Acabou ontem um jejum de 12 anos sem títulos nacionais do Palmeiras. E exatamente na competição que mais tem a cara do seu técnico Felipão: a Copa do Brasil. A taça foi garantida no estádio Couto Pereira, ontem à noite, após empate em 1 a 1 com o Coritiba, vice-campeão pelo segundo ano seguido. O que definiu o título, invicto, acabou sendo mesmo a vitória por 2 a 0 na Arena Barueri, na quinta passada.
Depois de procurar centroavantes confiáveis por anos, o Palmeiras encontrou agora no mínimo um talismã. Betinho, que chegou ao clube depois de desempenho pífio no São Caetano, e uma passagem mais do que apagada pelo Marília, quase um desconhecido aos 25 anos, foi quem marcou o gol do título, desviando uma falta batida por Marcos Assunção, quatro minutos depois de Ayrton abrir o placar.
O título garante ao Palmeiras a participação na Copa Libertadores do ano que vem. Se serve como esperança, nas últimas duas das três vezes que Felipão ganhou a Copa do Brasil (1994 com o Grêmio, 1998 com o Palmeiras), foi campeão sul-americano no ano seguinte.
O jogo
Quem esperava uma surpresa de Felipão viu o Palmeiras entrar em campo com o mesmo time prometido. Nem Barcos, nem um quarto volante no seu lugar. Com o 4-4-2 tradicional, a equipe paulista não abdicava de atacar. Era o Coritiba quem mais agredia, bem organizado por Rafinha e Everton Ribeiro. E, apesar da ausência do suspenso Émerson, era a bola aérea a principal força dos donos da casa.
Só que o Palmeiras também é forte na bola parada. Aos 20 minutos, Marcos Assunção cruzou pela esquerda, o Coritiba errou na linha de impedimento e quatro visitantes ficaram sozinhos na cara de Vanderlei. Menos mal para os coritibanos que Betinho fez feio e mandou para fora.
Mais perigoso foi o chute de Rafinha, aos 28 minutos, quando ele recebeu de Everton Costa e colocou curva na bola, que passou raspando a trave de Bruno. Foi pouco depois disso, aos 37, que o torcedor palmeirense temeu pelo pior. Thiago Heleno sentiu lesão e precisou sair, para entrar Leandro Amaro. Mas o reserva, tantas vezes contestado, não comprometeu.
Com a defesa do Palmeiras funcionando, ficava difícil para o time do técnico Marcelo Oliveira entrar na área. No intervalo, a primeira tentativa de mudança, com Ayrton no lugar de Jonas. Aos 14 minutos do segundo tempo, Sérgio Manoel deu lugar a Lincoln. Juntas, as duas deram resultado. Lincoln sofreu a falta. E foi Ayrton quem cobrou com perfeição, por sobre a barreira, no canto direito de Bruno, para abrir o placar aos 16.
Mas o Palmeiras resolveu praticamente na mesma moeda. Marcos Assunção bateu falta na área e um leve desvio de Betinho tirou qualquer chance de defesa de Vanderlei, para deixar tudo igual quatro minutos depois. Com o gol sofrido em casa, o Coritiba precisava fazer mais três para ser campeão. E tinha 25 minutos para isso.
Em um golpe de vista errado de Vanderlei, Marcos Assunção carimbou a trave e quase virou o jogo. O Coritiba também arriscou e Bruno, aos 31 minutos, pegou chute perigoso de Everton Ribeiro. Mesmo com Luan se arrastando em campo, o Coritiba, em vantagem numérica, não conseguiu mais nada. Só assistiu a festa palestrina.
Maior campeão nacional, Verdão encerra longo jejum
Durou 12 anos o hiato de títulos nacionais do Palmeiras, justamente o clube que mais taças coleciona no futebol brasileiro. E ao conquistar a Copa do Brasil ontem, no Couto Pereira, o clube de Palestra Itália inicia a busca por recuperar a chamada “década perdida”. Nos últimos dez anos, seus rivais Santos, Corinthians e São Paulo venceram a Copa Libertadores uma vez cada e, juntos, somaram sete títulos brasileiros. Depois de tanto tempo na sombra dos maiores adversários, é chegada a hora de os palmeirenses voltarem aos holofotes.
Apesar do jejum desde a última conquista brasileira, a Copa dos Campeões de 2000, o Palmeiras ainda é o time com mais títulos em torneios nacionais, em um total de 11, em se considerando os oito Campeonatos Brasileiros, as duas Copas do Brasil (também em 1998) e a conquista da Copa dos Campeões.
E a taça levantada ontem reacende a vontade do Palmeiras de voltar aos tempos de glória. Historicamente, o clube teve dois momentos mais marcantes. Entre 1966 a 1976, foram cinco conquistas nacionais e quatro Campeonatos Paulistas. Depois, entre 1993 a 2000, na chamada “Era Parmalat”, foram quatro conquistas nacionais, três Paulistas, dois Torneios Rio-São Paulo, uma Libertadores e uma Copa Mercosul.
A meta agora é começar, com o título da Copa do Brasil, mais um longo período no topo do futebol brasileiro. E as mudanças começam na estrutura do clube, com a inauguração da moderna Arena Palestra, prevista para o fim do ano que vem. E o Palmeiras quer estrear a sua nova casa campeão da Libertadores, uma vez que já está classificado para voltar à competição continental em 2013.
Há também, no clube, a certeza de um patrocinador master por mais dois anos e meio, duração do contrato com a Kia Motors. No ano passado, antes desse acordo, o clube já liderou as receitas de patrocínio no País.
O dinheiro garantido do patrocinador, o novo contrato de três anos assinado com a Rede Globo e a reestruturação do Avanti, projeto de sócio-torcedor, devem ampliar consideravelmente as receitas alviverdes, fazendo o papel que, há duas décadas, era da Parmalat.
No comando do projeto, pelo menos por enquanto, segue Luis Felipe Scolari, o mesmo treinador que levou o Palmeiras ao título da Libertadores de 1999 e o vice-campeonato no ano seguinte. O cenário está montado para um futuro melhor nos lados do Palestra Itália.