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O secretário de Saúde Fernando Monti alerta para que as pessoas compreendidas nos grupos de risco tomem a vacina |
Um inimigo invisível volta a assustar Bauru. Na madrugada de ontem, a gripe A (H1N1) - ou gripe suína - fez sua primeira vítima fatal na cidade em 2012. Trata-se de um homem de 51 anos que estava internado desde o começo do mês no Hospital de Base (HB). A Secretaria Municipal de Saúde confirmou o diagnóstico da doença e ainda revelou a existência de mais outros dois casos.
De acordo com o titular da secretaria, Fernando Monti, a vítima, que não teve a identidade revelada, possuía várias doenças crônicas, o que agravou o quadro. “Ele foi internado no começo de julho por conta de seu estado gripal. Infelizmente, não resistiu e morreu na madrugada de hoje (ontem)”.
Além da vítima fatal, a gripe A foi confirmada em mais duas pessoas. Uma delas é uma mulher, de 45 anos, que foi atendida em um hospital da rede privada e já recebeu alta. O outro caso, porém, é bastante preocupante. Trata-se de uma gestante de 28 anos que está em tratamento no Hospital Estadual (HE).
Por conta do problema, ela está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da instituição e sua gestação precisou ser interrompida. “Foi preciso fazer um cesariana por causa da situação. Como o bebê era prematuro, ele também foi internado na UTI. O caso realmente preocupa”, revela Monti.
As gestantes foram o grupo de risco que menos aderiram à campanha de vacinação contra a gripe. De acordo com o titular da pasta, 73% das gestantes foram vacinadas e estão protegidas tanto da gripe comum quanto da H1N1. As autoridades destacam que as pessoas compreendidas nos grupos de alerta podem - e devem - ainda se vacinar (leia mais abaixo).
“Todas essas três ocorrências foram recentes. Temos um monitoramento e não tínhamos detectado nada”, complementa Monti. Em outubro do ano passado, uma comerciante de 42 anos morreu em um hospital particular de Bauru. Exames laboratoriais confirmaram que a gripe A foi a causa do óbito. Em janeiro deste ano, um funcionário público, de 34 anos, também morreu com suspeita da doença. Segundo o titular da Secretaria de Saúde, porém, exames posteriores confirmaram que ele não estava com H1N1.
Em circulação
Os casos recentes confirmados ontem, entretanto, acenderam o alerta no município. “Esses três casos que foram registrados agora mostram que o vírus voltou a circular entre nós”, aponta Monti.
Por conta disso, a Secretaria Municipal de Saúde já divulgou alerta referente aos procedimentos corretos a serem utilizados para as redes de saúde pública e privada.
O objetivo é otimizar e disponibilizar o atendimento adequado a toda população, para a manutenção do controle da doença.
Um dos pontos principais é identificar os sintomas (veja mais no quadro ao lado), uma vez que o tratamento nos infectados deve começar o mais rápido possível. “O medicamento antiviral (tamiflu) age nas primeiras 48 horas. Então, é preciso agir de maneira rápida e eficaz”.
O medicamento em questão também está, de acordo com o secretário Fernando Monti, disponível em toda rede municipal de Saúde.
Pessoas de grupos de risco ainda podem se vacinar contra a H1N1
A desinformação da população pode ter deixado muitos desprotegidos contra a gripe A (H1N1). É que a vacina contra a gripe comum também protege contra esta forma mais intensa da doença, o que grande parte das pessoas não sabe. Por isso, quem está no grupo de risco ainda pode - e deve - se proteger.
Tanto o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Fernando Monti, quanto o prefeito Rodrigo Agostinho “apelam” para que quem ainda não se vacinou procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) da rede municipal mais próxima.
A vacina continua disponível gratuitamente aos grupos de risco, que são: crianças de 6 meses a 2 anos incompletos, gestantes, adultos acima de 60 anos e seus cuidadores, pessoas obesas, doentes crônicos e profissionais da saúde.
Em Bauru, a campanha de vacinação teve adesão de 75%. De acordo com Fernando Monti, o sucesso é quando a cobertura é de 85%. “É muito importante que os grupos de risco procurem os postos e se vacinem. Vale destacar que não há problemas para as gestantes se vacinarem. Pelo contrário: no fim da gestação é ainda mais importante a vacinação”, conclui.
Perigo da automedicação
Como os sintomas da H1N1 são muito semelhantes com os apresentados na gripe comum, há um grande perigo: a automedicação. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde alerta para o perigo desta prática no tocante à gripe A.
“Ao surgirem sinais e sintomas sugestivos de influenza (gripe) ou resfriado como febre, tosse e dor de garganta, as pessoas não devem tomar remédios por conta própria, uma vez que os sinais e sintomas podem ser mascarados, dificultando o diagnóstico”, aponta a secretaria. (VO)
‘Não há motivo para pânico’, diz Monti
Apesar dos três casos registrados, incluindo um óbito, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, afirma que as condições atuais não são propícias para uma epidemia. “Não há motivo para pânico. Vacinamos muita gente em 2009, quando houve a epidemia. Muita gente está protegida”, relata.
Ele, entretanto, afirma que o estado de alerta serve para, inclusive, conscientizar as pessoas a tomarem medidas de higiene. “Quando o risco é iminente, as pessoas ficam mais cautelosas. Quando o risco passa, elas relaxam. As medidas de higiene deveriam ser incorporadas sempre, independentemente do risco”, aconselha.
Monti complementa ainda que as pessoas envolvidas - como familiares e amigos - dos três infectados não estão em “quarentena”. “Elas estão sendo monitoradas, porém, até agora, não tenho conhecimento de que tenham apresentado qualquer sintoma”.
Números da doença
Em 2009, o ano da epidemia em nível mundial de H1N1, foram confirmados 187 casos da doença em Bauru, com oito óbitos. Em 2010, não houve registros de casos e, em 2011, houve a confirmação de um infectado, que, inclusive, não resistiu.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, neste ano o Brasil registrou 790 casos e 85 mortes por gripe A. No Estado de São Paulo, seriam 11 vítimas fatais.
