“Que tipo de educação nós queremos para nossos alunos? O que eles precisam para ter sucesso e felicidade em um mundo diferente do passado: Se as carreiras mudam, como tudo muda, a educação precisa mudar. Esse é talvez o nosso ponto de partida e, para termos resultados diferentes, precisamos fazer diferente”, analisa Sara Hughes, proprietária da escola FourC Bilingual Academy.
Com o conteúdo acadêmico trabalhado em duas línguas, inglês e português, a escola direciona o ensino de olho nos quatro “ces”: cidadania, cultura, conhecimento crítico e colaboração. Para a instituição o inglês é uma ferramenta para que o aluno possa interagir no mundo globalizado.
Uma prática comum da escola é o planejamento em conjunto. Dessa forma, um tema pode ser trabalhado em várias disciplinas. Como exemplo dessa integração, Hughes cita o tema “animais”.
Além da biologia, os alunos aprenderam sobre a questão também nas aulas de educação física, onde puderam entender o movimento do corpo dos animais. Já nas aulas de música, eles puderam analisar o som dos bichos.
“Pesquisando, eles fizeram até arqueologia para procurar partes na areia, montar esqueletos e definir qual era o animal descoberto. A escola insere os conteúdos dentro de um contexto que cria significados”, comenta.
‘Construindo o conhecimento’
O conhecimento prévio trazido de casa e das vivências pessoais é valorizado, trabalhado e enriquecido com novas descobertas. Assim começa uma aula na Escola Criarte, segundo as coordenadoras Malba Suyan Alves Leite e Sônia Maria Kerche Dias.
“No ensino fundamental, por exemplo, a gente vai falar sobre diabetes. A criança já conhece algo que viu na própria escola ou mesmo fora dela. Resgatamos esse conhecimento prévio e, a partir daí, introduzimos novos conceitos. Com o professor, o tema sai do censo comum e ganha novos elementos”, explica Malba.
A proposta pedagógica da escola é sócio-construtivista, ou seja, visa proporcionar meios para que o aluno desenvolva habilidades que permitam a construção de novos saberes. De acordo com Sônia, para seguir essa linha pedagógica o professor precisa ser muito preparado e criativo para determinar os caminhos para a aquisição do saber.
“Recentemente, para os alunos do ensino infantil, por exemplo, trouxemos um médico para fazer uma ultrassonografia em uma moça grávida. A ação fez parte de um projeto sobre o nascimento e as crianças fizeram uma entrevista com a gestante. Mais tarde o conteúdo é retomado com novas informações, isso de acordo com a faixa etária”, exemplifica Sônia.
Educação municipal: ‘Novos trilhos’
“Até a última série da educação infantil, a criança aprendia os números até nove porque se acreditava que, aquilo era o possível para aquela idade e desenvolvimento. Entretanto, o desenvolvimento é uma consequência da aprendizagem. A criança pode aprender e porque ela aprende é que ela vai se desenvolver. Então, hoje, nós não temos essa limitação”, explica a diretora municipal do Departamento de Educação Infantil, Lane Mary Faulin Gamba.
Como dizer que uma criança só aprende até o número 9 se ela tem um vasto contato com o computador, por exemplo? Segundo acrescenta Rita de Cássia Bastos Zuquieri, diretora municipal de Projetos e Pesquisas, as escolas de Bauru eram pautadas por Piaget e agora houve uma superação com a escola de Vigotski. Os dois foram importantes teóricos do processo do conhecimento humano. “Uma não nega a outra, mas supera, vai além, avança”.
A diretora acredita que a melhor tendência pedagógica é aquela que potencializa o desenvolvimento da criança que, muitas vezes, chega à escola já com bom potencial. “A escola investe nela e ela vai adiante”.
E quando o aluno chega sem esse conhecimento, a mediação do professor faz toda a diferença. “É isso que respalda nossa nova proposta, o professor como mediador, o professor que potencializa o desenvolvimento da criança”, acredita a diretora municipal de Divisão de Formação Continuada, Maria Angélica Savian Yacovenco.
As três diretoras ajudaram na construção do conteúdo do Plano Municipal de Educação de Bauru (PME). A construção de escolas adaptadas com acessibilidade, formação dos professores em pedagogia e cursos de pós-graduação, além do investimento em pesquisas científicas e do aperfeiçoamento na área de sustentabilidade, orientação sexual, combate aos preconceitos estão entre as prioridades apontadas para os próximos 10 anos (2012-2021).