delegado plantonista Mário Henrique Ramos, Erisvaldo Santos teria confessado que teve um desentendimento com as vítimas durante um churrasco no fim de semana por conta de uma partida de truco. As vítimas ouvidas, entretanto, negam ter havido esta confusão.

“Todas as vítimas serão ouvidas oficialmente e as versões de todos serão apurada”, afirma o delegado. Além dos golpes de faca, um dos feridos tomou uma paulada na cabeça. O golpe foi tão forte que chegou a rachar o capacete de proteção.

“Esta vítima disse que o agressor falava a todo o momento que iria matá-la. Além disso, um dos feridos passou por uma cirurgia, o que já é um procedimento de risco de morte. Então, o caso foi registrado como tentativa de homicídio para todas as vítimas”, completa Mário Ramos.

Erisvaldo Santos foi preso em flagrante e hoje seria conduzido ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.

 

Vítima narra momentos de terror

No banco de espera externo do Pronto-Socorro de Bauru (PSC), familiares estavam apreensivos para saber o estado das vítimas. Entre eles, estava o primeiro ferido que foi medicado e liberado.

Com um pedaço do uniforme rasgado, o carpinteiro Hélio Osvaldo da Silva, de 48 anos, tentou explicar para reportagem como tudo aconteceu enquanto esperava notícias dos companheiros que passavam por atendimento. Em choque, o morador de Bauru mostrou para a reportagem do JC o corte que sofreu na perna direita. Ele levou quatro pontos e foi liberado em seguida.

Segundo o funcionário, era um dia de expediente normal quando, “do nada”, começou a confusão. “A gente estava trabalhando quando ele saiu correndo e dando facada em todo mundo. Foi horrível”, afirmou Hélio. “Não o conhecia direito, sei que ele é do Nordeste e trabalhava com a gente a cerca de um mês”, acrescentou o carpinteiro.

Na espera do hospital, a reportagem tentou conversar com representantes da empresa, porém, sem autorização, eles não puderam falar. 

 

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