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Policiamento feminino faz 25 anos

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Enquanto conversa com a reportagem, Cibele de Oliveira Granja Schucheman, 45 anos, “fiscaliza” a pequena moto de brinquedo que é guiada pela sua filha, de 7 anos. Por duas vezes, a entrevista é interrompida pelo barulho. “Filhinha, a mamãe está conversando com o repórter”, orienta. Porém, quem vê Cibele em casa não imagina que ela é 1.º sargento da Polícia Militar (PM). E uma das pioneiras. Ela se formou na 1.ª turma feminina do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), que completou 25 anos anteontem.

A “fiscalização” que a sargento faz com a moto da filha é exatamente o ramo em que ela começou. Porém, em veículos de verdade. Ao completar o curso de formação, iniciado em 13 de julho de 1987, as cerca de 100 soldados femininas foram todas direcionadas ao policiamento de trânsito.

A missão de fiscalizar os bauruenses consistia em orientar e punir quem cometesse as transgressões. E como os homens recebiam broncas ou multas de mulheres? “Eles ficavam meio melindrosos. Apesar de não ter vivido problemas muito grandes, víamos que os homens estranhavam. Houve até alguns desacatos”, relembra Cibele Schucheman.

No meio interno da corporação, que era dominado por homens, ela afirma não ter sofrido qualquer preconceito. A maior dificuldade, entretanto, era sobrepujar as barreiras enraizadas. “Antigamente, havia o que chamávamos de quadros distintos. Ou seja, para se tornar policial havia o quadro masculino e o quadro feminino. Sempre, o número de vagas era menor para o quadro feminino”.

O mesmo ocorria na progressão da carreira militar. Os cursos internos para promoção também eram guiados pela mesma divisão de quadros distintos. “Era algo que dificultava a ascensão”.

Hoje, esta divisão acabou. Cibele Schucheman afirma que, da mesma forma como ocorreu na sociedade, a mulher foi conquistando aos poucos o seu espaço na Polícia Militar (PM). De acordo com ela, “hoje, temos mulheres do 4.º Batalhão praticamente em todas as divisões, desde o setor administrativo até na Força Tática”.

Ela é um grande exemplo dessa evolução. Nos 25 anos de carreira, foi de soldado do policiamento de trânsito à patente de 1.º sargento, onde trabalha no setor de relações públicas do 4.º BPM-I.

Até a própria denominação da patente mostra como as coisas mudaram. “Antes, havia o termo ‘feminino’ na patente. Era ‘1.º sargento feminino’. Este termo caiu. Isto mostra como já existe esta igualdade”, complementa.

Toque feminino

Questionada sobre como é o trabalho da mulher na PM, a sargento Cibele Schucheman diz que não se difere em nada do masculino. Ao contrário: ela aponta qualidades femininas que dão um “toque especial” ao trabalho.

“A mulher é mais atenciosa. É mais detalhista. Em muitas vezes, acredito que a mulher consegue ter uma visão mais ampla da situação. Esta visão aos detalhes é algo que ajuda muito diariamente”, afirma.

Há ainda outro importante aspecto: o equilíbrio. Segundo Cibele Schucheman, “a mulher consegue um meio termo entre a razão e o coração. Existem situações que esse meio termo é fundamental no policiamento”.

 

Mulher no comando-geral?

O gosto pela carreira militar veio com a família. “Meu pai era militar e eu sempre tive este sonho”, conta a sargento Cibele de Oliveira Schucheman. Com as “portas” se abrindo para as mulheres na sociedade, veio a oportunidade.

Hoje, casada e com uma filha, ela não tem dúvidas de que fez a escolha certa. Sobre as maiores dificuldades da profissão? “Os policiais que perdemos. Sempre é uma grande tristeza”.

Questionada em relação ao que espera do futuro, ela afirma que já viu muitas mudanças boas acontecerem, porém, quer ver uma mulher assumindo o Comando-Geral da Polícia Militar (PM). “Quem sabe, né? Já temos uma presidenta”.

No ano passado, a coronel Fátima Ramos Dutra, de 46 anos, foi a primeira mulher a assumir um comando estratégico da Polícia Militar. Ela se tornou a titular do Comando de Policiamento do Interior (CPI-7) de Sorocaba, que responde também pela área de Botucatu (100 quilômetros de Bauru).


Sem esquecer a vaidade

Uma profissão tipicamente masculina. Engana-se quem pensa isso sobre o policiamento militar. A 1.º sargento Cibele de Oliveira Granja Schucheman é um exemplo de que esse estereótipo é uma grande bobagem.

Ela afirma que é possível manter a vaidade da mulher, porém, sem exageros. “Nós não abrimos mão de nos arrumarmos. Mas, temos nossos protocolos. Não podemos fazer nada em exagero. É sempre tudo discreto”.

Nessa “arrumação” feminina, Cibele Schucheman explica que não podem faltar os pequenos brincos e a maquiagem. “Temos que ter nossa beleza, né?”, brinca.

 

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