São 8h30 de uma sexta-feira ensolarada e os alunos chegam animadíssimos à escola. Estranho? Mais ainda quando a aula for sobre boas maneiras. Sim, eles aprenderão que os cotovelos jamais vão à mesa, que a dona da casa é sempre responsável pelo bem-estar de seus convidados e que, para cozinhar, é preciso usar touca e lavar muito bem as mãos.
Há trinta anos, a escola Maria Arte e Ofício, no Carmo, ajuda a transmitir bons modos para a garotada. Segundo Maria do Carmo Guimarães Pereira, a proprietária, com o fim das aulas de etiqueta nas escolas e com muitos dos pais fora de casa em tempo integral, abriu-se uma lacuna na educação.
Sobre boas maneiras
Os monitores usam as questões vividas no cotidiano pelas crianças como "ganchos" para a discussão de como se comportar. Durante a aula de culinária, por exemplo, depois de prepararem juntas uma torta de abobrinha, as meninas vão para a sala.
Primeiro, aprendem a dobrar o guardanapo e, depois, a pôr a mesa. Garfo à esquerda e faca à direita. "A serra da faca deve estar virada para o lado do prato, assim se evita que alguém se corte", explica a aluna Gabriela Francisco, 9 anos.
"Tem gente que acha que etiqueta é careta. Muito pelo contrário, é uma ferramenta de socialização", diz a terapeuta ocupacional Ana Cristina, filha da fundadora e que hoje atua ao lado da mãe. "As regras não vêm para limitar e, sim, para libertar. Se sei me comportar, sou aceita em qualquer ambiente."
A professora Glaura Helena Panadés de Castro viu em poucos meses a mudança de atitude da filha, Helena. "Santo de casa não faz milagre", acredita ela. "Quando uma pessoa de fora do convívio fala, as crianças assimilam melhor."
Para Glaura, no entanto, as aulinhas não eximem a responsabilidade dos pais. "Os filhos repetem os nossos comportamentos", destaca.
O poder das palavras
Durante as duas horas semanais que passam na escola, palavras e expressões bonitas como por favor, com licença, sinto muito e obrigado são repetidas exaustivamente. "A Gabi é incapaz de chegar a um lugar e não cumprimentar os presentes", orgulha-se Isabella Kuschel Nagl, referindo-se à filha Gabriela, de 9 anos.
Há cinco, a menina frequenta as aulas de etiqueta. Os resultados motivaram a administradora a levar neste semestre também a caçula, Fernanda, de 4. "Elas não faltam de jeito nenhum."