Exceção. É sobre essa base de casos clínicos com nomes ‘atrativos’ que teve início ontem a 12ª edição do Congresso da Sociedade Caipira de Oftalmologia e o 11º Simpósio da Sociedade Brasileira de Enfermagem em Oftalmologia. A programação de 70 debates começou com apresentações de cinco minutos com direito a mais cinco de posicionamento de outros profissionais, que têm como objetivo mostrar como os oftalmologistas lidaram com certos casos “exceções”. A banca avalia e se posiciona: contra ou a favor.
O presidente do congresso, médico oftalmologista Raul Gonçalves de Paula, explica que o momento de encontro dos profissionais da medicina tem seriedade, sem deixar de lado os momentos de descontração. “Os próprios nomes dos debates já mostram isso como, por exemplo ‘Vulcão de Íris’, ‘Shark Córnea - The Return’. São nomes atrativos para as discussões”.
Com 20 anos de experiência como médico oftalmologista, como também atua no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP), carinhosamente chamado de Centrinho, Raul trouxe ao encontro a vivência de um caso de criptoftalmia.
“É um problema de malformação com uma probabilidade de acontecer em 0,045% para cada 10 mil nascimentos vivos. Ou seja, tem profissional que pode nunca vivenciar um caso como este e eu, como trabalho no Centrinho, vivenciei, por isso a importância de mostrar e discutir com os outros médicos. Neste caso, no momento final da formação do feto, as pálpebras não se abrem e, depois que ele nasce, é preciso fazer a cirurgia”.
Acaso
Poucas, mas importantes, coisas Raul sabia no momento da operação: algumas especificidades do quadro clínico da criança. Era preciso abrir as pálpebras com uma incisão cirúrgica e saber até que ponto o seu globo ocular estava formado. Antes da cirurgia veio a surpresa: ele conseguia perceber a luz.
“O pai dele tinha me falado: doutor eu acho que ele consegue perceber a luz. No dia da cirurgia acabei deixando ele mexer com meu celular e ele realmente mostrou que percebia a luz colocando o aparelho nos olhos”, contou o oftalmologista mostrando o vídeo que gravou neste momento pré-cirúrgico.
Depois descobriu-se que a criança tinha apenas um cisto e o globo ocular não estava totalmente formado. “Infelizmente o paciente não vai enxergar mas para ele e para os pais já é um ganho. Construímos uma prótese para ele”, finalizou o presidente do congresso.
O congresso também abrange o 11º Simpósio da Sociedade Brasileira de Enfermagem em Oftalmologia e oferecerá cursos de lentes de contato para as secretárias dos oftalmologistas. Esta é a segunda vez que Bauru sedia o evento. No ano de 2013, é a vez de Ribeirão Preto.
Serviço
Congresso termina amanhã, na USC. Detalhes: Centro Nacional de Congressos. www.cenacon.com.br, e-mail: cientifico@cenacon.com.br. (17) 3214-5900.
Tecnologias
Pelo pátio da Universidade Sagrado Coração (USC), dezenas de expositores levaram novas tecnologias de aparelhos existentes usados pelos oftalmologistas. Um deles é um microscópio muito usado em cirurgias de catarata que aumenta em até 40 vezes. O aparelho é essencial para a precisão da cirurgia. Junto de outros, também de tecnologia avançada, o pós-cirúrgico também fica bem mais simples.
Descontração
Além dos intervalos para lanches e bate-papo, hoje, às 20h, todos os participantes do congresso se reúnem para a tradicional festa caipira, que acontecerá na quadra da USC. “Teremos comida típica e decoração quase cenográfica. É um momento especial deste nosso encontro que inclusive já está incluso no preço pago pela inscrição”, destaca o presidente do congresso, médico oftalmologista, Raul Gonçalves de Paula.