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Seleção: Ouro ou nada


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Após uma semana de preparação no Rio de Janeiro, a Seleção Brasileira olímpica embarcou ontem para Londres com o time titular já escalado: três atacantes - Hulk, Neymar e Leandro Damião -, Oscar como titular e Rafael na lateral direita, em lugar de Danilo. A formação, que começou o coletivo do último domingo, vencido pelos titulares por 4 a 0, será usada no único amistoso no Reino Unido antes do início dos Jogos: sexta-feira, em Middlesbrough, contra a Grã-Bretanha, às 15h45 (de Brasília).

No dia 26, o Brasil estreia em busca da medalha de ouro inédita contra o Egito. O time titular de Mano Menezes, confirmado ontem em entrevista coletiva no hotel, é praticamente o mesmo que começou o amistoso contra a Argentina, em 9 de junho, vencido pelos “hermanos” por 4 a 3. Foi quando Mano Menezes começou a usar Rafael como titular na lateral.

“Ele é mais especialista na posição que o Danilo, que faz o volante e até tem mais preferência por jogar nessa condição”, disse o treinador.

O técnico da Seleção afirmou que o atacante Alexandre Pato, poupado do coletivo após uma pancada que levou do zagueiro Juan, no dia anterior, não preocupa, treinou ontem com os demais jogadores e vai continuar normalmente os trabalhos em Londres. No hotel, ele e Thiago Silva receberam a visita do ex-companheiro de Milan, Seedorf, hoje no Botafogo. “Temos todos à disposição para começar a segunda etapa do trabalho em Londres”, comemorou o técnico.

Mano Menezes comentou a única substituição feita no coletivo: a troca de Leandro Damião por Paulo Henrique Ganso. “É uma alteração tática”, explicou. “Eventualmente, se as coisas não funcionarem, temos de ter uma solução preparada. Ou mesmo se quisermos uma proposta inicial diferente em determinado jogo. Vamos fazer mais algumas vezes lá em Londres, mas na medida certa para não perdermos aquilo que já temos”.

No hotel, antes do embarque, um tradicional grupo de “Neymarzetes” se despediu do ídolo. Foi assim durante toda a semana, por todos os lugares. Bastava o craque santista aparecer, começava a gritaria. Bem humorado, Mano Menezes disse não achar que o assédio seja prejudicial. “Não posso proibir as meninas de cantar pro Neymar. Acho até que elas tem mau gosto porque ele não é tudo isso em termos de beleza, mas o futebol dele é o que nos interessa. Esse, sim, é muito bom e pode ajudar a Seleção Brasileira a fazer uma grande campanha nos Jogos”, sorriu.

 

Mano cita Tite e Scolari para fazer ‘autodefesa’

Ciente da importância da conquista da medalha para permanecer no cargo, Mano Menezes citou as conquistas da Libertadores, pelo Corinthians, e da Copa do Brasil, pelo Palmeiras, como exemplos de sucesso alcançado pela manutenção de treinadores; no caso, Tite e Felipão. “Mas fica parecendo uma defesa em causa própria, então faço isso com certa moderação”, disse.

O técnico afirmou estar “muito mais confiante” para os Jogos do que estava antes de sua primeira competição à frente da Seleção Brasileira, a Copa América, um fiasco para o Brasil. “Você começa a elaborar um trabalho, ele ganha corpo e você passa a ter uma ideia mais objetiva da capacidade que o grupo tem. E este grupo tem muita, foi possível ver nos amistosos. Temos de fazer os ajustes finais para que aconteça nos Jogos, e tenho certeza de que vai acontecer”, afirmou.

A chegada do grupo a Londres está prevista para hoje de manhã, no horário local. À tarde, os atletas fazem o primeiro treino na capital inglesa, no hotel. Amanhã, a atividade será no centro de treinamento do Arsenal.

 

Seleção será ‘blindada’ do espírito olímpico

O velho espírito olímpico não é prioridade na Seleção Brasileira. A ideia de que o importante não é vencer, mas competir, foi descartada ontem por Mano. A medalha de ouro olímpica é o único título que o futebol brasileiro não tem. E o técnico sabe que um resultado ruim em Londres pode custar o seu emprego.

Para ele, o espírito olímpico já está “um pouco deturpado de modo geral”. “A avaliação que se tem hoje é de que o importante mesmo é ganhar. Você valoriza quem ganha em detrimento dos outros, então fica difícil continuar acreditando nesse espírito olímpico”.

A Seleção não vai ficar hospedada na Vila Olímpica, mas em um hotel. Mano quer evitar os “perigos” da Vila. Para ele, o futebol está fora do “contexto olímpico”. “Às vezes o futebol não é visto com tanta simpatia por outros atletas, justamente por já ser muito grande individualmente”.

O técnico adiantou que acha difícil a participação no desfile de abertura dos Jogos, devido à logística, já que as partidas do futebol são em diferentes cidades.

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