Há 80 anos jovens paulistas lutaram para a derrubada do governo provisório de Getúlio Vargas e para a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil. O maior movimento da história paulista caiu no esquecimento e pouca gente sabe o motivo de um feriado no dia 09 de julho.
Em Bauru, a lavagem do monumento dos heróis de 1932 contou com uma presença pequena de participantes e foi a única comemoração a data.
A lavagem foi feita pelo 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior, como um ato simbólico para reverenciar os homens que tombaram pela redemocratização do País.
“Entendemos que muitas pessoas não sabem o significado da Revolução de 9 julho. Muitos nem sabem a razão do monumento que já ocupou a praça de mesmo nome, em frente à ITE, e a sede do 4º Batalhão, hoje CPI 4 da PM. Eu penso que esse monumento deveria ficar em um local de grande visitação pública. Hoje,ocupa um espaço do lado externo do Cemitério da Saudade”, comentou o tenente-coronel Nelson Garcia Filho. Ele frisa que a data é a mais importante para o Estado de São Paulo. “Foram 30 mil pessoas engajadas nessa verdadeira guerra que durou de julho até outubro de 32. O objetivo era a constituição de São Paulo que havia sido deixada de lado pelo governo de Getúlio Vargas, um centralizador. Os paulistas venceram no aspecto da pretensão. Em 1933 houve uma assembleia nacional constituinte e em 34, nova constituição para o Brasil. O objetivo principal foi conseguido, embora com a vida de muitas pessoas.”
Civis na guerra
Garcia Filho diz que os paulistas não podem esquecer que muitas empresas pararam produção para fazer apetrechos militares.
“Munição, armamento, farda, capacete. Os civis entraram na guerra. A sociedade paulista toda esteve envolvida. Era São Paulo contra o governo central. Contamos com o apoio só do Mato Grosso. Nas manifestações, inclusive estudantis, quatro jovens foram feridos; Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Mais recentemente, somamos um que foi ferido e morreu após 30 dias: Alvarenga.”
De onde veio
Para o tenente-coronel, a sociedade contemporânea não cultiva sua história. “E não sabe para onde vai. Porque você só sabe para onde vai quando sabe de onde veio. É importante que as pessoas saibam a história e valorizem a história”.
“Em Bauru tivemos vários jovens que lutaram e que foram feridos. Hoje, eles são nome de ruas. Eu acredito que as pessoas estão esquecendo a simbologia das datas importantes. Enxergar a data apenas como feriado propício à confraternização.”
No contexto histórico, o comandante ressaltou a importância do 4º Batalhão de Caçadores.
“Ele era em São Paulo, de 1901 até 1927. Na Revolução de 24 ele fazia a defesa de São Paulo, no palácio do governo. Foi o único batalhão que não invadido pela revolução tenentista. Veio para Bauru em 1927. Na Revolução de 32 o 4º BPMI passou a chamar 9º Batalhão de Caçadores. Foi praticamente instinto, porque todos os seus membros se esvaíram. Após alguns anos, voltou a ser rearticulado e recebeu, enfim, a denominação anterior, 4º Batalhão de Caçadores.”
Como nos velhos tempos
Wagner Gomes França foi assistir a lavagem do monumento na manhã de ontem e lamentou a falta de público e de cuidados com o monumento. “Ninguém mais dá importância para 09 de julho. No ano passado morreu o último combatente bauruense e eu espero que as festividades continuem porque precisamos cultivar a história”
O pai de Wagner participou da Revolução de 32 e morreu há mais de 30 anos. “Eu era criança e acompanhava meu pai nas comemorações de 09 de julho. Ele morreu e eu continuei a participar. Fico no meu canto assistindo. Para mim é como se ele ainda estivesse junto.”
Na opinião dele, todos os anos deveriam fazer festividades na data. “Que retornem as festividades no quartel e que todos saibam sobre a revolução de 32. É importante que os paulistas saibam que jovens estudantes lutaram na busca da liberdade.”