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Universitário do século 21 é otimista


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Individualista, apegado à família, otimista e dependente da internet. Este é o perfil do universitário do século 21 de acordo com os resultados iniciais da pesquisa internacional realizada pela Federação Internacional das Universidades Católicas (FIUC).

A socióloga e professora Rosa Aparicio Gómez, do Instituto Universitário Ortega y Gasset, da Espanha, divulgou o resultado parcial da pesquisa na última quinta-feira. O levantamento foi feito FIUC nos cinco continentes, sobre diversos aspectos da vida de mais de 17 mil universitários.
O trabalho esteve na pauta da 24ª Assembleia da FIUC, realizada na semana passada, no Centro Universitário da FEI, câmpus São Bernardo. Dirigido a gestores de universidades, o encontro reúne numa série de apresentações as mais importantes tendências mundial na área do ensino superior.

Rosa Aparicio Gómez, responsável pela pesquisa, adianta que os dados ainda serão avaliados com mais profundidade, mas algumas tendências chamam a atenção. O trabalho é único, porque faz um levantamento global dos estudantes, permitindo obter diferentes análises comparativas, por região ou modelo econômico, por exemplo.

"Há diferenças regionais suficientemente importantes. Na América Latina, notei que o Brasil difere bastante e apresenta mais semelhanças com países emergentes, como a Índia", explica.

Corrupção

Um dos pontos comuns entre todos os pesquisados é a total desconfiança do jovem com relação à prática e às instituições políticas. "É uma característica geral, as diferenças entre os países e regiões neste aspecto são muito pequenas. A corrupção é apontada como um dos principais problemas da política", diz a socióloga.

O jovem não crê que o Estado possa fazer algo por ele. "A confiança nos outros também é baixa. Eles acreditam em si mesmos e nas pessoas de seu círculo mais próximo", informa. Os africanos, segundo o estudo, são os menos individualistas.

Os pesquisados são muito otimistas quanto ao futuro, principalmente no que se refere ao mercado de trabalho. Os continentes onde há maior temor em relação ao futuro profissional são Ásia e Europa.

"A maioria é muito confiante de que a universidade é um caminho seguro para o ingresso no mercado de trabalho.

Eles também se mostram satisfeitos, de maneira geral, com suas vidas e têm autoestima elevada. Há um certo liberalismo ou neoliberalismo no seu modo de encarar a vida profissional, já que o progresso econômico vem do esforço individual, na visão deles", diz.

Tecnologia e família

Para Rosa Aparicio Gómez, a influência da tecnologia na vida dos estudantes é impressionante, já que eles passam mais tempo em frente ao computador que com os amigos ou estudos.

"Na média, os universitários passam de duas a quatro horas por dia na internet. Os jovens se relacionam por meio das redes sociais e o contato direto é cada vez menor", diz.

O "Second Life" (ambiente virtual e tridimensional que simula em alguns aspectos a vida real e social do ser humano) não é tão popular, segundo a pesquisa, com exceção dos países asiáticos.

Quanto à religião, há uma tendência à secularização até mesmo em países tradicionalmente católicos, como Portugal, Espanha e Itália. "Outro fator interessante é que os jovens se declaram muito próximos às suas famílias e também dispostos a formar as suas próprias famílias, no futuro", diz a professora.

A professora explica que terá um ano para fazer a análise completa das informações obtidas e, provavelmente, os resultados serão publicados num livro. "Como o volume de informações é muito grande, devemos ter publicações regionais", diz.

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