Internacional

ONU aprova resolução contra Síria

Folhapress
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Nova York - A Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou ontem uma resolução contra a Síria pelos confrontos entre as forças do regime do ditador Bashar Assad e rebeldes, que começou há 17 meses.

Ainda não foi divulgado o resultado da votação. O projeto, proposto pela Liga Árabe, exige o fim da violência contra os civis nas cidades sírias, assim como a aplicação imediata do cessar fogo previsto pelo plano do ex-enviado especial ao país, Kofi Annan, em abril, para iniciar um processo de transição política.

No entanto, o projeto inclui condenações e responsabilidade ao regime de Assad pela onda de violência no país, o que provocou a recusa da Rússia. Anteontem, o Kremlin adiantou que votará contra a proposta por considerar que tem “os mesmos vícios” das propostas ocidentais, como culpar o governo e isentar a oposição.

Moscou também acusa o projeto de querer revisar o plano de paz proposto pelo ex-enviado especial da ONU à Síria, Kofi Annan. “Propõe-se a Annan centrar suas atividades em garantir a transição política na Síria, o que não faz parte de seu mandato”.

O país, junto com a China, bloqueou três sanções no Conselho de Segurança contra o regime sírio, afirmando que os países do Ocidente com poder de veto - Estados Unidos, Reino Unido e França - atribuem responsabilidades à crise apenas a Assad.

As resoluções da Assembleia Geral não são documentos vinculantes, nem podem ser vetadas por nenhum país. No entanto, não possuem caráter impositivo, o que provocaria efeito nulo para solução da crise.


Annan

O governo da Rússia pediu ontem que a ONU encontre “com urgência” um substituto para o cargo de enviado especial à Síria, após a renúncia do ex-secretário-geral Kofi Annan.

Em nota, Moscou pediu “um sucessor de alto nível”. “Na atual situação, manter a presença da ONU no país (Síria) adquire um significado especial.”

Os russos acreditam também que a missão de observadores da ONU é “um fator importante para assegurar o apoio internacional às legítimas aspirações do povo sírio de determinar sozinho os caminhos para o desenvolvimento democrático independente do país”.

A nota da chancelaria russa atribuiu diretamente aos rebeldes sírios a responsabilidade pelo fracasso das iniciativas de paz.

“Lamentavelmente, a oposição síria rejeitou de forma constante todas as propostas para estabelecer um diálogo político. Nossos associados ocidentais (e) alguns Estados regionais que poderiam ter influenciado a oposição não fizeram nada”, informa a nota.


Navios

A Rússia também desmentiu ontem que três navios militares planejem fazer uma escala no porto de Tartus, na Síria, como havia afirmado durante a manhã o porta-voz do Estado-Maior do país.

Em comunicado, o Ministério da Defesa afirma que a frota conta com barcos de apoio, o que permite o reabastecimento em pleno mar e o cumprimento da missão no Mediterrâneo com autonomia suficiente.

No entanto, a nota não descarta passagem pela Síria caso os exercícios se prolonguem além do previsto. Mais cedo, o Estado-Maior afirmou que pretendia fazer uma parada em Tartur na próxima semana, o que poderia agravar o conflito sírio.


Ação para a paz


O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ontem aos países membros da organização ações concretas para livrar a Síria de uma guerra civil ocasionada pelos confrontos entre oposição e as tropas do ditador Bashar Assad. A declaração foi feita na abertura de uma votação sobre o país na Assembleia Geral.

Ban alertou que o conflito, que completa 17 meses em agosto, poderia se transformar em uma catástrofe, como as guerras civis de Ruanda, em 1994, e Srebrenica, na Bósnia, em 1995.

“Estamos enfrentando a crua possibilidade de uma longa guerra civil na Síria que destruirá seu rico tapete de comunidades entrelaçadas”, disse o chefe da ONU, pouco antes da votação da resolução oferecida por países da Liga Árabe.

O secretário também pediu às grandes potências, incluindo as que participam do Conselho de Segurança, superem rivalidades e encontrem um entendimento para conseguir acabar com o conflito, que, segundo Ban, se transformou em uma “guerra de poderes”.

 

Morteiros matam palestinos em Damasco

Damasco - Ativistas sírios de oposição disseram que pelo menos 50 pessoas foram mortas durante confrontos entre forças do governo e da oposição anteontem em Hama, no centro do país, e que um bombardeio com helicópteros matou 16 rebeldes perto da cidade de Deraa, que foi o berço da revolta.

Em Damasco, pelo menos 20 pessoas foram mortas por três saraivadas de morteiros lançadas pelas forças de segurança contra um bairro de refugiados onde vivem 100 mil palestinos, segundo fontes médicas.

A Rússia, importante aliada de Assad, aconselhou seus cidadãos a evitarem viagens à Síria. Voos da empresa russa Aeroflot entre Damasco e Moscou serão interrompidos a partir de segunda-feira, por falta de demanda, conforme anúncio feito há duas semanas.

As forças sírias atacaram o último reduto de rebeldes na capital Damasco com tanques e veículos armados ontem. Também fizeram uma ofensiva com helicópteros e artilharia pesada contra Aleppo, onde as Nações Unidas antecipam um assalto maciço contra os insurgentes.

Rebeldes relataram ontem que capturam uma importante delegacia de polícia após dias de confronto, aprisionando vários policiais e apreendendo armas e munição.

Outros insurgentes afirmaram que vários confrontos intensos tiveram lugar no distrito de Salahedin, cenário da maior batalha pelo controle da cidade, onde estimavam a morte de pelo menos 20 civis.

Eles afirmaram que 50 rebeldes foram mortos nos últimos dias. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon afirmou que “atos de brutalidade” reportados de Aleppo poderiam ser considerados como crimes contra a humanidade.

Na capital, tropas sírias atacaram o distrito de Tadamon com dezenas de tanques e veículos armados para retomar o último enclave rebelde na capital, conforme relatos de insurgentes e moradores locais.  Ativistas relataram várias execuções, mas um número preciso não pode ser confirmado.

Em Aleppo, as tropas sírias reforçaram suas posições dentro da cidade e nas cercanias.

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