Brasília - A economia fraca e a inflação menor levaram o Banco Central a reduzir novamente o juro básico. No oitavo corte seguido, a Selic caiu 0,5 ponto percentual, para 8% ao ano (veja quadro), novo mínimo histórico da principal referência dos empréstimos. Entre economistas, prevalece o consenso de que a taxa cairá mais uma vez em agosto. Há, porém, divergência sobre os passos seguintes. Para uma parcela ainda minoritária do mercado financeiro, as vendas fracas no varejo reforçam a aposta que o movimento pode continuar até outubro.
Em nota, o BC explicou a que a decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) foi respaldada pela avaliação de que “neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação”. “Até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária”, cita o documento divulgado após o encontro. O texto é idêntico ao divulgado após a decisão de 30 de maio.
Se no início de 2012 a expectativa do mercado era que a Selic encerraria o ano próxima a 9%, a piora do cenário internacional e um primeiro semestre fraco para a economia brasileira já fazem os analistas revisarem suas previsões para 7,5% ao ano em dezembro.
Poupança
O corte na Selic implicará uma nova redução na remuneração das cadernetas de poupança. É que, pela nova metodologia anunciada em maio, o rendimento passa a ser equivalente a 70% da Selic quando a taxa do BC for igual ou inferior a 8,5%.
Com o corte de ontem, o rendimento passará, portanto, a ser de 5,6% ao ano, além da Taxa Referencial (TR), que tende a se aproximar de zero.
O BC vem reduzindo os juros desde agosto de 2011, devido ao impacto da crise internacional sobre o crescimento econômico do país.
Os indicadores mostram, no entanto, que o consumo e o investimento têm reagido com lentidão ao estímulo monetário.
Ontem, a Confederação Nacional da Indústria reduziu sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012 de 3% para 2,1%. Já o mercado prevê crescimento de 2,01%.
3ª maior taxa de juro real do mundo
São Paulo - Com a redução de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, o Brasil ocupa a terceira posição entre os países com os maiores juros reais (taxa que desconta a inflação) do mundo.
De janeiro de 2010 até março deste ano, o País se manteve no topo desta lista. Agora, a China encabeça o ranking com juros reais de 3,7%, enquanto a taxa no Brasil baixou para os atuais 2,3%, terceira posição na lista.
O ranking dos juros reais é elaborado pela corretora Cruzeiro do Sul/Apregoa, com 40 das maiores economias do planeta. Da taxa básica, foi descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses.
Na lista dos países avaliados, mais da metade dos países citados - 22 no total - registram juro real negativo. Tanto que a taxa média geral dos 40 países analisados ficou em -0,4%. Os últimos lugares do ranking são ocupados por Hong Kong (-3,6%), Venezuela (-4,6%) e Cingapura (-4,7%).