Política

Presidente dá prazo para fechar Apae

Da Redação
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Eder Azevedo

Presidente da instituição, Olga Bicudo, já fala em fechamento da entidade para dezembro

“Se as forças vivas e as forças políticas não nos ouvirem, não teremos condições de fechar o ano e vamos entregar a Apae”. A afirmação, entrecortada por lágrimas e pedidos de compreensão pelo desabafo, é da presidente da Apae de Bauru, Olga Bicudo. Ontem à noite, ela relatou a situação financeira da entidade, que tem uma dívida crescente de R$ 600 mil e déficit mensal de quase R$ 100 mil (receita de R$ 534 mil e despesa de pouco mais de R$ 600 mil). Ou seja, a conta não fecha e ameaça interromper o atendimento a cerca de dois mil usuários carentes, entre alunos (500) e pacientes (1.500).

A crise que se abate sobre uma das instituições de maior tradição da cidade se arrasta há um ano e não há solução à vista, apesar de certa ajuda que tem chegado e de medidas internas de contenção de despesas. O detonador da bomba financeira em que se tornou a contabilidade da Apae teria sido o fim do convênio para o teste do pezinho, em julho de 2011, segundo a presidente Olga Bicudo.

“Agora estamos vendendo o almoço para comprar a janta, mas nem assim tem dado”, afirmou.

O valor do convênio que a entidade mantinha com o Estado propiciava a realização de aproximadamente 4.500 testes do pezinho por mês, o que rendia cerca de R$ 100 mil, valor equivalente ao déficit mensal informado pela diretoria. Somente o valor da rescisão trabalhista com profissionais qualificados, de acordo com a dirigente, foi de R$ 165 mil, cujo dinheiro teve de ser emprestado.

A Secretaria Estadual da Saúde informa que descredenciou a Apae após um processo que durou vários meses, período em que a entidade foi alertada sobre as medidas saneadoras e renovadoras que deveria adotar para continuar prestando o serviço.

Segundo Olga Bicudo, “a dívida (R$ 500 mil) não foi contraída por nossa vontade ou descuido, mas foi fruto de contingências que fugiram ao nosso controle”. A presidente, que sonha reequilibrar as contas para só depois deixar a entidade, informa que, neste momento, não está apenas pedindo ajuda à comunidade e autoridades.

“Estamos fazendo o dever de casa, reduzimos o quadro de funcionários, tanto do atendimento (técnico) quando do administrativo, e colocamos à venda o prédio do laboratório do pezinho, que fica na rua Rodrigo Romeiro, 2-47, no Centro da cidade”. O prédio foi avaliado em pouco mais de R$ 500 mil. Sua venda ajudaria no abatimento da dívida e daria fôlego novo para a reorganização financeira da entidade, mas não resolveria todos os problemas.

Porém, o imóvel já está à venda há mais de dois meses e ainda não há comprador. Em uma atitude mais apelativa, Olga Bicudo e diretoria deverão procurar empresários potenciais compradores nos próximos dias.

 

Atividades extras

Enquanto a solução definitiva não vem, a Apae segue com alguns convênios para atendimento nas áreas de saúde e educacional que já mantinha com Estado, município e União e realiza o chamado “teste do pezinho ampliado”, destinado a pais que desejam checar a saúde dos filhos quanto a 10 patologias. Mantém ainda ativa a campanha “Abrace esta causa”, que angaria sócios-contribuintes mensais.

O Ciesp colabora com um livro-ouro e a entidade também tenta obter receita extra com a recolha de óleo de cozinha usado. Quem puder ajudar, deve levar o produto na rua José Henrique Ferraz, 20-20, no Jardim Ferraz, ou ligar que a entidade vai buscar.

Hoje, a única possibilidade concreta que a diretoria possui para evitar o iminente encerramento de atividades é a venda do prédio. Não sanearia o déficit, mas permitiria a sequência da complicada engenharia financeira para salvar a Apae. Há pessoas ajudando, como dois empresários que emprestaram R$ 100 mil. Mas é preciso muito mais.

 

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