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Mulher de Cachoeira é detida pela PF

Folhapress
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Goiânia - A mulher de Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, começou a ser investigada ontem por suspeita de tentar corromper o juiz responsável pela operação Monte Carlo, que resultou na prisão do empresário, em fevereiro.

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Andressa, que foi obrigada a prestar depoimento e a pagar fiança de R$ 100 mil. Também não poderá entrar em contato com nenhum investigado na operação - inclusive Cachoeira.

Segundo o juiz federal Alderico Rocha Santos, Andressa esteve em seu gabinete no último dia 26 para tentar obter a revogação da prisão e a absolvição do marido.

Na ocasião, conforme relato do magistrado à Procuradoria, ela afirmou ter um dossiê com “informações desfavoráveis” a ele que seria divulgado pelo “repórter Policarpo na revista “Veja’” caso Cachoeira não fosse liberado.

Redator-chefe da revista “Veja” em Brasília, Policarpo Júnior aparece conversando com Cachoeira em diálogos interceptados na operação, mas que, segundo a PF, denotam apenas relação entre repórter e fonte.

Em nota, a revista classificou a acusação como “absurda, falsa e agressivamente contrária aos nossos padrões éticos”. Disse ainda que toma providências para “processar o autor da calúnia que tenta envolver de maneira criminosa a revista e seu jornalista”.

 

Busca

Diante das afirmações do juiz e de representação da Procuradoria, a Justiça Federal determinou as ações contra Andressa, surpreendida em casa pela PF por volta das 7h de ontem. Segundo o delegado Sandro Paes, Andressa ainda estava dormindo e “ficou surpresa”. Ela estava sozinha.

Na casa, que é alugada, segundo relatos de Andressa ao delegado, foram apreendidos dois computadores, dois iPads, um aparelho celular e documentos manuscritos.

Andressa deixou a sede da PF em Goiânia por volta das 12h15, sem falar com a imprensa. A reportagem não localizou ontem advogados que a representem, e o defensor de Cachoeira não respondeu às tentativas de contato.

Segundo a Procuradoria, Andressa é investigada por suspeita de corrupção ativa, pelo episódio do juiz, e também por suposta lavagem de dinheiro e corrupção passiva - o grupo de Cachoeira teria intenção de transferir bens para o nome dela.

O juiz Alderico Santos assumiu o processo do caso Cachoeira após o titular da ação penal pedir para ser substituído. Na ocasião, em junho, Paulo Augusto Lima alegou estar em “situação de extrema exposição” em Goiás.

 

Mensageira do grupo

Os procuradores da República, Léa Batista, Marcelo Ribeiro e Daniel Salgado, do Ministério Público Federal (MPF) em Goiás, reagiram com indignação à suposta ameaça de Andressa Mendonça, mulher de Carlinhos Cachoeira, de divulgar um dossiê sobre o juiz da 11a. Vara Federal em Goiás, Alderico Rocha Santos.

Durante entrevista coletiva, ontem, eles adjetivaram a mulher do bicheiro como “mensageira do grupo criminoso”, comandado por Carlos Augusto Ramos, em Goiás.

“A ousadia da companheira de Carlinhos Cachoeira, ao chantagear e ofertar vantagem ao juiz federal, somadas às galhofas observadas durante a audiência, mostra o desprezo e a afronta de Carlos Augusto de Almeida Ramos e de pessoas ligadas ao ‘capo’ do grupo criminoso”, disse Daniel Salgado.

Durante entrevista coletiva, a procuradora Léa Batista comentou que a suposta investigação sobre a vida do juiz demonstrou, na prática, que o grupo de Cachoeira “continua ativo”, mesmo após a sua prisão.

De acordo com o MPF em Goiás, se for também condenada por corrupção ativa, Andressa Mendonça pegará uma pena de 22 anos de prisão.

O delegado Sandro Paes Sandre, da PF, disse que a acareação entre o juiz federal Alderico Rocha Santos e Andressa Mendonça, a mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira, será na próxima semana.

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