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Casal homoafetivo oficializa união

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O estudante de direito Cauê de Oliveira Sena Ricarte completou ontem 20 anos num contexto inesquecível: pela manhã, esteve no cartório para retirar sua certidão de casamento com o estagiário de Direito Charles Bulhões Trevisan da Silva, 25 anos. O primeiro casal homoafetivo de Bauru a ter o documento só conseguiu pegar o papel aproximadamente dois meses depois do Tribunal de Justiça, em São Paulo, acatar por unanimidade o pedido de matrimônio, negado pela Justiça em Bauru (1ª instância).


Ambos já viviam sob regime de união estável, mas lutavam para ter o casamento civil reconhecido desde o ano passado. A intenção sempre foi garantir, entre outros benefícios, o direito de adotar o sobrenome do parceiro, assumir o novo estado civil nos documentos pessoais e incluir o cônjuge em planos de saúde, além de poder receber pensão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e tornar-se herdeiro necessário em caso de morte do parceiro. Há exatamente 11 meses, eles reuniram familiares e amigos para festejar a união.


Outra comemoração, porém, já está marcada para o próximo final de semana, a reboque do documento com fé pública que oficializou o primeiro casamento homoafetivo de Bauru. “Também haverá uma cerimônia de arquivamento da cópia do processo no Museu Histórico Municipal, com a presença de integrantes da Associação Bauru pela Diversidade (ABD) e da administração municipal, em data ainda ser definida”, comenta Charles.


De acordo com ele, o dia 5 de agosto será sempre um dos dias mais felizes da vida dele e de Cauê, quiçá o mais. Para o casal - que daqui a uns dois anos pretende ter filhos por meio de inseminação artificial com a colaboração de uma amigo -, várias outras conquistas devem ser batalhadas em observância aos direitos da comunidade homoafetiva.




Amor e obstáculos


O casal que atualmente vive em Bauru conta ter se apaixonado à primeira vista, num ônibus na avenida Santo Amaro, em São Paulo. No entanto, até unirem-se oficialmente tiveram de superar vários obstáculos. O primeiro deles envolvia Charles, na época noivo de uma mulher. Ele conta que em função da “pressão moral-religiosa” depositava na relação heterossexual todas as suas forças na tentativa de mudar sua orientação sexual.


Diz, porém, ter sempre sido sincero com ela. Por fim, rompeu o noivado. Mas existia outro problema: Cauê era cinco anos mais novo e tinha, na ocasião, 16 anos. A família dele foi radicalmente contra a união. Ambos viviam em São Paulo. Charles, então, decidiu vir para Bauru. Os contatos continuaram por telefone, embora destaque que a família de Cauê o reprimia por isso. Para evitar tanto sofrimento a Cauê, decidiu não mais atender as ligações telefônicas do rapaz por quem era apaixonado.


Restou a Cauê vir a Bauru. Por fim, a família do mais novo aceitou a relação de ambos. Cauê, então, voltou a São Paulo e via o namorado apenas duas vezes ao mês. Charles conta que a situação o fez voltar para a capital, mas as dificuldades não cessaram. A família de Cauê novamente impôs resistência, contam.


Enfrentaram todas, voltaram juntos para Bauru há cerca de três anos e, agora com o consentimento da família de ambos, estão casados. Charles atualmente se dedica a escrever o “Livro Da Possibilidade Bíblica do Casamento Civil Homoafetivo”.

 

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