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Drenagem urbana

Edson de Almeida
| Tempo de leitura: 3 min

Recentemente os jornais noticiaram que, de acordo com pesquisa do censo do IBGE em 2010, mais da metade das residências brasileiras não possuem bueiros. Na verdade, os espaços urbanos não possuem eficientes sistemas de drenagem de águas pluviais. Bueiro ou, como dizem popularmente, "boca de lobo", é apenas um apêndice de uma galeria de águas pluviais. Infelizmente, o tratamento dado à questão da drenagem urbana é muito limitado comparado à importância do tema. Problemas causados pela má gestão da drenagem urbana têm relação direta com saúde e segurança dos munícipes, mobilidade urbana, saneamento ambiental e aspectos econômicos.

A analogia com a saúde está ligada a doenças de veiculação hídrica; a segurança tem a ver com a inundação e destruição de imóveis localizados em áreas de risco e arraste de veículos e pessoas nas vias públicas; à mobilidade, porque ruas da periferia ficam intransitáveis, pontes e travessias de fundo de vale são destruídas; saneamento ambiental, porque surgem erosões em vias não pavimentadas e os corpos d?água ficam entulhados com todo tipo de detritos; e também porque ligações clandestinas de águas pluviais nas redes de esgotos sanitários causam sobrecarga na rede, problemas de retorno tanto em residências como em PV?s (poços de visita) prejudicando também os sistemas de tratamento de esgotos e, finalmente, o aspecto econômico, porque tudo isto onera e causa prejuízos incalculáveis tanto a população quanto ao poder público.

A falta de drenagem urbana é patente praticamente em todas as cidades do Brasil. Como é uma obra que fica enterrada, a drenagem é relegada a segundo plano. É muito freqüente vermos por aí ruas asfaltadas, sem os serviços básicos de infra-estrutura. Quando muito existe apenas rede de água, rede de esgoto às vezes, galerias de águas pluviais então é muito raro. Todos estes problemas citados que anualmente afetam as nossas cidades são lembrados e comentados somente na época das chuvas, depois caem no esquecimento.

É evidente também a falta de gerenciamento adequado, desde a elaboração de projetos exeqüíveis, com todas as interferências cadastradas e executados por especialistas em hidrologia e hidráulica, realização de estudos para implantação de galerias em locais sabidamente críticos, elaboração de programa de manutenção preventiva das galerias existentes. Todas estas ações englobam um sistema complexo de operação e implantação dos sistemas de drenagem, a quem compete escoar toda a vazão afluente gerada pelas precipitações, de maneira eficiente, reduzindo ao máximo o escoamento superficial proporcionando desta forma o mínimo de desconforto a população.

A ausência total ou a existência de galerias subdimensionadas aliadas à rápida urbanização com conseqüente impermeabilização do solo e a ocupação desordenada de áreas de várzeas e fundo de vales, só fazem aumentar a intensidade dos danos e a complexidade do problema. Além do que o cenário que deslumbramos é de aumento do volume precipitado versus duração, devido às mudanças climáticas, aumentando desta forma o pico das enchentes.

Todos estes problemas não se resolvem apenas com obras estruturais, que muitas vezes são complicadas e onerosas. Existem soluções não convencionais, também chamadas de medidas não estruturais. São ações que envolvem educação da população, referente orientações quanto à destinação adequada dos resíduos sólidos, a não utilização dos bueiros como depósito de lixo, a não utilização de redes de esgoto para drenar água de chuva. A criação de leis que obriguem a retenção nos lotes, de parte das águas ali geradas; implantação de serviço de coleta de resíduos sólidos e limpeza pública adequados, disciplinamento e adequação do uso do solo, tanto na área rural como urbana, incentivo a utilização de águas das chuvas (após tratamento) para fins menos nobres, incentivo a grandes empreendedores que construam mini reservatórios de retenção em seus empreendimentos, dentre outras.

O certo é que com vontade política e planejamento adequado aliado ao gerenciamento integrado entre as secretarias das administrações públicas envolvidas com o tema, os problemas de drenagem que tanto afetam e causam transtornos em nossas cidades poderão ser minimizados, reduzindo as perdas e também o aporte de recursos, o que certamente redundará em benefícios para toda a coletividade.


Edson de Almeida é engenheiro civil e de Segurança do Trabalho

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