Bagdá - Pelo menos 111 pessoas morreram em atentados e tiroteios ontem no Iraque, um dia depois da morte de 20 pessoas em explosões, numa onda de violência coordenada que tem como alvo principalmente os muçulmanos xiitas.
Os incidentes, que coincidem com a intensificação do conflito na vizinha Síria, ilustram as deficiências das forças iraquianas de segurança, incapazes de impedir os insurgentes de atacarem vários locais no país inteiro.
Os ataques deixaram também pelo menos 268 feridos em bairros xiitas de Bagdá, na localidade xiita de Taji, ao norte, e nas cidades de Kirkuk e Mosul, entre muitos outros lugares, segundo fontes policiais e hospitalares. Esse foi um dos dias mais violentos no Iraque nas últimas semanas.
Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelos ataques, mas um funcionário graduado da segurança iraquiana atribuiu os atentados à “filial” local da Al Qaeda, composta por militantes sunitas hostis ao governo de maioria xiita, aliado do Irã.
“Os recentes ataques são uma clara mensagem de que a Al-Qaeda no Iraque está determinada a desencadear uma sangrenta guerra sectária”, disse o funcionário, pedindo anonimato.
“Com o que está acontecendo na Síria, esses ataques deveriam ser levados a sério como uma potencial ameaça ao país. A Al-Qaeda está tentando empurrar o Iraque para a beira de uma guerra entre xiitas e sunitas.”
Brasil
O Itamaraty enviou ontem condolências ao Iraque e às famílias das vítimas da onda de atentados e tiroteios que deixaram 111 mortos desde ontem. Os ataques aconteceram dois dias após o início do Ramadã, o mês sagrado para o islamismo.
Em breve comunicado, o governo brasileiro diz que recebeu “com consternação” a notícia e manifestou “seu pesar e solidariedade” aos familiares dos mortos, ao povo iraquiano e ao governo do país, “reiterando sua condenação a todo ou qualquer ato de terrorismo”.
Mais cedo, os Estados Unidos condenaram as ações, classificando-as de “covardes e censuráveis”.