Política

Eleitores estão alheios à disputa

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

No meio político, vale a máxima de que uma eleição começa quando a anterior termina. No entanto, essa realidade não se reflete no cotidiano da população. O Jornal da Cidade conversou com 12 eleitores bauruenses e muitos deles não sabem sequer quantos ou quem são os candidatos que vão disputar seus votos para a Prefeitura de Bauru. Vale lembrar que, apesar de a campanha não ter chegado ainda visualmente às ruas nem ter se iniciado a propaganda política no rádio e na televisão, a alienação persiste duas semanas após o início oficial da campanha.


Cinco dos entrevistados no Calçadão da Batista disseram desconhecer totalmente os candidatos e não citaram sequer o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). O candidato à reeleição, porém, foi o único lembrado por alguns dos eleitores, como a vendedora Luciana da Silva Januário, 31 anos.


Há ainda aqueles que demonstram total desinteresse e aversão à política, como o aposentado Antônio Carlos Souza, 55 anos. “Está cada vez pior”, declarou, em relação ao processo eleitoral.


Alguns eleitores, porém, lembraram, além de Rodrigo, das candidaturas de Clodoaldo Gazzetta (PV) e Chiara Ranieri (DEM). Teoricamente, os dois nomes deveriam já estar na cabeça das pessoas. O primeiro disputa a Prefeitura de Bauru pela quarta vez e a candidata exerce mandato de vereadora.


No entanto, como os próprios eleitores entrevistados relataram, eles não acompanham as sessões nem as discussões da Câmara Municipal. Apenas dois disseram escutar pelo rádio ou assistir às sessões eventualmente. “Quando tem alguma coisa do nosso interesse, eu acompanho”, entregou o funcionário público Bento Benedito Firmino, 48 anos.



Esquecido


Pouco conhecido mesmo é o candidato Paulo Sérgio Martins (PSTU). Apenas um dos entrevistados lembrou seu primeiro nome. Outro citou a existência de um quarto concorrente a quem atribuiu o nome de Eduardo.


Outra curiosidade foi a citação da vice-prefeita Estela Almagro (PT) como uma das candidatas à Prefeitura de Bauru pelo auxiliar de escritório William Ferreira Pense, 25 anos. “A campanha ainda está muito fria. Não deu para sentir o que vai acontecer”, justificou.



Economia x política


Professor de teoria política do câmpus de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Milton Lahuerta diz que o fato de grande parte da população estar alheia ao processo eleitoral já é esperado em razão do processo de despolitização vivido no mundo inteiro. Segundo ele, esse fenômeno se dá em razão da valorização da economia em relação à política.


“A política é mal vista porque, mesmo quando é bem feita, demora para dar resultados. O tempo da economia é muito mais rápido. Ou você perde ou você ganha, sempre com pouco diálogo e pouca negociação. A busca de uma vida melhor não envolve questões coletivas. Os desejos e necessidades estão restritos a questões econômicas”, argumenta.


Apesar disso, Lahuerta afirma que crises políticas ainda pesam em questões eleitorais. “Não é a toa que o PT se esforçou tanto para adiar o julgamento do caso do mensalão”, pontua.


O professor diz que, apenas com o início da campanha no rádio e na televisão, a questão eleitoral vai entrar no dia a dia da população. “Ainda assim é tudo momentâneo. A população, de modo geral, não ingressa de forma sistemática e duradoura”, finaliza.

 

Mandato ajuda


Comentando o fato de alguns entrevistados pelo Jornal da Cidade saberem apenas da participação do atual prefeito na disputa eleitoral, Milton Lahuerta diz que este também é um fenômeno já esperado. “O candidato a reeleição, certamente, sai com uma vantagem, mesmo que seu governo tenha níveis medianos de aprovação”, pontua.


De acordo com o professor, o fato de o candidato já ter o mandato de prefeito só é prejudicial quando seu índice de rejeição é superior ao índice de pessoas que o conhecem.

 

Fundação o quê?


Além de não estarem por dentro do cenário eleitoral deste ano, os eleitores entrevistados pelo Jornal da Cidade demonstraram, de forma geral, que não acompanham as principais discussões, não apenas políticas, mas que envolvem a cidade, incluindo um dos temas que costumam estar no topo das reivindicações populares: a Saúde.


No final do ano passado, a Câmara Municipal autorizou a criação de uma estrutura para contratar mão de obra, materiais e serviços: a Fundação Regional de Saúde. O tema gerou grandes debates já no mérito e, recentemente, voltou ao noticiário político em razão dos conflitos sobre o modelo em que deveria ser aprovado o estatuto da entidade.


No entanto, a maioria absoluta dos entrevistados alegou desconhecer o assunto. Outros diziam que já tinham ouvido falar, mas não sabiam do que se tratava.


O aposentado Luiz Carlos Primo, 75 anos, conseguiu identificar apenas que se tratava de uma discussão que envolvia o secretário de Saúde, Fernando Monti. O funcionário público Bento Benedito Firmino Júnior foi a única exceção.


 

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