O secretário Municipal de Saúde, Fernando Monti, voltou a defender ontem que a Prefeitura de Bauru exerça o controle das vagas de internação pelo menos para o atendimento da demanda vinda do Pronto-Socorro (PS). O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) não atacou este problema desde o início de sua gestão, em janeiro de 2009, e com a queda abrupta na produção do Hospital de Base (HB) o município ficou refém do sistema.
“Nós somos solidários ao complexo problema de demanda e financiamento do sistema de saúde, que não acontece só em Bauru. Mas o fato é que o convênio para atender média complexidade está nas mãos do Estado e Bauru é um das poucas cidades regionais em que a central continua nas mãos do Estado. O município tem de ter o controle de vagas de internação, pelo menos de urgência e emergência. Esta é a questão imediata do principal gargalo, a demora ou falta de vagas para internações”, cita Monti.
Fernando Monti elenca que é preciso não desviar o foco central do problema. “Com o agravamento da crise financeira na Associação Hospitalar de Bauru, o fato é que o Hospital de Base sofreu enorme queda na produção e reduziu substancialmente a capacidade de internações. Isso dava suporte, com deficiência ou não, ao Pronto-Socorro. O Base teve queda na produção, mas continua recebendo ainda mais dinheiro enquanto não se resolve seu problema de transferência de gestão. É preciso repor esse volume de vagas para internações pelo menos para minimizar o problema”, acrescenta.
O secretário sustenta que o Pronto-Socorro atende em torno de 1.000 pessoas por dia, mas os casos de internação não chegam a 50. “Nossa média de pedido de internação não chega a 5% da clientela. O fato é que o Base não está atendendo como antes e a oferta de demanda é sim muito menor. Não se trata de ficar culpando ninguém, mas de apontar de um dos problemas da questão. Não há informação que sustente a alegada falta de resolutividade da Unidade Básica de Saúde de Bauru, embora estejamos discutindo questões para ajustes. Tem deficiência quantitativa nas Unidades Básicas, mas não são os casos de média complexidade que está faltando. É preciso resolver isso primeiro. A regulação das vagas tem de ficar com o município e a gestão financeira e de controle continua com o Estado, até por legalidade”, continua.
Fernando Monti também criticou a gestão de hospitais por entidades privadas.
Roberval Sakai (PP) enfatizou o fato de uma vida ter sida perdida por conta de uma vaga hospitalar. Paulo Eduardo de Souza (PSB) afirmou que não foi ‘sensível’ a decisão de Central Reguladora de Vagas em liberar uma vaga para Drielly na cidade de Promissão, a 120 quilômetros de Bauru.